Domingo, 10 de Agosto de 2008

Documentário - Anastasia: Her True Story

Este documentário foi produzido pelo Biography Channel em 1997 e dá a sua visão sobre a vida da Grã-Duquesa Anastásia, da sua família, da Revolução Russa e da sua mais famosa pretendente, Anna Anderson.

 

O documentário tem algumas falhas em termos de rigor histórico (novamente para favorecer Anna Anderson), mas, geral, está bem feito:

 

 


publicado por tuga9890 às 11:43
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Biografia - Olga Alexandrovna

 

A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna da Rússia nasceu no dia 13 de Junho de 1882 e foi a última Grã-Duquesa da Rússia Imperial durante o reinado do seu irmão mais velho, Nicolau II. O seu pai era o Czar Alexandre III da Rússia e a sua mãe era filha do rei Cristiano IX da Dinamarca, Maria Feodorovna. Criada no Palácio de Gatchina nos arredores de São Petersburgo, a jovem Grã-Duquesa era mais próxima do seu irmão “Misha”, o Grão-Duque Miguel Alexandrovich. Era uma talentosa pintora e criou mais de 2000 quadros.

 

Olga (no colo da mãe) com os irmãos

 

Nascida no dia 13 de Junho de 1882 no Palácio de Peterhof, Olga era a filha mais nova de Alexandre III e a única a nascer durante o seu reinado. A sua mãe, seguindo o conselho da sua irmã, a futura rainha Alexandra do Reino Unido, decidiu contratar uma governanta inglesa e então Elizabeth Franklin chegou à Rússia. Sobre ela, Olga disse mais tarde:


“A Nana foi a minha protectora e conselheira durante a infância e a minha leal companheira nos anos que se seguiram. Não faço ideia do que teria feito sem ela. Tudo o que ela fez por mim permitiu-me sobreviver durante o caos dos anos de revolução. Ela era eficaz, corajosa e perspicaz; estava lá para ser a minha ama, mas a sua influência chegou até aos meus irmãos e irmã.”

 

Olga durante a infância

 

A Grã-Duquesa foi criada longe do perigo de São Petersburgo, no Palácio de Gatchina e sempre se referiu aos seus tempos de infância como os melhores da sua vida. Contudo, Olga Alexandrovna e os seus irmãos não estavam habituados a um estilo de vida demasiado sumptuoso durante os seus anos de infância e juventude, uma vez que os seus pais, governantes e tutores lhes exigiam disciplina e rigidez.

 

Olga disse sobre Gatchina:

 

“Como nos divertimos lá! A Galeria Chinesa era perfeita para jogar às escondidas! Bastava encolher-nos atrás de um vaso chinês enorme qualquer. Havia tantos, alguns que tinham o dobro do nosso tamanho. Suponho que valiam imenso, mas não me lembro de algum de nós alguma vez os estragar.”

 

A avó paterna das crianças, Maria de Hesse e do Reno, tinha introduzido costumes ingleses na corte russa. Olga comentou:

 

“Crescemos todos com uma dieta rigorosa. Para o lanche tinhamos geleia no pão e manteiga e bolhachas inglesss – bolo era servido muito raramente. Gostávamos da forma como a nossa papa-de-aveia era cozinhada – a Nana deve-os ter ensinado a fazê-la. O nosso jantar de marca parecia ser bife com ervilhas e batatas assadas, ou então costeletas, mas nem a Nana me conseguiu fazer gostar delas, principalmente quando estavam demasiado assadas!

 

Havia pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia – todos servidos de acordo com as normas rigorosas do palácio e algumas nem sequer tinham mudado desde os tempos de Catarina, a Grande, como os pequenos bolos de manteiga suecos que eram servidos todas as noites durante a ceia. Eram do mesmo tipo daqueles servidos em 1788."


Olga Alexandrovna

Olga na Galeria Chinesa

 

O sistema educacional pelo qual a Grã-Duquesa e os seus irmãos foram educados era de grande exigência. Os tutores imperiais ensinavam as disciplinas principais como Russo, Literatura, Matemática, História e Línguas com grande profundidade. Embora todos os irmãos tivessem as suas aulas na mesma sala, a “sala das crianças”, o irmão mais velho de Olga, Nicolau, estava a ser ensinado a um nível superior. Nicolau estava a aprender outras disciplinas e matérias que lhe seriam mais úteis como futuro Czar. As actividades físicas como as equestres também começavam a ser ensinadas cedo, o que, eventualmente, tornou os jovens Romanov em cavaleiros experientes.


