Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Curiosidades - Se a Rússia se tornasse novamente numa monarquia...

Quem seriam os herdeiros legitimos ao trono?

 

Muitos acreditam que toda a dinastia Romanov desapareceu em 1918, mas a verdade é que, nos dias de hoje, os descendentes das antigas famílias imperais russas ainda vivem e estão espalhados por todo o mundo.

 

Neste momento existe uma luta ao trono no caso remoto de a Rússia se tornar novamente numa monarquia que se desenrola entre dois membros da família:

 

 

Nicolau Romanov, Príncipe da Rússia

 

 

Nicolau Romanovich Romanov, Principe da Rússia, nasceu no dia 26 de Setembro de 1922 e é o principal pretendente para a chefia da Família Imperial Romanov. Ele é o líder da Associação da Família Romanov e, apesar de ser um descendente directo do Czar Nicolau I da Rússia, os seus direitos são altamente controversos devido ao facto de o casamento dos seus pais violar as Leis da Rússia Imperial.

 

Ele foi eleito presidente da Associação da Família Romanov em 1989, a seguir à morte do Príncipe Vasili Alexandrovich que a tinha liderado desde a sua fundação em 1979. A associação tem como membros a maioria dos descendentes masculinos de Nicolau I e o número exacto de membros que participam nas suas actividades é desconhecido. Outros pretendentes à chefia da família como a Grã-Duquesa Maria Vladimirovna ou o seu pai Grão-Duque Vladimir Cyrllovitch nunca foram membros.

 

A posição oficial da Associação é que os direitos da família ao trono foram extintos quando o Czar Nicolau II abdicou em favor do seu irmão Miguel que deferiu o seu direito ao trono até estes serem reconhecidos por uma Assembleia Constituinte. O Czar Miguel II, como era referido por Nicolau II, não abdicou mas deu poderes ao Governo Provisório. O Príncipe Nicolau considera que, após a morte do Grão-Duque Vladimir em 1992, ele é agora o chefe legítimo da família e sucessor por direito. Ele é reconhecido pelo Almanaque de Gotha, mas continua a lutar pelos direitos com a sua prima Maria Vladimirovna.

 

 

Grã-Duquesa Maria Vladimirovna

 

A Grã-Duquesa Maria Vladimirovna nasceu no dia 23 de Dezembro de 1953 em Madrid e tem dedicado a sua vida à luta pelos seus direitos à chefia da família Romanov, especialmente desde a morte do seu pai em 1992.

 

O pai de Maria Vladimirovna, Vladimir Cyrillovich, era visto por alguns como o último representante verdadeiro da dinastia Romanov, no entanto o direito de ela se tornar líder da família foi questionado pela Associação da Família Romanov devido às leis de sucessão Paulistas que impedem uma mulher de suceder ao trono. A Associação também salientou o facto de, durante os anos 20, Maria Feodorovna e outros membros da família não terem reconhecido o seu avô Cyril Vlasmirovich como sucessor legitimo por este ter abandonado o Czar para se juntar à Revolução, o que representa traição do mais alto nível.

 

Quanto a apoiantes, Maria Vladimirovna tem, entre outros, a sua corte, a maior parte da Igreja Ortodoxa Russa e grande parte das sociedades da Nobreza Russa, incluindo a mais influente Associação da Nobreza Russa, alguns membros da Associação da Família Romanov e algumas organizações pro-monarquistas.

 

Quando foram descobertos os restos mortais do Imperador Nicolau II e da maior parte da família em 1991, Maria Vladimirovna não reconheceu a sua autenticidade e recusou participar na cerimónia de enterro em 1998.

 

Maria foi declarada herdeira do trono pelo seu pai no dia 23 de Dezembro de 1969, o que causou revolta entre os representantes masculinos. A declaração do seu avô como Czar em exílio foi altamente disputada entre a família onde um membro chegou mesmo a afirmar: “Dizer que a família está dividida é um eufemismo. A família está completamente louca.”

 

Maria tem esperança na restauração da monarquia um dia e participa em vários grupos pró-monarquistas, mas as estatísticas mostram que esse dia está muito longe.

