Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Noticias - Czar Nicolau II reabilitado pelo Supremo Tribunal russo

(Já vem um bocadinho tarde, mas só agora é que consegui arranjar um tempinho :-D)

Último czar da Rússia foi fuzilado em Ekaterinburgo, em 1918, com toda a sua família. Os bolcheviques sempre disseram que o monarca cometera crimes

 

Nicolau II no seu escritório em Livadia

 

O supremo tribunal da Rússia reabilitou formalmente o último czar, Nicolau II, declarando que o assassinato do monarca e da sua família em Ekaterinburgo, em 1918, representou uma acção ilegal das autoridades soviéticas.

O tribunal decidiu "reabilitar" a memória de Nicolau II e declarou que a família imperial "foi vitima da repressão bolchevique".

Em 2000, a família de Nicolau II foi canonizada pela Igreja Ortodoxa, que considerou mártires (um errozinho, não foram mártires, mas sim Portadores da Paz) os seus membros assassinados.

O regicidio é ainda hoje politicamente sensivel, dada a popularidade do czar na Rússia contemporânea.

 

Nicolau II com os filhos no iate imperial

Numa decisão anterior, agora anulada, o tribunal decidira que não era possivel reabilitar a família Romanov, pois não havia um veredicto a condená-la.

A decisão de ontem foi bem recebida pelos vários ramos sobreviventes da família imperial russa, nomeadamente pela Grã-Duquesa Maria Vladimirovna, que reivindica a herança do trono. Esta aristocrata reside em Madrid, mas um seu porta-voz comunicou a "satisfação" da grã-duquesa, que afirma "não ter intenção" de pedir a restituição dos bens dos Romanov confiscados pelo Estado.

Outro ramo da família, em conflito com a primeira, salientou por seu turno que a decisão da justiça russa permitirá reabilitar outras vitimas do poder soviético.

 

Nicolau II com a esposa Alexandra Feodorovna no parque do Palácio de Alexandre em 1909

A decisão foi apenas contestada pelo partido comunista. "Não foram os bolcheviques que mataram o czar e a sua família, mas todo o povo trabalhador russo", disse um dirigente do partido, Ivan Melnikov, citado pela AFP.

O czar Nicolau II, a imperatriza Alexandra e os seus cinco filhos foram assassinados, na companhia de alguns dos seus criados, por um grupo de soldados bolcheviques, durante a guerra civil russa. O fuzilamento ocurreu na cave de uma casa, em Ekaterinburgo, nos Urais, em Julho de 1918, poucos meses depois do início da Revolução Russa.

Os bolcheviques saíram vitoriosos da guerra civil e os corpos dos Romanov só foram encontrados mais tarde, em 1990. (outro errozinho... 1991)

 

in: Diário de Notícias (2 de Outubro de 2008)

 

Nicolau II na varanda do Palácio de Alexandre

 

Video:

 

 

http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={4F3F1051-8CED-45EA-9728-41F805E5CA37}

 

 

Para saber mais sobre o conflito entre os dois ramos da família Romanov na actualidade clique aqui.


publicado por tuga9890 às 14:31
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Documentário - La Mort des Romanov

Um documentário francês sobre a vida dos Romanov e a possível sobrevivência de Anastásia que inclui um debate com especialistas no assunto:

 

 
La mort des Romanov 1
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La mort des Romanov 2
Enviado por apocalyptique00

La mort des Romanov 3
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La mort des Romanov 4
Enviado por apocalyptique00

publicado por tuga9890 às 21:41
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Filme - Rasputin And The Empress (1932)

 

Em 1913, enquanto os Romanov festejam os seus 300 anos de reinado na Rússia, o Grão-Duque Sergei é assassinado nas ruas de São Petersburgo. A sua filha, a única sobrinha do Czar Nicolau II, passa a viver com a família que, apenas 3 meses depois da celebração tem de lidar com uma nova crise de Hemofilia. Natasha, a sobrinha, sugere então que a Imperatriz consulte um "homem santo" que, com a ajuda de Deus, ajudará a curar o seu único filho da doença mortal. No entanto as intenções de Rasputine são tudo menos santas quando ele começa a conspirar contra a família e a seduzir a filha e a sobrinha do Imperador.

 

 

Este filme foi um dos primeiros a ser produzido sobre os Romanov e estreou menos de 20 anos depois da sua morte, o que fez com que muita da informação hoje conhecida ainda estivesse escondida nos arquivos soviéticos. O filme em si é tipicamente "hollywoodesco" com morte, traição, amor e lutas e não é, definitivamente, algo que se recomende a alguém que procure rigor histórico.


O Grão-Duque Sergei foi assassinado em 1905, não em 1913 e, casado com a Grã-Duquesa Isabel Feodorovna, não deixou filhos, logo a personagem de Natasha é pura ficção. Mesmo assim, a verdadeira sobrinha do Czar, Irina Alexandrovna, casada com Felix Yussupov (um dos assassinos de Rasputine) processou a MGM por ter fabricado o seu romance com o monge. O processo foi ganho e a quantia daí recebida foi suficiente para o casal e a única filha viverem uma vida abastada até à sua morte.


No filme Rasputine também seduz a terceira filha do Czar, Maria, mas na verdade não existem registos que provem que ele fosse mais do que um amigo para as filhas do Czar, para além de Nicolau II e mesmo Alexandra, nunca permitirem que o monge fosse deixado sozinho com elas.

 

Imagens:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vídeo:

 

Com:

 

Lionel Barrymore - Rasputine

Ralph Morgan - Nicolau II

Ethal Barrymore - Czarina Alexandra

John Barrymore - Príncipe Paulo

Tad Alexander - Alexis

Diana Wynyard - Natasha

Jean Parker - Maria

Dawn O'Day - Anastasia

C. Henry Gordon - Grão-Duque Igor

Edward Arnold - Doutor Remezov


publicado por tuga9890 às 11:14
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Biografia - Isabel Feodorovna

 

 

A Grã-Duquesa Isabel Feodorovna da Rússia nasceu no dia 1 de Novembro de 1864 em Hesse-Darmstadt, Alemanha e era esposa do Grão-Duque Sergei Alexandrovich, quinto filho do Czar Alexandre II. Era conhecida por “Ella” pela família e amigos e era a irmã 8 anos mais velha da Czarina Alexandra Feodorovna, esposa do Czar Nicolau II. Isabel tornou-se famosa na sociedade russa pela sua beleza, charme e trabalhos de caridade entre os pobres.


Isabel (esquerda) com os pais e a irmã Vitória

 

Em Novembro de 1864, a Princesa Alice de Hesse escreveu uma carta à sua mãe, a rainha Vitória do Reino Unido, onde lhe contava que ela e o seu marido tinham decidido chamar a sua segunda filha, nascida no primeiro dia desse mês, de Isabel em honra da Santa mais amada e venerada no pequeno ducado de Darmstadt. “Esqueci-me de te dizer,” escreveu ela mais tarde numa outra carta, “em resposta à tua carta sobre o nome da Ella que ela deve ser chamada de Isabel. Apenas ‘entre-nous’ a tratamos por Ella.” Nos meses que se seguiram as suas cartas para a mãe enchiam-se de pormenores sobre a doçura da nova bebé, dos seus olhos azuis-escuros, do seu cabelo loiro, da sua alegria, a sua bondade e, ocasionalmente, das suas asneiras.

 

Isabel (esquerda) com as irmãs Vitória e Irene

 

Em Agosto de 1865, a Rainha Vitória foi até Darmstadt, em parte para assistir ao inicio da construção do novo Palácio da Princesa Alice e do seu marido e em parte para conhecer a sua nova neta. Sem se alarmar ou intimidar com o ar majestoso que rodeava a mulher baixa e forte, vestida com um longo vestido negro, a bebé sorriu-lhe e deixou que a sua avó lhe beijasse as bochechas sem qualquer protesto. “Ela é muito boa, a minha avó,” disse ela um pouco mais tarde e a Princesa Alice ficou, sem dúvida, aliviada, uma vez que a sua segunda filha tinha as suas próprias ideias e tinha-se revoltado com a sua outra avó, a Princesa Charles de Hesse lhe tinha tentado tocar. “É muito cansativo,” disse a Princesa Alice sobre o facto de a sua adorável filha não se conseguir comportar com pessoas desconhecidas.