A jovem Grã-Duquesa passava as férias em Olgino, uma propriedade na província de Voronezh no Sudoeste da Rússia. Aí ela praticava e exemplificava a sua fé, a Igreja Ortodoxa Russa, criando ícones religiosos e abençoando os habitantes e edifícios da aldeia. Foi aí que ela pintou e desenhou muitos dos seus trabalhos originais que, mais tarde, vendeu aos seus amigos e vizinhos em Ontário no Canadá. Outras das actividades preferidas em Oligno eram cavalgar, montar e nadar. A Grã-Duquesa tinha uma forte relação com os habitantes da aldeia, mas essa relação foi-se tornando mais amarga à medida que aumentavam os descontentamentos que levaram à Revolução Russa.

 

Olga com os irmãos Jorge e Miguel durante as férias em Olgino

 

A Grã-Duquesa foi descrita como sendo muito simples e indiferente a pedras preciosas e jóias caras que continuam a ser consideradas uma imagem de marca dos Romanov. Mesmo assim, durante a sua vida, a mais jovem irmã do Czar acumulou uma colecção de pedras preciosas inestimável que foi, na sua maioria confiscada pelos revolucionários russos.

 

A sua infância foi muito feliz. O seu pai, Alexandre III, apoiava-se muito nela e no seu irmão Miguel que eram os mais novos dos cinco filhos e os que passavam mais tempo em casa devido às suas idades. Eles costumavam dar grandes passeios nas florestas que cercavam o Palácio de Gatchina nos quais Alexandre ensinou Olga e Miguel a fazer fogueiras e a escolher cogumelos. Estas caminhadas davam a Alexandre uma rara pausa nas suas responsabilidades como Imperador da Rússia e criaram uma ligação especial entre os três. Os dois irmãos guardaram boas recordações destes passeios que ambos preservaram durante as suas vidas e Olga sempre se referiu a estes momentos como os mais felizes da sua vida.

 

“O meu pai era tudo para mim. Mesmo quando estava imerso no seu trabalho, ele tirava sempre meia-hora do dia para estar connosco. Quando cresci, os meus privilégios aumentaram. Lembro-me do primeiro dia em que me deixou colocar o selo imperial num dos muitos envelopes que se espalhavam pela secretária dele. Era um selo pesado de ouro e cristal, mas senti-me muito orgulhosa e feliz nessa manhã. Eu ficava espantada com a quantidade de trabalho que o meu pai tinha todos os dias. Acho que o Czar era o homem que mais trabalhava na Terra. Para além das audiências e funções de estado, todos os dias ele tinha de analisar montanhas de editoriais, decretos de lei e relatórios que, depois, tinha de assinar. Muitas vezes o meu pai escrevia os seus comentários furiosos nas margens dos documentos: “Idiotas! Lerdos! Que besta que este é!…” Uma vez mostrou-me um album velho cheio de projectos de uma cidade imaginária chamada Mopsopolis, habitada por cães. Mostrou-me isto em segredo e eu fiquei encantada por ele ter partilhado o seu segredo de infância comigo.

 

(…)

 

O meu pai tinha a força de Hércules, mas nunca a mostrava quando outras pessoas estavam presentes. Costumava dizer-nos que conseguia dobrar ferraduras e pratos com muita facilidade, mas não se atrevia a fazê-lo porque a nossa mãe ficaria furiosa. No entanto, uma vez, quando estávamos no escritório, ele dobrou um limpador de cinzas feito de ferro e depois voltou a endireitá-lo. Lembro-me de que, enquanto o fazia, manteve sempre os olhos presos na porta para o caso de alguém entrar!”


Miguel Alexandrovich e Olga Alexandrovna Romanov

Miguel e Olga

 

Em finais de 1888, Olga deixou Gatchina pela primeira vez quando toda a família imperial foi visitar o Cáucaso. No dia 29 de Outubro o longo comboio imperial estava a viajar a grande velocidade para Kharkov na Ucrânia. Um dos passageiros recordou o que aconteceu:

 

“Por volta da uma da tarde o comboio estava a aproximar-se da cidade de Borki. O Imperador, a Imperatriz e quatro dos seus filhos estavam a almoçar no vagão-restaurante. Estavam a trazer o pudim quando o comboio começou a estremecer violentamente e, depois, estremeceu novamente e todos caíram ao chão. Dentro de um segundo ou dois, o vagão-restaurante estava revirado com o pesado tecto de ferro cravado a apenas alguns centímetros das cabeças dos passageiros. (…)

 

“A explosão tinha separado as rodas e o chão do resto do vagão. O Imperador foi o primeiro a rastejar de debaixo do tecto. Depois disso, segurou-o alto o suficiente para que  a sua mulher, filhos e outros passageiros pudessem sair em segurança. Foi um esforço verdadeiramente herculeano da parte do Alexandre e, apesar de ninguém se ter apercebido disso na altura, custou-lhe a sua saúde."