 

Alguns dos descendentes da família Romanov no dia do funeral de Nicolau II e da família

música: The Hours - "Love You More"

publicado por tuga9890 às 19:54
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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Curiosidades - Os ovos Fabergé

 

 

Karl Fabergé e os seus trabalhadores desenharam e construíram o primeiro ovo em 1885. Foi encomendado pelo Czar Alexandre III como uma surpresa de Páscoa para a sua esposa Maria Feodorovna.

 

Do lado de fora parecia um simples ovo de ouro branco, mas quando se abria, revelava um outro ovo de ouro puro onde se escondia uma galinha feita do mesmo material, com uma pequena coroa de rubis na cabeça.

 

O primeiro ovo Fabergé


A Imperatriz Maria gostou tanto da sua prenda que Alexandre nomeou Fabergé como “Fornecedor da Corte” e encomendou um ovo de Páscoa por ano a partir de aí, estipulando que deveria ser único e conter uma surpresa. O seu filho, Nicolau II, continuou a tradição, oferecendo todas as primaveras um ovo Fabergé à sua esposa Alexandra e também à sua mãe.

 

 

ovo dos palácios dinamarqueses (1890) oferecido por Alexandre III a Maria Feodorovna

 

A partir de 1885 os ovos foram fabricados quase todos os anos. Assim que o desenho inicial era aprovado, o trabalho era levado a cabo por um grupo de artesãos sob as ordens de Fabergé, entre os quais se incluíam Michael Perkhin, Henrik Wigström e Erik Augut Kollin.

 

ovo relógio serpente azul (1887) oeferecido por Alexandre III a Maria Feodorovna

 

Os ovos imperiais usufruíram de tal fama que Fabergé chegou mesmo a fabricar pelo menos 15 para clientes privados. Entres eles existe uma série de 7 ovos feitos para o industrial Alexandre Kelch. Eles não são tão majestosos quanto os ovos imperiais, nem tão originais, uma vez que, muitas vezes, não passavam de replicas daqueles que eram encomendados pelo Czar.

 

ovo Azova (1891) oferecido por Alexandre III a Maria Feodorovna

 

Dos 69 ovos conhecidos, apenas 61 chegaram aos nossos dias. A grande maioria encontra-se em exposição em museus públicos por todo o mundo, embora a grande maioria (30) se encontre na Rússia. Dos 54 ovos imperiais conhecidos, sobreviveram 46.


Dos 8 ovos perdidos, existem apenas fotografias de dois, o da “Realeza Dinamarquesa” de 1903 e o “Ovo comemorativo de Alexandre III” de 1909

 

ovo "botão de rosa" (1895) oferecido por Nicolau II a Alexandra Feodorovna

 

Depois da Revolução Russa, a “Casa de Farbegé” foi nacionalizada pelos bolcheviques e a família Fabegé” fugiu para a Suíça onde Peter Carl Fabargé morreu em 1920. Os palácios dos Romanov foram saqueados e os seus tesouros retirados, por ordem de Lenine, para os armazéns do Kremlin.

 

ovo da coroação (1897) oeferecido por Nicolau II a Alexandra Feodorovna

 

Num leilão para adquirir mais dinheiro estrangeiro, Estaline mandou vender muitos dos ovos em 1927, depois de serem avaliados por Agathon Fabergé. Entre 1930 e 1933, 14 ovos imperiais abandonaram a Rússia. Muitos dos ovos foram vendidos a Amand Hammer, presidente do “Petróleo Ocidental” e amigo pessoal de Lenine, cujo pai foi um dos fundadores do Partido Comunista dos Estados Unidos. Emanuel Snowman, da loja de antiguidades de Wartski, Londres adquiriu também alguns.

 

ovo do Kremlin (1906) oferecido por Nicolau II a Alexandra Feodorovna

 

Depois da colecção do Kremlin, a maior colecção de ovos Fabergé foi organizada por Malcolm Forbes, e apresentada em Nova Iorque. Com o total de 9 ovos e aproximadamente outros 180 objectos fabergé, a colecção foi leiloada no Sotheby’s em Fevereiro de 2004 pelos herdeiros da Forbes. Antes do leilão começar, a colecção foi comprada por uma quantia entre os 90 e 120 milhões de dólares por Victor Vekselberg. Os ovos imperiais desta colecção incluíam o primeiro ovo de sempre assim como o “ovo da coroação” (que apareceu no filme “Ocean’s 12” de 2004).