 

Mas quando no Verão de 1865 a sua mãe a levou a visitar Heilligenberg e a sua tia-avó Maria Feodorovna (esposa do Czar Alexandre II)pegou nela ao colo, a pequena criança ficou encantada e colocou os seus braços à volta do seu pescoço, colando a sua cara aquela que era a fria Czarina da Rússia e que encontrou na sua adorável sobrinha-neta um refúgio para os seus dias de solidão no Palácio de Alexandre. Foi durante esta visita que Isabel brincou pela primeira vez com aquele que seria o seu futuro marido, o Grão-Duque Sergei Alexandrovich.

 

Isabel durante a infância

 

Apesar de descender de uma das mais antigas e mais poderosas famílias nobres da Alemanha, Isabel e a sua família tinham uma vida bastante modesta quando comparada com os padrões reais. As crianças varriam o chão e arrumavam os seus próprios quartos enquanto a sua mãe confeccionava as suas roupas e as dos filhos. Durante a Guerra Austro-Prussiana, era frequente a Princesa Alice levar Isabel consigo quando visitava soldados feridos num hospital próximo. No meio deste ambiente relativamente feliz e seguro, Isabel cresceu rodeada de hábitos domésticos ingleses e o Inglês tornou-se na sua língua principal, assim como a dos seus irmãos. As crianças falavam Inglês com a mãe e Alemão com o pai.

 

Ella (sentada com a irmã Mae nos braços) com os seus irmãos Irene, Ernesto, Alice (Alexandra da Rússia) e Vitória

 

No Outono de 1878, quando Isabel tinha 14 anos, a Difteria abalou a casa Hesse matando a sua irmã mais nova, Maria (conhecida na família por Mae) no dia 16 de Novembro desse ano. Isabel foi a única dos irmãos que não apanhou a doença e foi enviada para a casa dos avós paternos para não ser afectada. Enquanto lá estava, no dia 14 de Dezembro, a sua mãe sucumbiu à doença depois de cuidar de todos os filhos durante essas semanas. Quando Isabel foi autorizada a regressar à sua casa, descreveu a reunião como “terrivelmente triste” e disse que tudo parecia “um pesadelo horrível”.

 

Isabel (em pé na direita) com as irmãs puco depois da morte da mãe

 

Durante a sua juventude, Isabel era sedutora e tinha uma personalidade muito aberta. Muitos historiadores consideram-na uma das mulheres mais bonitas da Europa nesta altura. Foi durante esta época que ela chamou a atenção do seu primo mais velho, o futuro kaiser Guilherme II da Alemanha. Ele estudava na Universidade de Bonn e não era raro visitar os seus parentes de Hesse aos fins-de-semana. Durante estas visitas ele apaixonou-se por Isabel e escreveu-lhe numerosos poemas de amor que lhe enviava. Embora se sentisse elogiada pela atenção que recebia por parte do primo, Isabel não se sentia atraída por Guilherme e rejeitou-o educadamente. O futuro kaiser ficou frustrado e decidiu desistir da Universidade para voltar a Berlim.

 

Isabel durante a juventude

 

Além de Guilherme II, Isabel tinha muitos admiradores, entre os quais o Lord Charles Montagu, Segundo filho do 7º Duque de Manchester e Henry Wilson que se tornaria num famoso soldado.

 

Outro dos seus admiradores era o futuro Frederico II, Grão-Duque de Baden e primo de Guilherme. A Rainha Vitória descrevia-o como “tão bom e estável”, com “uma posição tão segura e feliz” e quando Isabel o rejeitou, a Rainha “arrependeu-se de o ter dito.” A avó de Frederico, a Imperatriz Augusta, ficou tão furiosa com a rejeição de Isabel que passou muito tempo sem a conseguir perdoar.

 

 

Ella em 1883

 

Eventualmente foi um Grão-Duque russo que conquistou o coração de Isabel. A tia-avó de Isabel, nascida em Hesse, era uma visita frequente no condado e, durante as suas visitas, era sempre acompanhada pelos seus filhos mais novos, Sergei e Paulo. Isabel conhecia os dois irmãos desde bebé, mas achava-os demasiado arrogantes e reservados. Sergei, particularmente, era um jovem calado, muito religioso e apaixonou-se por Isabel quando a viu pela primeira vez depois de muitos anos. Mais tarde ele pediu-lhe para casar com ele, mas, a principio, Isabel não se sentia apaixonada por ele.

 

A opinião da Princesa mudou quando Sergei perdeu os seus pais no mesmo ano. Maria Feodorovna de Hesse morreu de doença e Alexandre II foi morto num atentado à bomba em São Petersburgo quando se encontrava a caminho de uma reunião que tornaria a Rússia numa monarquia constitucional.

 

Ella com Sergei

 

O Grão-Duque encontrava-se em Roma quando o seu pai foi assassinado e, por isso, foi-lhe poupada a visão do seu corpo mutilado. Sergei admirava o seu pai e a sua morte fez com que se tornasse num selvagem anti-revolucionário que não escondia o ódio que sentia pelas pessoas que tinham ignorado os esforços de Alexandre II em liberalizar o país. A morte da sua mãe foi também difícil uma vez que ambos eram devotos um ao outro. Estes eventos mudaram-no e Isabel passou a vê-lo “com outros olhos”, uma vez que compreendia a dor pela qual ele passava depois de ter perdido a sua própria mãe. Outras parecenças como a arte e a religião aproximaram-nos cada vez mais. Há quem diga que ele gostava particularmente da sua personalidade que o fazia recordar a sua adorada mãe. Por isso, quando Sergei voltou a pedir a mão de Isabel em casamento no casamento da sua irmã com o Principe Louis de Battenberg, ela aceitou e ambos tiveram autorização do pai dela para se casarem. A Rainha Vitória não ficou particularmente encantada com a união.

 

Isabel e Sergei em 1892

 

O noivado da Princesa Isabel foi curto, uma vez que Sergei queria que o casamento se realizasse o mais rapidamente possivel e, apesar do pai dela não aceitar completamente a sua pressa, foi forçado a lidar com ela quando em Junho de 1884 chegou a São Petersburgo com Isabel e as suas duas irmãs mais novas Irene e Alice.

A Rússia, com a sua vastidão, a sua atmosfera estranha e inexplicável, surpreendeu as duas princesas mais velhas que, à excepção da Inglaterra, tinham visto muito pouco do mundo. As enormes praças e largas ruas de São Petersburgo, o Neva, maior do que qualquer rio inglês ou alemão, as cúpulas e espirais douradas das catedrais, a grandeza do Palácio de Inverno e a graciosidade da alta sociedade eram tão únicos e inesperados que elas se sentiram desorientadas e confusas, incapazes de se acostumarem ao ambiente estranho e pouco familiar que as rodeava.Elas sentiam-se intimidadas pelas multidões de criados e damas-de-companhia que as rodeavam sem descanço, pelos conselheiros da Corte que davam diferentes instruções e, acima de tudo, pelo irmão de Sergei, o Czar Alexanre III. O imperador era alto, tinha ombros largos, uma voz alta e mãos que conseguiam endireitar uma ferradura sem grande esforço. Apenas Alice que tinha apenas 12 anos na altura parecia não ter nenhuma apreensão. Ela não via nada de assustador, apenas “os corredores vastos e inspiradores do Palácio de Inverno com os seus quilómetros de chão dourado” e passou a maior parte do tempo a jogar às escondidas entre os pilares com o filho mais velho de Alexandre III que era, normalmente, tímido e indiferente com estranhos, mas achava aquela menina com os seus caracóis loiros uma companhia encantadora e com quem se sentia perfeitamente relaxado.

 

Isabel (2ª da direita) e as irmãs pouco antes do noivado

 

O Grão-Duque de Hesse não tinha permitido que a sua filha mudasse de religião antes do casamento, por isso houve uma cerimónia Luterana e uma Ortodoxa. Quando finalmente ambas as cerimónias acabaram e uma Isabel pálida teve de se despedir do seu pai e das irmãs, sentiu-se que ela estava aterrorizada com a perspectiva de ser forçada a viver uma nova vida num país desconhecido, rodeada de estranhos, novas ligações e com um marido que, no fundo, mal conhecia.

 

"Ella" no dia do casamento

 

Não existe nada que mostre se a nova Grã-Duquesa se sentia infeliz. Se sofria, fazia-o em silêncio, sem se queixar uma única vez. No entanto o sentimento geral na sociedade de São Petersburgo era de simpatia para com aquela jovem ingénua que se tinha casado com um homem conhecido pela sua rudeza e que se dizia esconder uma vida de imoralidade viciosa. Até a Rainha Maria da Roménia que, em criança, adorava o seu tio Sergei, confessou que ele sempre tinha sido um pouco assustador e que os seus olhos eram cinzentos e frios, os lábios finos e tinha sempre uma expressão dura.