 

 

Olga (entre os pais) com a família

 

Alexandre III morreu quando Olga tinha apenas 12 anos. Ela ainda era uma criança e sofreu muito com a perda do pai. Assim que recuperou da morte prematura do marido, Maria Feodorovna viu-se num dilema para encontrar uma forma de compensar a falta de um pai durante as adolescências de Olga e Miguel. Naturalmente virou-se para o seu filho mais velho, o novo Imperador, para que fosse ele a assumir esse papel. Afinal agora era ele o “chefe” da família Romanov. Talvez Nicolau tivesse feito o melhor que podia, mas ele tinha as suas próprias preocupações e responsabilidade com o seu novo cargo, mulher e filha. Mesmo que tivesse tempo, não haveria hipótese de que Olga e Miguel tivessem visto o seu irmão mais velho como um substituto para o seu pai. Ele e Nicolau eram completamente diferentes em aspecto, humor e personalidade.

 

Olga com a mãe e o irmão Nicolau II

 

Maria era, até certo ponto, uma mãe fria e distante. Ela sabia-o e isso incomodava-a. A sua falta de afecto não significava que não gostasse dos filhos, muito pelo contrário: era uma questão de prioridades. O mais importante para Maria era cuidar do seu marido, a seguir estava o seu papel como Imperatriz da Rússia e o resto da família  vinha apenas depois disso. Isto devia-se ao facto de Maria se sentir um tanto desconfortável junto dos seus filhos. Ela achava difícil falar com eles e mantinha-os segregados no estilo de cida que tinha escolhido para eles. Maria via os seus filhos todos os dias, mas, ao contrário da sua irmã Alexandra, nunca teve lutas de almofadas com eles. O “habitat natural” dela era o mundo da aristocracia de São Petersburgo onde havia danças, entretenimento e conversas inteligentes. A Imperatriz brilhava na sociedade, movendo-se entre os seus círculos com uma facilidade inigualável. Apesar de ser baixa, ela movia-se de forma a que ninguém duvidasse da sua força e perseverança. Era uma mulher forte e até rígida. Maria estava habituada a ter tudo feito à sua maneira. Depois da morte do marido, isso tornou-se ainda mais evidente, uma vez que ninguém podia (ou se atrevia) a contrariar os seus desejos. Os criados achavam-na dura e difícil de servir.

 

Olga com a mãe e os irmãos Miguel e Jorge


Maria gostava de ter Olga ao pé de si e tratava-a cada vez mais como uma criada à medida que ela ia crescendo, ao mesmo tempo que esperava dela o amor e devoção de uma filha. Era natural que Olga, uma adolescente a crescer, preferisse a companhia da sua governanta, do cão e dos tutores à da sua mãe. Isto magoava Maria, mas encaixava-se com a sua inclinação de ter outras pessoas a educar a sua filha.

 

Olga com a sua governanta Elizabeth Franklin

 

A Grã-Duquesa começou a pintar muito cedo, mas foi apenas durante os seus últimos anos de adolescência que o seu talento começou a prosperar. Ela também tinha um lado benevolente, fundando programas de caridade na aldeia de Olgino que funcionavam junto à propriedade dos pais e ajudou a melhorar as opções básicas de medicina e educação dos habitantes locais. Também contribuía ou era dona de muitas organizações e estabelecimentos de caridade desde muito nova. Contribuía principalmente para orfanatos, casas da misericórdia e escolas de raparigas. Deu uma ajuda considerável aos artistas pobres, mas talentosos e alguns tornaram-se famosos graças a si.

 

Olga Alexandrovna

Olga durante a adolescência

 

O seu benefício na aldeia rural de Olgino inspirou muitas fundações que começaram os seus trabalhos de caridade por todo o Império Russo. Chegou mesmo a haver uma ocasião em que Olga substituiu a professora da escola de Olgino com dinheiro do seu próprio bolço, fundou e visitou o Hospital Nacional da aldeia e continuou a dar consideráveis contribuições às famílias mais pobres das regiões que cercavam a sua aldeia de férias. No hospital, ela aprendeu a administrar tratamento médico e a tratar de doentes do médico local. Através do seu treino na medicina mais tarde, ela conseguiu tornar-se numa enfermeira, uma capacidade que lhe seria muito útil mais tarde. A Grã-Duquesa continuou o seu apoio à Igreja Ortodoxa Russa e aos serviços religiosos realizados em Olgino. Mesmo quando estava de férias, Olga queria continuar a ter as suas lições diárias que eram, normalmente, completadas com aulas de desenho e pintura.

 

“Mesmo durante as minhas lições de geografia e aritmética, o professor deixava-me ficar sentada com o pincel na mão. Conseguia prestar muita mais atenção quando estava a desenhar flores selvagens num canto.”