 

ovo "Pedro, o Grande" (1903) oferecido por Nicolau II a Alexandra Feodorovna

 

Em Novembro de 2007, um relógio Fabergé, chamado de “Ovo Rothschild” pela “Christie’s” foi vendido num leilão por 8.9 milhões de libras. O preço atingiu dois recordes num leilão: a peça de tempo mais cara de sempre a ser vendida e o objecto russo mais caro, ultrapassando mesmo os 9,6 milhões de dólares pagos pelo “Ovo de Inverno” em 2002.

 

Ovo de Inverno (1913) oeferecido por Nicolau II a Maria Feodorovna

 

Localizações dos ovos Fabergé:

 

Museu do Kremlin, (Moscovo, Rússia) 10

 Colecção de Viktor Vekselberg, (Rússia) (antigo Forbes) 11

 Museu de Belas-Artes da Virginia, (Richmond, Virginia, EUA) 5

Museu de Arte de Nova Orleães, (Nova Orleães, Louisiana, EUA) 3

Colecção Real, (Londres, Reino Unido) 3

Fundação Edouard e Maurice Sandoz, (Suíça) 2

Museu Hillwood, (Washington, D.C, EUA) 2

Museu de Artes Walters, (Baltimore, Maryland, EUA) 2

 Museu de Arte de Cleveland, (Cleveland, Ohio, EUA) 1

Colecção de Alberto II do Monaco, (Monte-Carlo, Monaco) 1

Museu Nacional da Rússia, (Moscovo, Rússia) 1

Instituto Mineralógico Fersman, (Moscovo Rússia) 1

 Colecções Privadas 4

Localização desconhecida 8

 

ovo da constelação (1917). Nunca foi acabado.

 

Outros ovos:

 

ovo caucaso

 

ovo de cristal

 

 

ovo da imperatriz Maria

 

ovo cuco

 

ovo lirio

 

 

ovo pansey

 

ovo do iate

 

ovo do Palácio de Alexandre

 

ovo do czarevich

 

ovo relógio de lirios

 

ovo de flores selvagens

 

 

duas perspectivas do ovo comemorativo do 15º aniversário do reinado de Nicolau II

 

ovo das colunas

 

ovo do pavão

 

ovo militar

 

ovo do tricentenário

 

ovo do jubilo dinamarquês

 

ovo camuflagem

 

ovo da cruz vermelha

 

o ovo bétula foi um dos últimos projectos, mas nunca chegou a ser completado

música: William Fitzsimmons – Funeral Dress

publicado por tuga9890 às 11:56
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Curiosidades - A Canonização dos Romanov

A primeira fase de canonização da família Romanov à Igreja Ortodoxa Russa aconteceu em 1981 quando uma entidade independente desta instituição (a Igreja Ortodoxa Russa no Estrangeiro) elevou a família ao estatuto de “Novos Mártires”. Juntamente com a família foram também canonizados os servos que foram mortos juntamente com eles bem como dois dos seus antigos servos (a dama-de-companhia Anastasia Hendrikova e a tutora Catherine Adolphovna Scheider) que foram mortos em Setembro de 1918. Todos foram canonizados como vitimas da opressão da União Soviética.

 

A irmã de Alexandra, a Grã-Duquesa Elizabeth Fyodorovna, que foi assassinada pelos bolcheviques no mesmo dia da irmã, foi canonizada também como Nova Mártir pela mesma instituição, juntamente com outros membros da família mortos durante a perseguição soviética aos membros da realeza e alguns servos também mortos com eles.

 


imagem da família real como martires da Igreja Ortodoxa Russa

 

Em 1992, a Grã-Duquesa Elizabeth Feodorovna e Varvava Yakovlevna foram finalmente canonizadas no seio da própria Igreja Ortodoxa Russa, ao contrário de outras pessoas que tinham sido mortas com elas, o que provocou alguma polémica.