Sergei era considerado um homem bonito, sempre vestido no seu uniforme verde-escuro que lhe dava um aspecto de respeito e conservadorismo. As pessoas que o conheciam diziam que sempre que estavam ao pé dele sentiam sempre que, por detrás da sua expressão controlada, havia uma camada secreta de raiva e frustração.Ele adorava a sua mulher, venerava a sua beleza e cobria-a de presentes como as mais caras jóias e peles, mas era frequente ele censurar o comportamento dela em público se ela se esquecesse das suas instruções ou cometesse o que ele considerava ser uma falta nas regras de etiqueta.

 

Sergei e Ella

 

Ninguém que via a Grã-Duquesa Isabel naqueles dias se esquecia dela. “Ela era a criatura mais bela de Deus que eu alguma vez vi”, escreveu um escritor contemporâneo. No entanto, embora se tivessem deixado levar pela sua beleza e apesar de ela ser jovem, alegre e uma pessoa que gostava de desfilar as jóias e roupas que o seu marido lhe oferecia, nunca houve nenhum escândalo ligado ao seu nome.

 

Ella em 1889

 

A Grã-Duquesa Isabel converteu-se à Igreja Ortodoxa apenas dois anos depois do casamento, muito contra a vontade do seu pai. Quando o Grão-Duque de Hesse soube que o Czarevich Nicolau se tinha apaixonado pela sua filha mais nova, a Princesa Alice, ele recusou-se a permitir que outra filha sua abdicasse da sua fé luterana. A Rainha Vitória também não aprovava estas mudanças de religião e não gostava particularmente da ideia de ver a sua neta favorita noiva do herdeiro ao trono russo. Ela tinha-o achado charmoso, simples e natural quando ele visitara Windsor, mas ao mesmo tempo tinha ficado com a sensação de que ele tinha falta de estabilidade e não conseguia tomar decisões por si mesmo. O Imperador e a Imperatriz partilhavam a sua apreenção, mas por razões completamente diferentes, A Princesa Alice não tinha ficado muito bem vista quando visitara São Petersburgo. Alexandre III achou-a uma alemã típica e Maria Feodorovna ficou incomodada com a sua apatia, além disso ela queria ver o seu filho casado com a filha do conde de Paris e não via como aquela pequena Princesa de Hesse com um feitio tímido e quase hostil poderia ser uma boa esposa.

Isabel com o seu sobrinho Nicolau durante uma peça de teatro

 

Tal como o seu avô, Alexandre II, o Czarevich estava determinado a conseguir aquilo que queria. “O meu sonho é casar-me com a Alice de Hesse”, escreveu ele no seu diário no dia 21 de Dezembro de 1889.

 

Isabel teve uma grande responsabilidade para com a relação do seu sobrinho com a sua irmã. Foi ela que incentivou o amor entre ambos e convenceu a Rainha Vitória (que queria casar Alice com o seu neto Alberto) a aceitar uma possível união entre a sua neta favorita e o Czarevich da Rússia.

 

 

Finalmente em Abril de 1894, o Imperador, que já começava a ceder, deu a sua permissão para que houvesse noivado e o seu filho correu até Coburg onde se realizaria o casamento do irmão de Isabel e Alice, Ernesto, com a Princesa Vitória Melita, filha do duque de Edimburgo. Nicolau pediu Alice em casamento, mas como esposa do Czarevich e herdeiro ao trono, a Princesa sabia que teria de mudar de religião e, a principio, não conseguiu decidir-se se aceitaria o pedido ou não. “A pobrezinha chorou muito,” escreveu Nicolau no seu diário onde descreveu a conversa que teve com ela que se prolongou até à meia-noite. No dia 8 de Abril, no entanto, chegou “um dia lindo e inesquecível” quando o jovem casal foi até ao quarto da Rainha Vitória de mão dada para lhe comunicar que tinham chegado a um acordo. “Fiquei bastante surpreendida”, escreveu a Rainha Vitória no seu diário, “Pensava que, por muito que o Nicky quisesse ir em frente com isto, a Alice não se iria decidir.”

 

O casamento realizou-se em Novembro e Alexandra foi coroada Czarina juntamente com Nicolau que passou a ser o Czar de Todas as Rússias.

Isabel (direita) com a irmã Alexandra e o cunhado Nicolau

 

 

Em 1891, Isabel e Sergei que não tinham filhos practicamente adoptaram os seus sobrinhos Maria e Dmitri Pavlovich, filhos do irmão de Sergei, Paulo. A mãe das crianças tinha caído quando tentava saltar para um barco em andamento e estava grávida de Dmitri. O bebé nasceu prematuro e a mãe morreu poucas horas depois. O pai ficou em estado de choque com a morte da esposa e aceitou de bom grado a ajuda do irmão e da cunhada. Muitos não acreditavam que o bebé fosse sobreviver, mas Sergei ajudou-o, dando-lhe os banhos prescritos pelos médicos, cobrindo-o com mantas de algodão e enchendo o seu berço com garrafas de água quente para manter a temperatura do bebé regular. “Estou a gostar muito de tomar conta do Dmitri,” escreveu Sergei no seu diário. Mais tarde Dmitri seria um dos assassinos de Rasputine, juntamente com o Príncipe Felix Yussopov.

Nesse ano Sergei foi também nomeado Governador de Moscovo e a família mudou-se para a nova cidade.

 

Ella com Dmitri ainda criança

 

O Jubilo de Diamante da Rainha Vitória em 1897 reuniu novamente a grande família em Londres. Seria a última vez que muitos dos seus netos e bisnetos veriam a pequena e velha mulher que durante muitos anos tinha sido o centro pelo qual as suas vidas dependiam para todo o tipo de decisões. Todos os convidados trouxeram presentes que incluíram uma corrente de diamantes das suas filhas mais novas, um alfinete de diamante do Príncipe e da Princesa de Gales, um pendente de diamantes e safiras do Grão-Duque Sergei e da Grã-Duquesa Isabel entre outros. A Rainha gostou de ver a sua família e de ser recebida festivamente pelos seus súbditos quando desfilou numa carruagem pelas ruas de Londres, no entanto esteve muito cansada durante os banquetes e cerimónias que se seguiram e começou a sentir-se ansiosa quando não reconheceu algumas das caras dos netos e bisnetos que falavam com ela. A rainha estava também preocupada com os problemas que afectavam a família na altura. O casamento do Grão-Duque de Hesse, Ernesto, com a filha do Duque de Edimburgo não estava a resultar, o Kaiser Guilherme II parecia cada vez mais zangado com a família por se sentir excluído e, quando o Imperador e a Imperatriz da Rússia a tinham visitado em Balmoral no ano anterior com a sua filha, ela achou que a “querida e simples Alicky” estava muito mudada e temia que a sua nova posição a estivesse a tornar demasiado imperial, o que a magoou muito.

 

No dia 28 de Junho, o Grão-Duque Sergei e a esposa despediram-se da Rainha Vitória para regressarem à Rússia. A Grã-Duquesa Isabel não conseguiu evitar as lágrimas, uma vez que sabia que aquela seria uma das últimas vezes que veria a sua avó que tinha mantido a família junta durante muitos anos e tinha sido a sua mãe substituta e, acima de tudo, uma grande amiga.

 

A desastrosa guerra Russo-Japonesa de 1904 trouxe uma tarefa à Grã-Duquesa que ela cumpriu de uma forma que deixaria orgulhosa a sua avó Vitória se ela fosse ainda viva. Como esposa do Governador de Moscovo, Isabel era líder das organizações da Cruz Vermelha da cidade. Ela enviou comboios-ambulância e equipamento para os soldados enquanto organizava salas de trabalho no Palácio do Kremlin e estava lá todos os dias a supervisor e dar motivação as centenas de mulheres de todos os estratos sociais que trabalhavam lá a empacotar material bélico, medicamentos, comida e roupa para os soldados na frente de combate. Vestia-se sempre de forma simples de azul ou cinzento, estava sempre lá de boa-vontade, tinha sempre um sorriso nos lábios ou um elogio para quem trabalhava, nunca perdia a paciência mesmo quando se cometiam erros e estava sempre pronta para executar os trabalhos mais difíceis.