 

Olga durante a adolescência (Nicolau II e Alexandra na direita)

 

Durante a sua vida, Olga criou uma vasta colecção de arte do seu tempo na Rússia, Dinamarca e, mais tarde, Canadá, que, eventualmente, reunia mais de 2000 exemplares. Na Rússia e na Dinamarca preferia desenhar coisas relacionadas com a Natureza como flores e paisagens. A Grã-Duquesa também descobriu que os seus quadros podiam ser uma boa fonte de rendimento e começou a vendê-los em Copenhaga, na Dinamarca. Olga também elogiava a paisagem da sua pequena vila no Canadá numa série de cartas que enviou para a sua amiga dinamarquesa, Alexandra Iskra:

“Tudo era maravilhoso, tudo cheirava muito bem. Na floresta cheirava mesmo como a Rússia com as bétulas e outros tipos de arvores a florescer. Depois, quando estávamos a passear de carro pelas casas e jardins de alguns amigos, vimo-los e depois saímos do carro. Que lindo jardim que temos! Lírios do vale, lilás e todos os tipos de cheiros de plantas no ar. Caminhamos pelos jardins que rodeiam a casa e do outro lado vimos uma ravina funda toda coberta de plantas. Conseguimos ver a paisagem até muito longe

 

 

 

Pinturas de Olga

 

Olga conhecia os Oldenburg, uma das famílias aristocráticas mais ricas da Rússia, há muitos anos. Eles tinham um filho, Peter que era um atraente oficial. Peter era bonito, sofisticado… e homossexual. Para o espanto de muitas pessoas, um dia ele pediu a Maria Feodorovna a mão da sua filha Olga em casamento. A razão pela qual Maria aceitou é desconhecida. Talvez quisesse manter Olga por perto e era melhor casar com um homossexual do que com um estrangeiro que a levaria para longe. Na carta que escreveu ao filho mais velho, Nicolau, a contar a novidade, Maria escreveu:

 

“Tenho a certeza que não vais acreditar no que acabou de acontecer. A Olga está noiva do Petya e ambos estão muito felizes. Eu consenti, mas foi tudo feito tão rapidamente e inesperadamente que ainda não consegui acreditar. Mas o Petya é simpático, eu gosto dele e, se Deus quiser, eles serão muito felizes.” Depois assinou a carta com “A tua agitada, Mamã”.

 

Nicolau respondeu à carta da mãe ainda mais incrédulo:

 

“Não posso acreditar que a Olga esteja realmente noiva do Petya. Provavelmente estavam os dois bêbados ontem e hoje não se lembram do que disseram um ao outro ontem. O que pensa o Misha disto? E como ficou a governanta? Nós os dois (Nicolau e Alexandra) rimo-nos tanto a ler a tua carta que ainda não conseguimos recuperar. O Petya acabou de entrar de rompante e contou-nos tudo. Agora temos mesmo de acreditar. Mas vamos acreditar que tudo corre bem. Tenho a certeza que vão ser felizes, mas parece-me tudo muito precipitado"

 

Olga Alexandrovna com o noivo na festa de noivado

 

Olga era completamente ingénua em relação a assuntos sexuais e provavelmente não fazia ideia do que era um homossexual. Ela não tinha razões para se opor à proposta. Afinal significava que ela finalmente poderia abandonar a casa da mãe e ter a sua própria vida com o marido a seu lado. Então casou-se com o Príncipe Peter Oldenburg numa bonita cerimónia recheada com o brilho Romanov que se realizou no dia 9 de Agosto de 1901, quando Olga tinha 19 anos. As prendas que receberam foram magníficas. O seu novo marido cobriu-a de pedras preciosas e roupas caras e o casal mudou-se para um complexo de palácios em Czarskoe Selo, perto do Palácio de Alexandre onde vivia o irmão mais velho de Olga, Nicolau, com a sua família. Para comemorar o seu casamento, o irmão de Olga deu-lhe o seu próprio regimento de soldados.

 

Olga (1º fila, 2º dir.) com a mãe,  a sobrinha Olga, Alexandra, a irmã Xenia, a sobrinha Irina e o irmão Nicolau


O marido de Olga era submisso e atencioso em público, mas reservado e distante em privado. O casamento nunca foi consumado. Estando perto do palácio do seu irmão e sendo muitas vezes ignorada pelo seu marido que passava a maior parte do tempo com os seus amigos, Olga tornou-se numa visita regular no Palácio de Alexandre e desenvolveu uma ligação com Nicolau muito mais próxima do que quando era uma criança. Também se tornou amiga da sua esposa Alexandra de quem gostava muito e vice-versa.