Em 2000, depois de muito debate, a família Romanov foi canonizada como “Portadores da Paixão” pela instituição Ortodoxa dentro da Rússia. Contudo, ao contrário da instituição estrangeira, a Igreja Ortodoxa Russa escolheu não canonizar dois dos servos por serem de religiões diferentes. (Alexis Trupp que era Católico e Catherine Adolphovna era Luterana)

 

As canonizações foram controversas em ambas as igrejas. Em 1981, aqueles que se opuseram a tal glorificação, salientaram o carácter fraco de Nicolau como governante e afirmaram que foram as suas próprias acções que levaram à Revolução Bolchevique. Um padre da Igreja Ortodoxa no Estrangeiro respondeu a esta critica afirmando que as canonizações na Igreja Ortodoxa nada tinham a ver com as acções pessoais do Mártir, mas sim com a forma como ele ou ela foi morto. Outros críticos realçaram que, da forma que esta canonização decorreu, a Igreja Ortodoxa Russa no Estrangeiro mais parecia estar a culpar os revolucionários judeus pelas suas mortes numa referência ao conhecido anti-semitismo do czar Nicolau II.

 


 

 

Outros rejeitaram a classificação da família como “Mártires”, uma vez que eles não foram mortos devido à sua fé religiosa e não existem provas de que a sua execução foi um assassinato ritualizado. Os líderes de ambas as igrejas também levantaram dúvidas em relação a esta canonização pois viam Nicolau II como um líder incompetente que se conduziu a si próprio e à sua família à cave da Casa Ipatiev e provocou sofrimento ao seu povo. Para estes opositores, o facto de Nicolau ter sido, na vida privada, um homem bom e um bom marido e pai não era suficiente para esconder o desastre do seu reinado.

 


Nicolau, Portador da Paz

 

Finalmente, a Igreja Ortodoxa Russa decidiu canonizar a família como “Portadores da Paz”, ou seja, pessoas que enfrentaram a morte com humildade Cristã. Os defensores desta elevação citaram vários exemplos de outros Czares e Czareviches que tinham sido canonizados antes como o Czarevich Dimitri, assassinado no final do século XVI. Realçaram também o facto de que, de acordo com alguns relatos, a Czarina e a sua filha mais velha Olga terem rezado e tentado fazer o sinal da cruz imediatamente antes de morrerem. É de notar, no entanto, que apesar de serem oficialmente designados de “Portadores da Paixão”, todos os membros da família são, geralmente, referidos como “Mártires” em publicações da igreja, ícones e em veneração popular.

 


icone da familia

 

Os corpos do Czar Nicolau II, da Czarina Alexandre II e de três das suas filhas foram finalmente enterrados na Catedral da Fortaleza Pedro e Paulo em São Petersburgo no dia 18 de Julho de 1998, 80 anos depois de serem assassinados. Os corpos de Alexis e de uma das suas irmãs continuavam desaparecidos. No dia 23 de Agosto de 2007, um arqueólogo russo anunciou a descoberta de dois esqueletos queimados num local perto de Ekaterinburgo que pareciam corresponder o local descrito pelo homem que liderou a execução da família, Yakov Yurovsky. O arqueólogo disse que os ossos eram de um rapaz que teria morrido entre as idades de 12 e 13 anos e de uma jovem mulher que teria entre 18 e 23 anos. Anastasia tinha 17 anos e um mês de idade quando foi assassinada, enquanto que a sua irmã Maria tinha 19 anos e o seu irmão Alexis estava a duas semanas de completar 14 anos. As irmãs mais velhas, Olga e Tatiana, tinham 22 e 21 anos. Juntamente com os restos mortais, os arqueólogos encontram “restos de um recipiente que continha ácido sulfúrico, unhas, pedaços de metal de uma caixa de madeira e balas de vários calibres.”

 

 

Os testes preliminares indicaram que existia uma grande probabilidade de que os restos mortais pertencessem ao Czarevich Alexis e a uma das suas irmãs de acordo com o anuncio do dia 22 de Janeiro de 2008. Mais tarde, no dia 30 de Abril de 2008, foi anunciado que os testes de ADN provavam que os restos mortais pertenciam a Alexis e Maria.

 

Desde o final do século XX que os crentes atribuem curas milagrosas ou conversões à Igreja Ortodoxa às suas rezas a Alexis, Maria e ao resto da família.

 

tumulo da família na catedral da fortaleza Pedro e Paulo em São Petersburgo

música: Brandi Carlli - "The Story"

publicado por tuga9890 às 12:07
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