 

Ella durante a Guerra Russo-Japonesa

 

No dia 4 de Fevereiro de 1905 quando Isabel estava a caminho dos seus quartos privados no palácio onde vivia com o marido e os sobrinhos, ouviu uma explosão que partiu todos os vidros da sua casa. Depois de muitos anos ela sabia que aquilo que temia (e o seu marido esperava) tinha acontecido. Durante muitos anos Sergei tinha-a proibido de andar na mesma carruagem dele e justificava-o dizendo que sabia do ódio que os habitantes de Moscovo sentiam por ele.

 

Sem esperar por alguém para perguntar o que tinha acontecido ou sequer vestir um casaco, Isabel desceu as escadas a correr até chegar ao dia frio de Inverno e seguiu um rasto de fumo e cheiro a pólvora que a levaram até à carruagem despedaçada do seu marido da qual apenas restavam os corpos mutilados dos cavalos. Quando chegou os guardas apressavam-se a cobrir o que restava do corpo do marido com os seus casacos.

 

Começaram a cair-lhe lágrimas e ela ajoelhou-se junto da mancha de sangue na neve, com a multidão a começar a reunir-se à sua volta, olhando horrorizada o macabro espectáculo enquanto a polícia e os soldados procuravam o assassino por entre as pessoas que se encontravam perto do palácio. Algumas horas antes ele tinha saído de casa com uma expressão preocupada, mas a assegurar-lhe que não havia nada com que se preocupar. Embora não tivessem um casamento perfeito, ele era o seu marido que sempre a tinha ajudado a adaptar-se à vida na Rússia e a tratava bem. Ele estava consciente do perigo que corria, mas mesmo assim nunca abandonou as suas responsabilidades e deu o seu melhor no cargo que ocupava. Contudo a sua austeridade quase fanática e a sua crueldade vingativa em certas ocasiões tinham feito com que ganhasse muitos inimigos. Ele era um anti-revolucionário e um autocrata quase tirano, mas ela estava casada com ele há vinte anos e era das únicas que conhecia toda a sua personalidade.

 

Quadro de Isabel

 

Nessa tarde, apesar da sua dor pessoal, Isabel visitou o cocheiro da carruagem do marido que estava gravemente ferido. Ele olhou-a nos olhos e perguntou, “Como está o seu marido?” Muito gentilmente a cara dela recompôs-se e respondeu, “Foi ele que me enviou para o ver” e ficou sentada na cama dele até o cocheiro morrer. Ela implorou a Nicolau para que não matasse o assassino, mas a sua petição foi recusada e ela foi visitar o homem à prisão. Ela tratou-a com desprezo e mantinha-se teimosamente cínico. Não se mostrou arrependido pelo que tinha feito e orgulhava-se da sua acção dizendo que tinha destruído um homem que era um inimigo do povo.

 

A partir desse dia, Isabel nunca mais comeu carne nem peixe. Quando chegou a casa dividiu as jóias que o seu marido lhe tinha oferecido em três e deu algumas aos seus sobrinhos Maria e Dmitri Pavlovich, devolveu as jóias da coroa e vendeu o resto. O dinheiro que ganhou das jóias foi para a caridade e para o Convento de Maria e Marta em Moscovo que passou a visitar com muita frequência, sempre de luto.

 

 

A alta sociedade de São Petersburgo nunca mais a voltou a ver. Só muito raramente Isabel visitava a irmã e a família em Czarskoe Selo e, em 1910, decidiu juntar-se definitivamente à Irmandade de Marta e Maria, doando todas as roupas e pedaços de joalharia que ainda lhe restavam. Não ficou nada, nem sequer com a aliança de casamento. “Este véu,” disse o Bispo Triphonius quando ela entrou no Convento, “vai-te esconder do mundo, e o mundo vai estar escondido de ti, mas vai ser uma testemunha dos teus bons trabalhos que irão brilhar perante Deus e glorificar o Senhor.” A sua nova vida era passada nos quartos pequenos do Convento, apenas mobilados com cadeiras brancas. Ela dormia numa cama de madeira sem colchão e com uma almofada dura. Queria sempre as tarefas mais difíceis, chegando a cuidar de 15 doentes na ala hospitalar sozinha e raramente dormia mais de três horas. Quando um paciente morria, ela passava a noite inteira junto dele (de acordo com a fé Ortodoxa) a rezar intermitentemente sobre o corpo morto.

 

Quando ela se tornou freira, a sua sobrinha Maria Pavlovna casou-se e o sobrinho Dmitri passou a viver com o Czar e a sua família.

 

Isabel como freira

 

Apesar de tudo, ela nunca se tornou rígida, severa ou deprimida e até manteve algum do seu divertimento que a tinha tornado encantadora quando jovem. Uma vez quando a sua irmã, a Princesa Vitória, estava no convento de visita com a sua segunda filha, a Princesa Louise, a porta do quarto delas abriu-se de manhã cedo e uma pequena cabeça espreitou a rir-se e a dizer “Olá”. Abismada, Vitória pensou tratar-se de um rapaz mal-educado que tinha conseguido entrar no convento e estava a invadir o seu quarto, mas depressa percebeu aliviada que se tratava da sua irmã mais nova, sem o seu véu e com o cabelo curto.

Depois de entrar no convento, Isabel apenas visitou São Petersburgo em duas ocasiões: quando se celebraram os 300 anos de poder dos Romanov em 1913 e quando rebentou a Primeira Guerra Mundial em 1914 onde ajudou a sua irmã com os planos de ajuda a soldados feridos.

 

"Ella" com a família imperial

Durante muitos anos, as instituições apoiadas por Isabel ajudaram os pobres e os órfãos de Moscovo. Ela e outras freiras da sua irmandade trabalhavam com os pobres todos os dias e foram responsáveis pela abertura de discussão sobre a possibilidade de permitir o acesso de mulheres a posições de maior importância dentro da igreja. A Igreja Ortodoxa recusou esta ideia, mas abençoou e encorajou os esforços de Isabel para com os pobres.

 

Em 1917 rebentou a revolução e, as ligações de Isabel à família imperial causaram-lhe muitos problemas.

 

 

 

Na Primavera de 1918, Lenine ordenou à Cheka que prendesse Isabel. Mais tarde ela seria exilada, primeiro em Perm e depois em Ekaterinburgo onde também se encontrava a sua irmã Alexandra e a sua família, mas nenhuma das duas sabia da presença da outra na cidade. Mais tarde ela iria juntar-se a outros membros da família Romanov como o Grão-Duque Sergei Mikhailovich, o Príncipe João Constantinovich, o Grão-Duque Constantino Constantinovich, o Grão-Duque Igor Constantinovich e Vladimir Pavlovich Paley. Com os membros da família vieram o secretário de Sergei, Feodor Remez e Varvara Yakovlena, uma freira da irmandade de Isabel. Todos eles foram levados para Alapaevsk no dia 20 de Maio de 1918 onde foram presos na antiga Escola Napolnaya nos arredores da cidade.

 

 Isabel com a irmã Vitória em 1916

 

Ao meio-dia do dia 17 de Julho, o Oficial da Checa, Petr Startsev e alguns trabalhadores bolcheviques chegaram à escola. Tiraram aos prisioneiros todo o dinheiro e valores que tinham e anunciaram-lhes que seriam transferidos nessa mesma noite para uma fábrica em Siniachikhensky. Os guardas do Exercito Vermelho receberam ordens para abandonar o local e foram substituídos por homens da Checa. Nessa noite os prisioneiros foram acordados e levados em carros numa estrada para Siniachikha. A cerca de 18 quilómetros de Alapaevsk havia uma mina abandonada com 20 metros de profundidade. Foi aqui que pararam. Os homens da Checa espancaram todos os prisioneiros antes de os atirar para a mina. Ainda antes de ser atirado, o Grão-Duque Sergei Mikhailovich foi morto a tiro por contestar e tentar espancar os guardas. Isabel foi a primeira a ser atirada. Apesar da profundidade apenas Feodor Remez morreu imediatamente.

 

De acordo com o testemunho de um dos assassinos, Isabel e os outros prisioneiros sobreviveram à queda na mina, o que levou o comandante a atirar as granadas. Depois das explosões, ele disse ter ouvido Isabel e os outros cantarem um hino russo do fundo da mina. Enervado, o comandante atirou uma nova rajada de granadas, mas continuou a ouvir-se os prisioneiros cantar. Finalmente foi atirada uma grande quantidade de arbustos para tapar a mina e o comandante deixou um guarda a vigiar o local antes de partir.