 

Olga com  o marido em 1901

 

Em 1903 ela conheceu o Coronel Nikolai Alexandrovich Kulikovsky através do seu adorado irmão Miguel, durante uma inspecção militar em Pavlovsk. Pouco tempo depois começou um romance entre o coronel e a Grã-Duquesa. Nesse mesmo ano, com 22 anos, ela enfrentou o seu marido e pediu-lhe o divórcio imediato. O seu irmão, o Czar Nicolau II, acreditou que a relação de Olga com Kulikovsky não passava de um romance passageiro e aceitou ceder o divórcio no prazo de 7 anos. Contudo, Oldenberg contratou o Coronel como seu ajudante e permitiu-lhe viver na mesma casa da Grã-Duquesa. Para aqueles que sabiam, a relação de Olga com Kulikovsky era mantida em segredo, especialmente para os patriarcas da família Romanov. Contudo, muitos membros influentes da família souberam da relação e não fizeram nada para mostrar a sua desaprovação.

 

Vivendo em Czarskoe Selo, Olga tornou-se também muito próxima das suas sobrinhas e sobrinho, as filhas e filho do seu irmão Nicolau. Ela criou uma ligação especialmente com a sua sobrinha mais nova, Anastásia, a quem chamava “Shvibzik"

 

Olga Alexandrovna com a sobrinha Anastásia

 

Olga viu as suas sobrinhas crescer desde bebés até jovens mulheres e, ao observar as suas vidas e rotinas no Palácio de Alexandre, viu muitas das mesmas tendências que a tinham deixado tão pouco preparada para a vida real. Ela preocupava-se com o futuro das grã-duquesas e do efeito que o clima sufocante da ala das crianças. Elas não tinham ninguém que as preparasse para a sociedade, uma vez que fora a mãe que as criara virtualmente sozinha. Como Alexandra se refugiava da sociedade, repelindo festas e bailas, Olga sentiu que era a única que poderia ter essa função. Com o objectivo de alargar o circulo de amigos das Grã-Duquesas e introduzi-las gradualmente no mundo real, Olga costumava levá-las todos os Sábados de Czarskoe Selo até São Petersburgo de comboio. Aí elas iam até ao palácio da avó onde se organizavam festas especiais para elas, com danças e outras pessoas jovens para elas conhecerem. Olga fazia isto com muito cuidado, sem alarmar os seus pais demasiado protectores. Ela era a única pessoa em quem Nicolau e Alexandra confiavam as suas filhas.

 

Com o rebentar da Primeira Guerra Mundial as festas acabaram.

 

Olga Alexandrovna com as sobrinhas Maria, Olga e Anastásia

 

Durante a Guerra, o amante de Olga, Kulikovsky, foi nomeado para comandar o regimento de Akhtyrsky na linha da frente do Sudoeste da Rússia. Com o conhecimento prévio  em medicina aprendido em Olgino, Olga começou a trabalhar como enfermeira no seu próprio regimento em Proskurov. Ao mesmo tempo as tenções internacionais na Rússia começaram a acumular-se à medida que os revolucionários ganhavam força. Durante o primeiro ano da guerra, a Grã-Duquesa esteve num local fortemente bombardeado por austríacos. Era raro as enfermeiras trabalharem tão perto da linha de fogo e, por isso, Olga recebeu a Ordem de São Jorge pelas suas acções heróicas.

 

Olga durante a Guerra

 

Em 1916, o Czar Nicolau II anulou oficialmente o casamento entre Olga e Peter Oldenburg, permitindo-lhe casar-se com o Coronel Nikolai Alexandrovich Kulikovsky no dia 14 de Novembro de 1916 na Igreja de São Nicolau em Kiev. Entre os que participaram no casamento estavam a sua mãe Maria Feodorovna, a sua irmã mais velha Xenia, o cunhado Alexandre, alguns oficiais do regimento de Kulikovsky e colegas enfermeiras do hospital de Kiev fundado pela Grã-Duquesa.

 

Olga com Nikolai Kulikovsky no dia de casamento

 

Depois da revolução que depôs o seu irmão Nicolau II no inicio de 1917, muitos dos membros da família Romanov foram presos e mantidos nas suas casas. Isto aconteceu com a família do irmão, primeiro no Palácio de Alexandre em Czarskoe Selo. Maria Feodorovna, a Grã-Duquesa Xenia e a Grã-Duquesa Olga conseguiram fugir para a Crimeia onde viveram durante algum tempo antes de também serem presas numa das suas casas.

 

 

Olga em Czarskoe Selo com o sobrinho Alexis e as sobrinhas Maria e Anastásia em 1914

No dia 12 de Agosto de 1917, Olga deu à luz o seu primeiro filho, Tikhon Nikolevich Kulkovsky que nasceu em prisão domiciliária durante o domínio do Governo Provisório na Rússia. Olga deu-lhe o nome do santo padroeiro de Oliginio, Tikhon de Zadonsk. Apesar de ser neto de um Imperador e sobrinho de outro, como o seu pai fazia parte do povo, o bebé não recebeu nenhum título e usou o apelido Kulikovsky com orgulho durante toda a sua vida, assim como o seu irmão mais novo Guri. Devido aos problemas de comunicação que a Rússia começou a sofrer e a censura oficial impelida aos Romanov, sabia-se pouco sobre o destino do destino de Nicolau e da sua família.

 

Olga com o seu filho Tikhon

 

Enquanto estavam na Crimeia, a família da Grã-Duquesa tinha sido condenada à morte pelos conselhos revolucionários de Sevastopol e Yalta. Durante a confusão política entre as duas fracções, o Poder Central da Alemanha avançou na Crimeia, mas quando chegaram em Novembro de 1918, os soldados souberam da derrota do seu país na guerra. Pouco depois da breve ocupação alemã, o Exército Branco de soldados leais ao czar, restaurou temporariamente a segurança na área, dando tempo à Grã-Duquesa e à família para fugir para o estrangeiro. O rei Jorge V enviou um navio de guerra britânico para retirar a sua tia, Maria Feodorovna, as suas primas e outros membros da família Romanov da instável Crimeia. Foi feito um acordo entre a antiga imperatriz e o rei Jorge V para permitir a evacuação de um grande número de cidadãos russos nesse navio. O bloqueio de comunicações que a família tinha sofrido na Crimeira levantou-se relativamente pelos marinheiros britânicos a bordo. Foi dada a notícia do assassinato confirmado de Nicolau II e das supostas mortes da restante família. O destino do  irmão e companheiro de infância de Olga, “Misha”, Grão-Duque Miguel Alexandrovich da Rússia, aquele que quase se tornou Imperador da Rússia, também era incerto. Na altura não se sabia que ele tinha sido assassinado pela Checa em Perm, na Rússia no dia 12 de Junho de 1918 para garantir que não sobravam descendentes Romanov para subir ao trono.

 

Olga e Miguel

 

A Grã-Duquesa Olga e o marido recusaram-se a abandonar a Rússia ao mesmo tempo que a restante família. Os dois decidiram ir para a região de Kuban, na altura ainda livre de bolcheviques e viveram na cidade de Novominskaya, a cidade natal do guarda-costas de Maria Feodorovna. Na Primavera de 1919, nasceu o Segundo filho do casal, Guri Nikolaevich, numa quinta alugada. O segundo filho do casal recebeu o nome de um grande amigo de Olga durante a Primeira Guerra Mundial, Gury Panayevich, um grande herói de batalha que tinha morrido em 1914 a defender o seu regimento.Pouco depois do nascimento do Segundo filho, os circulos internos do Exercito Branco abordaram a Grã-Duquesa com propostas para se declarar oficialmente como Imperatriz da Rússia. Olga recusou diplomaticamente a oferta. Sendo a última herdeira legitima ao trono russo, Olga tornou-se num alvo para o Exército Vermelho.

 

Olga Alexandrovna com o marido e os filhos em 1920

 

A família começou então aquela que seria a sua última viagem pela Rússia. Fugiram para Rostov-on-Don, refugiamdo-se na residência do Cônsul Dinamarquês, Thomas Nikolaevich Schtte, que os informou sobre a chegada segura deMaria Feodorovna à Dinamarca. Depos de uma breve estadia, a família foi para a ilha de Büyükada no estreito dos Dardanelos perto de Istambul, Turquia. Depois foram para Belgrado onde Olga foi visitada pelo regente Alexandre Karageorgevich que mais tarde seria o Rei Alexandre I da Jugoslávia. O regente recomendou que a Grã-Duquesa e a família vivessem permanentemente num dos estados reais do antigo Império Austro-Húngaro, mas a sua mãe pediu-lhe para se juntar a ela na Dinamarca. A Grã-Duquesa aceitou imediatamente e a família mudou-se novamente para a Dinamarca. A Dagmar Imperatriz Maria Feodorovna morreu no seu país natal no dia 13 de Outubro de 1928, 9 anos depois.

 

Olga Alexandrovna com os filhos

 

Com a morte da sua mãe, a casa de Hvidore foi vendida e Olga conseguiu comprara a quinta Knudsminde, a alguns quilómetros de Copenhaga com a sua parte da herança. A sua quinta tornou-se no centro dos monarquistas russos exilados na Dinamarca e um local de passagem de muitos emigrantes russos. Ela manteve sempre o contacto com soldados e oficiais do seu regimento, com a família imperial e com os seus primos da família real dinamarquesa. Ela começou a vender os seus próprios quadros que estiveram em esposição em Copenhaga, Londres, Paris e Berlim. Uma parte do rendimento que a Grã-Duquesa fazia com a pintura ia para varias instituições de caridade russas.