 

 

Na manhã de 18 de Julho de 1918, o chefe da Checa de Alapaevsk trocou uma série de telegramas com o chefe do Soviete Regional de Ekaterinburgo que tinha estado envolvido no massacre da família imperial. Estes telegramas tinham sido planeados com antecedência e diziam que a escola tinha sido atacada por um “gang desconhecido”. Pouco tempo depois Alapaevsk caiu nas mãos do Exército Branco.

 

No dia 8 de Outubro de 1918, os Brancos descobriram os restos mortais de Isabel e dos seus companheiros dentro da mina onde tinham sido assassinados. Isabel tinha morrido devido a ferimentos resultantes da sua queda de vinte metros, mas tinha ainda encontrado forças para fazer uma ligadura na cabeça do Príncipe Ioann. Os seus restos mortais foram retirados da mina e levados para Jerusalém onde estariam longe das mãos dos bolcheviques. Até hoje continuam enterrados na Igreja de Maria Madalena.

 

 

Isabel foi canonizada pela Igreja Ortodoxa For a da Rússia em 1981 e pela Igreja Ortodoxa Russa em 1992 como Nova Mártir Isabel. Os principais templos que lhe são dedicados são o Convento de Marfo-Mariinsky que ela fundou em Moscovo e o Convento de Santa Maria Madalena no Monte das Oliveiras, que ela e o marido ajudaram a construir. Era é uma das mártires do século XX que está representada numa das estátuas acima da Grande Porta Oeste na Abadia de Westminster em Londres, Inglaterra.

Outra estátua de Isabel foi construída após a queda do Comunismo no jardim do seu convento em Moscovo. Na inscrição pode ler-se “À Grã-Duquesa Isabel Feodorovna: Com arrependimento.”

 

Estátua de Isabel no Convento de Maria e Marta em Moscovo

 

Isabel Feodorovna foi assassinada por bolcheviques no dia 17 de Julho de 1918 quando tinha 54 anos


publicado por tuga9890 às 14:54
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Biografia - Olga Alexandrovna

 

A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna da Rússia nasceu no dia 13 de Junho de 1882 e foi a última Grã-Duquesa da Rússia Imperial durante o reinado do seu irmão mais velho, Nicolau II. O seu pai era o Czar Alexandre III da Rússia e a sua mãe era filha do rei Cristiano IX da Dinamarca, Maria Feodorovna. Criada no Palácio de Gatchina nos arredores de São Petersburgo, a jovem Grã-Duquesa era mais próxima do seu irmão “Misha”, o Grão-Duque Miguel Alexandrovich. Era uma talentosa pintora e criou mais de 2000 quadros.

 

Olga (no colo da mãe) com os irmãos

 

Nascida no dia 13 de Junho de 1882 no Palácio de Peterhof, Olga era a filha mais nova de Alexandre III e a única a nascer durante o seu reinado. A sua mãe, seguindo o conselho da sua irmã, a futura rainha Alexandra do Reino Unido, decidiu contratar uma governanta inglesa e então Elizabeth Franklin chegou à Rússia. Sobre ela, Olga disse mais tarde:


“A Nana foi a minha protectora e conselheira durante a infância e a minha leal companheira nos anos que se seguiram. Não faço ideia do que teria feito sem ela. Tudo o que ela fez por mim permitiu-me sobreviver durante o caos dos anos de revolução. Ela era eficaz, corajosa e perspicaz; estava lá para ser a minha ama, mas a sua influência chegou até aos meus irmãos e irmã.”

 

Olga durante a infância

 

A Grã-Duquesa foi criada longe do perigo de São Petersburgo, no Palácio de Gatchina e sempre se referiu aos seus tempos de infância como os melhores da sua vida. Contudo, Olga Alexandrovna e os seus irmãos não estavam habituados a um estilo de vida demasiado sumptuoso durante os seus anos de infância e juventude, uma vez que os seus pais, governantes e tutores lhes exigiam disciplina e rigidez.

 

Olga disse sobre Gatchina:

 

“Como nos divertimos lá! A Galeria Chinesa era perfeita para jogar às escondidas! Bastava encolher-nos atrás de um vaso chinês enorme qualquer. Havia tantos, alguns que tinham o dobro do nosso tamanho. Suponho que valiam imenso, mas não me lembro de algum de nós alguma vez os estragar.”

 

A avó paterna das crianças, Maria de Hesse e do Reno, tinha introduzido costumes ingleses na corte russa. Olga comentou:

 

“Crescemos todos com uma dieta rigorosa. Para o lanche tinhamos geleia no pão e manteiga e bolhachas inglesss – bolo era servido muito raramente. Gostávamos da forma como a nossa papa-de-aveia era cozinhada – a Nana deve-os ter ensinado a fazê-la. O nosso jantar de marca parecia ser bife com ervilhas e batatas assadas, ou então costeletas, mas nem a Nana me conseguiu fazer gostar delas, principalmente quando estavam demasiado assadas!

 

Havia pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia – todos servidos de acordo com as normas rigorosas do palácio e algumas nem sequer tinham mudado desde os tempos de Catarina, a Grande, como os pequenos bolos de manteiga suecos que eram servidos todas as noites durante a ceia. Eram do mesmo tipo daqueles servidos em 1788."


Olga Alexandrovna

Olga na Galeria Chinesa

 

O sistema educacional pelo qual a Grã-Duquesa e os seus irmãos foram educados era de grande exigência. Os tutores imperiais ensinavam as disciplinas principais como Russo, Literatura, Matemática, História e Línguas com grande profundidade. Embora todos os irmãos tivessem as suas aulas na mesma sala, a “sala das crianças”, o irmão mais velho de Olga, Nicolau, estava a ser ensinado a um nível superior. Nicolau estava a aprender outras disciplinas e matérias que lhe seriam mais úteis como futuro Czar. As actividades físicas como as equestres também começavam a ser ensinadas cedo, o que, eventualmente, tornou os jovens Romanov em cavaleiros experientes.


A jovem Grã-Duquesa passava as férias em Olgino, uma propriedade na província de Voronezh no Sudoeste da Rússia. Aí ela praticava e exemplificava a sua fé, a Igreja Ortodoxa Russa, criando ícones religiosos e abençoando os habitantes e edifícios da aldeia. Foi aí que ela pintou e desenhou muitos dos seus trabalhos originais que, mais tarde, vendeu aos seus amigos e vizinhos em Ontário no Canadá. Outras das actividades preferidas em Oligno eram cavalgar, montar e nadar. A Grã-Duquesa tinha uma forte relação com os habitantes da aldeia, mas essa relação foi-se tornando mais amarga à medida que aumentavam os descontentamentos que levaram à Revolução Russa.

 

Olga com os irmãos Jorge e Miguel durante as férias em Olgino

 

A Grã-Duquesa foi descrita como sendo muito simples e indiferente a pedras preciosas e jóias caras que continuam a ser consideradas uma imagem de marca dos Romanov. Mesmo assim, durante a sua vida, a mais jovem irmã do Czar acumulou uma colecção de pedras preciosas inestimável que foi, na sua maioria confiscada pelos revolucionários russos.

 

A sua infância foi muito feliz. O seu pai, Alexandre III, apoiava-se muito nela e no seu irmão Miguel que eram os mais novos dos cinco filhos e os que passavam mais tempo em casa devido às suas idades. Eles costumavam dar grandes passeios nas florestas que cercavam o Palácio de Gatchina nos quais Alexandre ensinou Olga e Miguel a fazer fogueiras e a escolher cogumelos. Estas caminhadas davam a Alexandre uma rara pausa nas suas responsabilidades como Imperador da Rússia e criaram uma ligação especial entre os três. Os dois irmãos guardaram boas recordações destes passeios que ambos preservaram durante as suas vidas e Olga sempre se referiu a estes momentos como os mais felizes da sua vida.

 

“O meu pai era tudo para mim. Mesmo quando estava imerso no seu trabalho, ele tirava sempre meia-hora do dia para estar connosco. Quando cresci, os meus privilégios aumentaram. Lembro-me do primeiro dia em que me deixou colocar o selo imperial num dos muitos envelopes que se espalhavam pela secretária dele. Era um selo pesado de ouro e cristal, mas senti-me muito orgulhosa e feliz nessa manhã. Eu ficava espantada com a quantidade de trabalho que o meu pai tinha todos os dias. Acho que o Czar era o homem que mais trabalhava na Terra. Para além das audiências e funções de estado, todos os dias ele tinha de analisar montanhas de editoriais, decretos de lei e relatórios que, depois, tinha de assinar. Muitas vezes o meu pai escrevia os seus comentários furiosos nas margens dos documentos: “Idiotas! Lerdos! Que besta que este é!…” Uma vez mostrou-me um album velho cheio de projectos de uma cidade imaginária chamada Mopsopolis, habitada por cães. Mostrou-me isto em segredo e eu fiquei encantada por ele ter partilhado o seu segredo de infância comigo.