 

No dia 9 de Abril de 1940, a Dinamarca neutra foi invadida pela Alemanha Nazi e consequentemente tornou-se num país ocupado durante a Segunda Guerra Mundial. Os armazéns de comida, comunicações, censura e fecho de transportes resultaram num grande grupo de dinamarqueses pobres. Os seus filhos, Tikhon e Guri serviram no Exército Dinamarquês antes de a Dinamarca ser invadida e, por serem dois Romanov, foram presos num campo de concentração mais liberal.

 

Olga com os filhos durante a Segunda Guerra Mundial

 

A sorte dos Romanov mudou para melhor quando a Alemanha se rendeu aos Estados Unidos, Reino Unido e União Sovietica no dia 5 de Maio de 1945. Quando as condições económicas da Dinamarca se recusaram a melhorar, o General Pyotr Krasnov escreveu à Grã-Duquesa alertando-a para as baixas condições de vida dos cidadãos na Rússia e dos emigrantes russos que viviam na Dinamarca. Olga escreveu imediatamente ao Principe Alex da Dinamarca a falar-lhe da luta económica da Rússia e ele prometeu ajudar os pobres russos, especialmente os Cuzacos.

 

Estaline controlava rudemente a Rússia. Ele provou ser um vizinho perigosos para a família Romanov quando enviou uma carta ao governo dinamarquês acusando a Grã-Duquesa e um bispo católico dinamarquês de conspiração contra o governo soviético. Quando as tropas soviéticas se aproximaram das fronteiras dinamarquesas após a II Guerra Mundial, o medo de uma tentativa de rapto ou assassinato contra os Romanov cresceu. Então a Grã-Duquesa decidiu mudar novamente a sua família para o outro lado do oceano, na segurança do Canadá rural.

 

Olga Alexandrovna nos seus últimos anos

 

Quando a quinta que compraram no Canadá se tornou cada vez mais num fardo, Olga, o marido e os filhos mudaram-se para uma pequena casa em Cooksville, Ontário, um subúrbio de Toronto. Os vizinhos e visitantes da região ganharam um grande interesse nos rumores sobre “a última Romanov” que vivia no Canadá e visitavam-na frequentemente. Dignitários estrangeiros e membros das famílias reais também visitavam a sua confortável casa com um grande jardim. Esses visitantes incluíram a Princesa Marina, Duquesa de Kent, filha da Grã-Duquesa Elena Vladimirovna da Rússia. Outros convidados notáveis incluíram a Princesa Tatiana Constantinovna e o Príncipe Vassily Alexandrovich. Uma das maiores visitas ocorreu quando a Reinha Isabel II, o Principe Filipe e o Príncipe Carlos foram a Toronto e convidaram a Grã-Duquesa para o almoço a bordo do Iate Real, HMY Britannia. Em 1951, antigos soldados do regimento de Olga reuniram-se em sua casa para celebrar o 300º aniversário da criação do mesmo. Pouco depois ela tornou-se presidente da Associação de Cadetes da Rússia Imperial no Canadá.

 

 

Depois da morte do marido em 1958, Olga ficou demasiado doente para tomar conta de si e mudou-se para a casa de amigos russos emigrados no Canadá que ficava em cima de um salão de beleza em Toronto. Aí ela podia ouvir a confortável língua da sua infância e cheirar e provar a comida da sua infância. Ela morreu no dia 24 de Novembro de 1960 com 78 anos de idade. Foi enterrada ao pé do marido no Cemitério York em Toronto, Ontário, Canadá. No funeral da última Grã-Duquesa da Rússia participaram muitos emigrantes bem como muitos amigos que ela tinha feito no seu novo país. Os Cadetes Imperiais Russos fizeram uma vigília e uma guarda de honra que durou dois dias. O “New York Times” fez manchete da sua morte nos obituários, mas, em vez de colocarem a sua fotografia, colocaram a da sua sobrinha Olga Nikolaevna. Muitas pessoas foram ao funeral, mas nenhum Romanov.

 

Olga é lembrada na cidade pelas instituições de caridade que fundou.

 

campa de Olga Alexandrovna e família em Toronto, Canadá


publicado por tuga9890 às 23:47
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Filme - Anastasia: The Mystery of Anna (1986)

 

Baseado na vida de Anna Anderson, este filme inicia a sua acção no último grande evento social dos Romanov antes de rebentar a revolução nas ruas de São Petersburgo. A família é depois exilada pelas novas forças e executada na cave da Casa Ipatiev.