 

(…)

 

O meu pai tinha a força de Hércules, mas nunca a mostrava quando outras pessoas estavam presentes. Costumava dizer-nos que conseguia dobrar ferraduras e pratos com muita facilidade, mas não se atrevia a fazê-lo porque a nossa mãe ficaria furiosa. No entanto, uma vez, quando estávamos no escritório, ele dobrou um limpador de cinzas feito de ferro e depois voltou a endireitá-lo. Lembro-me de que, enquanto o fazia, manteve sempre os olhos presos na porta para o caso de alguém entrar!”


Miguel Alexandrovich e Olga Alexandrovna Romanov

Miguel e Olga

 

Em finais de 1888, Olga deixou Gatchina pela primeira vez quando toda a família imperial foi visitar o Cáucaso. No dia 29 de Outubro o longo comboio imperial estava a viajar a grande velocidade para Kharkov na Ucrânia. Um dos passageiros recordou o que aconteceu:

 

“Por volta da uma da tarde o comboio estava a aproximar-se da cidade de Borki. O Imperador, a Imperatriz e quatro dos seus filhos estavam a almoçar no vagão-restaurante. Estavam a trazer o pudim quando o comboio começou a estremecer violentamente e, depois, estremeceu novamente e todos caíram ao chão. Dentro de um segundo ou dois, o vagão-restaurante estava revirado com o pesado tecto de ferro cravado a apenas alguns centímetros das cabeças dos passageiros. (…)

 

“A explosão tinha separado as rodas e o chão do resto do vagão. O Imperador foi o primeiro a rastejar de debaixo do tecto. Depois disso, segurou-o alto o suficiente para que  a sua mulher, filhos e outros passageiros pudessem sair em segurança. Foi um esforço verdadeiramente herculeano da parte do Alexandre e, apesar de ninguém se ter apercebido disso na altura, custou-lhe a sua saúde."

 

 

Olga (entre os pais) com a família

 

Alexandre III morreu quando Olga tinha apenas 12 anos. Ela ainda era uma criança e sofreu muito com a perda do pai. Assim que recuperou da morte prematura do marido, Maria Feodorovna viu-se num dilema para encontrar uma forma de compensar a falta de um pai durante as adolescências de Olga e Miguel. Naturalmente virou-se para o seu filho mais velho, o novo Imperador, para que fosse ele a assumir esse papel. Afinal agora era ele o “chefe” da família Romanov. Talvez Nicolau tivesse feito o melhor que podia, mas ele tinha as suas próprias preocupações e responsabilidade com o seu novo cargo, mulher e filha. Mesmo que tivesse tempo, não haveria hipótese de que Olga e Miguel tivessem visto o seu irmão mais velho como um substituto para o seu pai. Ele e Nicolau eram completamente diferentes em aspecto, humor e personalidade.

 

Olga com a mãe e o irmão Nicolau II

 

Maria era, até certo ponto, uma mãe fria e distante. Ela sabia-o e isso incomodava-a. A sua falta de afecto não significava que não gostasse dos filhos, muito pelo contrário: era uma questão de prioridades. O mais importante para Maria era cuidar do seu marido, a seguir estava o seu papel como Imperatriz da Rússia e o resto da família  vinha apenas depois disso. Isto devia-se ao facto de Maria se sentir um tanto desconfortável junto dos seus filhos. Ela achava difícil falar com eles e mantinha-os segregados no estilo de cida que tinha escolhido para eles. Maria via os seus filhos todos os dias, mas, ao contrário da sua irmã Alexandra, nunca teve lutas de almofadas com eles. O “habitat natural” dela era o mundo da aristocracia de São Petersburgo onde havia danças, entretenimento e conversas inteligentes. A Imperatriz brilhava na sociedade, movendo-se entre os seus círculos com uma facilidade inigualável. Apesar de ser baixa, ela movia-se de forma a que ninguém duvidasse da sua força e perseverança. Era uma mulher forte e até rígida. Maria estava habituada a ter tudo feito à sua maneira. Depois da morte do marido, isso tornou-se ainda mais evidente, uma vez que ninguém podia (ou se atrevia) a contrariar os seus desejos. Os criados achavam-na dura e difícil de servir.

 

Olga com a mãe e os irmãos Miguel e Jorge


Maria gostava de ter Olga ao pé de si e tratava-a cada vez mais como uma criada à medida que ela ia crescendo, ao mesmo tempo que esperava dela o amor e devoção de uma filha. Era natural que Olga, uma adolescente a crescer, preferisse a companhia da sua governanta, do cão e dos tutores à da sua mãe. Isto magoava Maria, mas encaixava-se com a sua inclinação de ter outras pessoas a educar a sua filha.

 

Olga com a sua governanta Elizabeth Franklin

 

A Grã-Duquesa começou a pintar muito cedo, mas foi apenas durante os seus últimos anos de adolescência que o seu talento começou a prosperar. Ela também tinha um lado benevolente, fundando programas de caridade na aldeia de Olgino que funcionavam junto à propriedade dos pais e ajudou a melhorar as opções básicas de medicina e educação dos habitantes locais. Também contribuía ou era dona de muitas organizações e estabelecimentos de caridade desde muito nova. Contribuía principalmente para orfanatos, casas da misericórdia e escolas de raparigas. Deu uma ajuda considerável aos artistas pobres, mas talentosos e alguns tornaram-se famosos graças a si.

 

Olga Alexandrovna

Olga durante a adolescência

 

O seu benefício na aldeia rural de Olgino inspirou muitas fundações que começaram os seus trabalhos de caridade por todo o Império Russo. Chegou mesmo a haver uma ocasião em que Olga substituiu a professora da escola de Olgino com dinheiro do seu próprio bolço, fundou e visitou o Hospital Nacional da aldeia e continuou a dar consideráveis contribuições às famílias mais pobres das regiões que cercavam a sua aldeia de férias. No hospital, ela aprendeu a administrar tratamento médico e a tratar de doentes do médico local. Através do seu treino na medicina mais tarde, ela conseguiu tornar-se numa enfermeira, uma capacidade que lhe seria muito útil mais tarde. A Grã-Duquesa continuou o seu apoio à Igreja Ortodoxa Russa e aos serviços religiosos realizados em Olgino. Mesmo quando estava de férias, Olga queria continuar a ter as suas lições diárias que eram, normalmente, completadas com aulas de desenho e pintura.

 

“Mesmo durante as minhas lições de geografia e aritmética, o professor deixava-me ficar sentada com o pincel na mão. Conseguia prestar muita mais atenção quando estava a desenhar flores selvagens num canto.”

 

Olga durante a adolescência (Nicolau II e Alexandra na direita)

 

Durante a sua vida, Olga criou uma vasta colecção de arte do seu tempo na Rússia, Dinamarca e, mais tarde, Canadá, que, eventualmente, reunia mais de 2000 exemplares. Na Rússia e na Dinamarca preferia desenhar coisas relacionadas com a Natureza como flores e paisagens. A Grã-Duquesa também descobriu que os seus quadros podiam ser uma boa fonte de rendimento e começou a vendê-los em Copenhaga, na Dinamarca. Olga também elogiava a paisagem da sua pequena vila no Canadá numa série de cartas que enviou para a sua amiga dinamarquesa, Alexandra Iskra:

“Tudo era maravilhoso, tudo cheirava muito bem. Na floresta cheirava mesmo como a Rússia com as bétulas e outros tipos de arvores a florescer. Depois, quando estávamos a passear de carro pelas casas e jardins de alguns amigos, vimo-los e depois saímos do carro. Que lindo jardim que temos! Lírios do vale, lilás e todos os tipos de cheiros de plantas no ar. Caminhamos pelos jardins que rodeiam a casa e do outro lado vimos uma ravina funda toda coberta de plantas. Conseguimos ver a paisagem até muito longe

 

 

 

Pinturas de Olga

 

Olga conhecia os Oldenburg, uma das famílias aristocráticas mais ricas da Rússia, há muitos anos. Eles tinham um filho, Peter que era um atraente oficial. Peter era bonito, sofisticado… e homossexual. Para o espanto de muitas pessoas, um dia ele pediu a Maria Feodorovna a mão da sua filha Olga em casamento. A razão pela qual Maria aceitou é desconhecida. Talvez quisesse manter Olga por perto e era melhor casar com um homossexual do que com um estrangeiro que a levaria para longe. Na carta que escreveu ao filho mais velho, Nicolau, a contar a novidade, Maria escreveu:

 

“Tenho a certeza que não vais acreditar no que acabou de acontecer. A Olga está noiva do Petya e ambos estão muito felizes. Eu consenti, mas foi tudo feito tão rapidamente e inesperadamente que ainda não consegui acreditar. Mas o Petya é simpático, eu gosto dele e, se Deus quiser, eles serão muito felizes.” Depois assinou a carta com “A tua agitada, Mamã”.

 

Nicolau respondeu à carta da mãe ainda mais incrédulo:

 

“Não posso acreditar que a Olga esteja realmente noiva do Petya. Provavelmente estavam os dois bêbados ontem e hoje não se lembram do que disseram um ao outro ontem. O que pensa o Misha disto? E como ficou a governanta? Nós os dois (Nicolau e Alexandra) rimo-nos tanto a ler a tua carta que ainda não conseguimos recuperar. O Petya acabou de entrar de rompante e contou-nos tudo. Agora temos mesmo de acreditar. Mas vamos acreditar que tudo corre bem. Tenho a certeza que vão ser felizes, mas parece-me tudo muito precipitado"

 

Olga Alexandrovna com o noivo na festa de noivado

 

Olga era completamente ingénua em relação a assuntos sexuais e provavelmente não fazia ideia do que era um homossexual. Ela não tinha razões para se opor à proposta. Afinal significava que ela finalmente poderia abandonar a casa da mãe e ter a sua própria vida com o marido a seu lado. Então casou-se com o Príncipe Peter Oldenburg numa bonita cerimónia recheada com o brilho Romanov que se realizou no dia 9 de Agosto de 1901, quando Olga tinha 19 anos. As prendas que receberam foram magníficas. O seu novo marido cobriu-a de pedras preciosas e roupas caras e o casal mudou-se para um complexo de palácios em Czarskoe Selo, perto do Palácio de Alexandre onde vivia o irmão mais velho de Olga, Nicolau, com a sua família. Para comemorar o seu casamento, o irmão de Olga deu-lhe o seu próprio regimento de soldados.

 

Olga (1º fila, 2º dir.) com a mãe,  a sobrinha Olga, Alexandra, a irmã Xenia, a sobrinha Irina e o irmão Nicolau


O marido de Olga era submisso e atencioso em público, mas reservado e distante em privado. O casamento nunca foi consumado. Estando perto do palácio do seu irmão e sendo muitas vezes ignorada pelo seu marido que passava a maior parte do tempo com os seus amigos, Olga tornou-se numa visita regular no Palácio de Alexandre e desenvolveu uma ligação com Nicolau muito mais próxima do que quando era uma criança. Também se tornou amiga da sua esposa Alexandra de quem gostava muito e vice-versa.

 

Olga com  o marido em 1901

 

Em 1903 ela conheceu o Coronel Nikolai Alexandrovich Kulikovsky através do seu adorado irmão Miguel, durante uma inspecção militar em Pavlovsk. Pouco tempo depois começou um romance entre o coronel e a Grã-Duquesa. Nesse mesmo ano, com 22 anos, ela enfrentou o seu marido e pediu-lhe o divórcio imediato. O seu irmão, o Czar Nicolau II, acreditou que a relação de Olga com Kulikovsky não passava de um romance passageiro e aceitou ceder o divórcio no prazo de 7 anos. Contudo, Oldenberg contratou o Coronel como seu ajudante e permitiu-lhe viver na mesma casa da Grã-Duquesa. Para aqueles que sabiam, a relação de Olga com Kulikovsky era mantida em segredo, especialmente para os patriarcas da família Romanov. Contudo, muitos membros influentes da família souberam da relação e não fizeram nada para mostrar a sua desaprovação.

 

Vivendo em Czarskoe Selo, Olga tornou-se também muito próxima das suas sobrinhas e sobrinho, as filhas e filho do seu irmão Nicolau. Ela criou uma ligação especialmente com a sua sobrinha mais nova, Anastásia, a quem chamava “Shvibzik"

 

Olga Alexandrovna com a sobrinha Anastásia

 

Olga viu as suas sobrinhas crescer desde bebés até jovens mulheres e, ao observar as suas vidas e rotinas no Palácio de Alexandre, viu muitas das mesmas tendências que a tinham deixado tão pouco preparada para a vida real. Ela preocupava-se com o futuro das grã-duquesas e do efeito que o clima sufocante da ala das crianças. Elas não tinham ninguém que as preparasse para a sociedade, uma vez que fora a mãe que as criara virtualmente sozinha. Como Alexandra se refugiava da sociedade, repelindo festas e bailas, Olga sentiu que era a única que poderia ter essa função. Com o objectivo de alargar o circulo de amigos das Grã-Duquesas e introduzi-las gradualmente no mundo real, Olga costumava levá-las todos os Sábados de Czarskoe Selo até São Petersburgo de comboio. Aí elas iam até ao palácio da avó onde se organizavam festas especiais para elas, com danças e outras pessoas jovens para elas conhecerem. Olga fazia isto com muito cuidado, sem alarmar os seus pais demasiado protectores. Ela era a única pessoa em quem Nicolau e Alexandra confiavam as suas filhas.

 

Com o rebentar da Primeira Guerra Mundial as festas acabaram.

 

Olga Alexandrovna com as sobrinhas Maria, Olga e Anastásia

 

Durante a Guerra, o amante de Olga, Kulikovsky, foi nomeado para comandar o regimento de Akhtyrsky na linha da frente do Sudoeste da Rússia. Com o conhecimento prévio  em medicina aprendido em Olgino, Olga começou a trabalhar como enfermeira no seu próprio regimento em Proskurov. Ao mesmo tempo as tenções internacionais na Rússia começaram a acumular-se à medida que os revolucionários ganhavam força. Durante o primeiro ano da guerra, a Grã-Duquesa esteve num local fortemente bombardeado por austríacos. Era raro as enfermeiras trabalharem tão perto da linha de fogo e, por isso, Olga recebeu a Ordem de São Jorge pelas suas acções heróicas.

 

Olga durante a Guerra

 

Em 1916, o Czar Nicolau II anulou oficialmente o casamento entre Olga e Peter Oldenburg, permitindo-lhe casar-se com o Coronel Nikolai Alexandrovich Kulikovsky no dia 14 de Novembro de 1916 na Igreja de São Nicolau em Kiev. Entre os que participaram no casamento estavam a sua mãe Maria Feodorovna, a sua irmã mais velha Xenia, o cunhado Alexandre, alguns oficiais do regimento de Kulikovsky e colegas enfermeiras do hospital de Kiev fundado pela Grã-Duquesa.

 

Olga com Nikolai Kulikovsky no dia de casamento

 

Depois da revolução que depôs o seu irmão Nicolau II no inicio de 1917, muitos dos membros da família Romanov foram presos e mantidos nas suas casas. Isto aconteceu com a família do irmão, primeiro no Palácio de Alexandre em Czarskoe Selo. Maria Feodorovna, a Grã-Duquesa Xenia e a Grã-Duquesa Olga conseguiram fugir para a Crimeia onde viveram durante algum tempo antes de também serem presas numa das suas casas.

 

 

Olga em Czarskoe Selo com o sobrinho Alexis e as sobrinhas Maria e Anastásia em 1914

No dia 12 de Agosto de 1917, Olga deu à luz o seu primeiro filho, Tikhon Nikolevich Kulkovsky que nasceu em prisão domiciliária durante o domínio do Governo Provisório na Rússia. Olga deu-lhe o nome do santo padroeiro de Oliginio, Tikhon de Zadonsk. Apesar de ser neto de um Imperador e sobrinho de outro, como o seu pai fazia parte do povo, o bebé não recebeu nenhum título e usou o apelido Kulikovsky com orgulho durante toda a sua vida, assim como o seu irmão mais novo Guri. Devido aos problemas de comunicação que a Rússia começou a sofrer e a censura oficial impelida aos Romanov, sabia-se pouco sobre o destino do destino de Nicolau e da sua família.

 

Olga com o seu filho Tikhon

 

Enquanto estavam na Crimeia, a família da Grã-Duquesa tinha sido condenada à morte pelos conselhos revolucionários de Sevastopol e Yalta. Durante a confusão política entre as duas fracções, o Poder Central da Alemanha avançou na Crimeia, mas quando chegaram em Novembro de 1918, os soldados souberam da derrota do seu país na guerra. Pouco depois da breve ocupação alemã, o Exército Branco de soldados leais ao czar, restaurou temporariamente a segurança na área, dando tempo à Grã-Duquesa e à família para fugir para o estrangeiro. O rei Jorge V enviou um navio de guerra britânico para retirar a sua tia, Maria Feodorovna, as suas primas e outros membros da família Romanov da instável Crimeia. Foi feito um acordo entre a antiga imperatriz e o rei Jorge V para permitir a evacuação de um grande número de cidadãos russos nesse navio. O bloqueio de comunicações que a família tinha sofrido na Crimeira levantou-se relativamente pelos marinheiros britânicos a bordo. Foi dada a notícia do assassinato confirmado de Nicolau II e das supostas mortes da restante família. O destino do  irmão e companheiro de infância de Olga, “Misha”, Grão-Duque Miguel Alexandrovich da Rússia, aquele que quase se tornou Imperador da Rússia, também era incerto. Na altura não se sabia que ele tinha sido assassinado pela Checa em Perm, na Rússia no dia 12 de Junho de 1918 para garantir que não sobravam descendentes Romanov para subir ao trono.

 

Olga e Miguel

 

A Grã-Duquesa Olga e o marido recusaram-se a abandonar a Rússia ao mesmo tempo que a restante família. Os dois decidiram ir para a região de Kuban, na altura ainda livre de bolcheviques e viveram na cidade de Novominskaya, a cidade natal do guarda-costas de Maria Feodorovna. Na Primavera de 1919, nasceu o Segundo filho do casal, Guri Nikolaevich, numa quinta alugada. O segundo filho do casal recebeu o nome de um grande amigo de Olga durante a Primeira Guerra Mundial, Gury Panayevich, um grande herói de batalha que tinha morrido em 1914 a defender o seu regimento.Pouco depois do nascimento do Segundo filho, os circulos internos do Exercito Branco abordaram a Grã-Duquesa com propostas para se declarar oficialmente como Imperatriz da Rússia. Olga recusou diplomaticamente a oferta. Sendo a última herdeira legitima ao trono russo, Olga tornou-se num alvo para o Exército Vermelho.

 

Olga Alexandrovna com o marido e os filhos em 1920

 

A família começou então aquela que seria a sua última viagem pela Rússia. Fugiram para Rostov-on-Don, refugiamdo-se na residência do Cônsul Dinamarquês, Thomas Nikolaevich Schtte, que os informou sobre a chegada segura deMaria Feodorovna à Dinamarca. Depos de uma breve estadia, a família foi para a ilha de Büyükada no estreito dos Dardanelos perto de Istambul, Turquia. Depois foram para Belgrado onde Olga foi visitada pelo regente Alexandre Karageorgevich que mais tarde seria o Rei Alexandre I da Jugoslávia. O regente recomendou que a Grã-Duquesa e a família vivessem permanentemente num dos estados reais do antigo Império Austro-Húngaro, mas a sua mãe pediu-lhe para se juntar a ela na Dinamarca. A Grã-Duquesa aceitou imediatamente e a família mudou-se novamente para a Dinamarca. A Dagmar Imperatriz Maria Feodorovna morreu no seu país natal no dia 13 de Outubro de 1928, 9 anos depois.

 

Olga Alexandrovna com os filhos

 

Com a morte da sua mãe, a casa de Hvidore foi vendida e Olga conseguiu comprara a quinta Knudsminde, a alguns quilómetros de Copenhaga com a sua parte da herança. A sua quinta tornou-se no centro dos monarquistas russos exilados na Dinamarca e um local de passagem de muitos emigrantes russos. Ela manteve sempre o contacto com soldados e oficiais do seu regimento, com a família imperial e com os seus primos da família real dinamarquesa. Ela começou a vender os seus próprios quadros que estiveram em esposição em Copenhaga, Londres, Paris e Berlim. Uma parte do rendimento que a Grã-Duquesa fazia com a pintura ia para varias instituições de caridade russas.

 

No dia 9 de Abril de 1940, a Dinamarca neutra foi invadida pela Alemanha Nazi e consequentemente tornou-se num país ocupado durante a Segunda Guerra Mundial. Os armazéns de comida, comunicações, censura e fecho de transportes resultaram num grande grupo de dinamarqueses pobres. Os seus filhos, Tikhon e Guri serviram no Exército Dinamarquês antes de a Dinamarca ser invadida e, por serem dois Romanov, foram presos num campo de concentração mais liberal.

 

Olga com os filhos durante a Segunda Guerra Mundial

 

A sorte dos Romanov mudou para melhor quando a Alemanha se rendeu aos Estados Unidos, Reino Unido e União Sovietica no dia 5 de Maio de 1945. Quando as condições económicas da Dinamarca se recusaram a melhorar, o General Pyotr Krasnov escreveu à Grã-Duquesa alertando-a para as baixas condições de vida dos cidadãos na Rússia e dos emigrantes russos que viviam na Dinamarca. Olga escreveu imediatamente ao Principe Alex da Dinamarca a falar-lhe da luta económica da Rússia e ele prometeu ajudar os pobres russos, especialmente os Cuzacos.

 

Estaline controlava rudemente a Rússia. Ele provou ser um vizinho perigosos para a família Romanov quando enviou uma carta ao governo dinamarquês acusando a Grã-Duquesa e um bispo católico dinamarquês de conspiração contra o governo soviético. Quando as tropas soviéticas se aproximaram das fronteiras dinamarquesas após a II Guerra Mundial, o medo de uma tentativa de rapto ou assassinato contra os Romanov cresceu. Então a Grã-Duquesa decidiu mudar novamente a sua família para o outro lado do oceano, na segurança do Canadá rural.

 

Olga Alexandrovna nos seus últimos anos

 

Quando a quinta que compraram no Canadá se tornou cada vez mais num fardo, Olga, o marido e os filhos mudaram-se para uma pequena casa em Cooksville, Ontário, um subúrbio de Toronto. Os vizinhos e visitantes da região ganharam um grande interesse nos rumores sobre “a última Romanov” que vivia no Canadá e visitavam-na frequentemente. Dignitários estrangeiros e membros das famílias reais também visitavam a sua confortável casa com um grande jardim. Esses visitantes incluíram a Princesa Marina, Duquesa de Kent, filha da Grã-Duquesa Elena Vladimirovna da Rússia. Outros convidados notáveis incluíram a Princesa Tatiana Constantinovna e o Príncipe Vassily Alexandrovich. Uma das maiores visitas ocorreu quando a Reinha Isabel II, o Principe Filipe e o Príncipe Carlos foram a Toronto e convidaram a Grã-Duquesa para o almoço a bordo do Iate Real, HMY Britannia. Em 1951, antigos soldados do regimento de Olga reuniram-se em sua casa para celebrar o 300º aniversário da criação do mesmo. Pouco depois ela tornou-se presidente da Associação de Cadetes da Rússia Imperial no Canadá.

 

 

Depois da morte do marido em 1958, Olga ficou demasiado doente para tomar conta de si e mudou-se para a casa de amigos russos emigrados no Canadá que ficava em cima de um salão de beleza em Toronto. Aí ela podia ouvir a confortável língua da sua infância e cheirar e provar a comida da sua infância. Ela morreu no dia 24 de Novembro de 1960 com 78 anos de idade. Foi enterrada ao pé do marido no Cemitério York em Toronto, Ontário, Canadá. No funeral da última Grã-Duquesa da Rússia participaram muitos emigrantes bem como muitos amigos que ela tinha feito no seu novo país. Os Cadetes Imperiais Russos fizeram uma vigília e uma guarda de honra que durou dois dias. O “New York Times” fez manchete da sua morte nos obituários, mas, em vez de colocarem a sua fotografia, colocaram a da sua sobrinha Olga Nikolaevna. Muitas pessoas foram ao funeral, mas nenhum Romanov.

 

Olga é lembrada na cidade pelas instituições de caridade que fundou.

 

campa de Olga Alexandrovna e família em Toronto, Canadá


publicado por tuga9890 às 23:47
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