 

Dois anos depois uma mulher tenta matar-se atirando-se para um canal de Berlim. Depois de passar vários dias num asilo sem dizer uma palavra, uma das suas colegas mostra-lhe uma revista da realeza e conta-lhe que uma das famílias ali representadas foi morta. Alguns dias mais tarde, a mulher tem um ataque de histeria quando lhe tentam tirar uma fotografia para tentar descobrir a sua identidade. Subitamente, assim que o flash dispara, a mulher desconhecida começa a lembrar-se do seu passado como Grã-Duquesa da Rússia Imperial e começa a sua busca pela sua família apoiada por Gleb Botkin.

 

A família não a reconhece... mas apenas porque querem o dinheiro do seu pai ou então porque a rapariga está tão mudada que parece impossível ser a filha mais nova do Czar da Rússia.

 

Está é considerada, em termos históricos, a pior adaptação da vida dos Romanov alguma vez feita (acima até do filme de animação que, pelo menos, não tenta ser sério). Tudo, desde a escolha do elenco (Omar Sharif para interpretar Nicolau II não seria a primeira escolha de muita gente, escolher uma rapariga de 12 anos para interpretar uma de 17 não parece a melhor decisão a tomar) até à própria "história" da família, alterada propositadamente para dar a credibilidade que Anna Anderson nunca teve (as crianças nunca aprenderam alemão, no entanto, numa cena, vemos Pierre Gilliard, tutor de francês, ser substituido por um tutor alemão que parece ter bastante sucesso a ensinar a jovem Grã-Duquesa a falar a língua), passando pelo grande drama de Anderson quando não é reconhecida pela família e amigos apenas por maldade.

 

Resumindo, todo o filme é uma campanha de sensibilização para Anna Anderson que morrera dois anos antes e não uma interpretação fiel dos factos.

 

O filme e a vida real

 

 

 

 

 

Imagens:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vídeo:

 

Com:

 

Amy Irving - Anna Anderson

Olivia de Havilland - Maria Feodorovna

Jennifer Dundas - Anastasia

Christian Bale - Alexis

Omar Sharif - Nicolau II

Clair Bloom - Czarina Alexandra

Jan Niklas - Príncipe Erich

Nicolas Surovy - Serge Marcov

Rex Harrison - Grão-Duque Cyril Romanov

Carol Gillies - Sasha

Julian Glover - Coronel Kobilinski
Tim McInnerny - Yakovlev

 

O filme está disponível na integra no YouTube.

música: Joe Purdy - "I Love the Rain the Most"

publicado por tuga9890 às 09:53
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Curiosidades (anormais) - As alturas das crianças imperiais

Por ordem decrescente:

 

Tatiana Nikolaevna

1.79 m

 

 

Maria Nikolaevna

1.73 m

 

Alexis Nikolaevich

1.70 m

 

Olga Nikolaevna

 

1.67 m

 

Anastásia Nikolaevna

1.58 m

 

E espero que muitas vidas tenham mudado por causa deste post... :-D

música: Regina Spektor - Real Love

publicado por tuga9890 às 16:40
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Pretendentes - Anna Anderson

 

Anastasia Manahan, mais conhecida como Anna Anderson, nascida no dia 22 de Dezembro de 1896, foi a mais famosa entre as várias pretendentes que, durante o século XX afirmaram ser a Grã-Duquesa Anastasia.

A maioria dos historiadores concorda que Anderson era realmente Franziska Shankowska, uma operária polaca. Logo durante os anos 20 esta versão tinha sido defendida por um detective privado e foi, durante os anos 90 confirmada por análises de ADN que a ligaram à família Schanzkowski e não à Romanov.

 

Franziska Schanzkowska

 

As declarações de Anna Anderson causaram controvérsia desde o inicio, em parte devido ao período conturbado que se seguiu à Revolução Russa e também devido às histórias contraditórias sobre o destino da família imperial que saiam da Rússia. Toda a família, incluindo Anastasia de 17 anos, tinha sido assassinada e as suas mortes verificadas e confirmadas por várias testemunhas. Yakov Yurovsky, a Checa e os comissários que chefiaram a execução garantiram que toda a família, incluindo Anastasia, estava morta. Nos anos que se seguiram à morte da família, apareceram também relatos que indicavam que um ou mais membros poderiam ter sobrevivido. Um desses relatos veio de Franz Syboda que vivia em frente da Casa Ipatiev e afirmou ter visto Anastasia ferida depois do assassinato da restante família. Contudo não existem provas que suportem estas afirmações a não ser o seu testemunho no tribunal. Thomas Hildebrand Preston, o Cônsul-Geral britânico em Ekaterinburgo em 1918, afirmou que o relato de Syboda era completamente falso.

 

Anastasia em 1917

 

A primeira declaração por parte de Anna Anderson afirmando ser a Grã-Duquesa Anastasia aconteceu depois da sua tentativa de suicídio falhada em Berlim em 1920, no entanto esta apenas se tornaria famosa em 1922. Mais tarde, ela explicou que tinha ido de comboio e caminhado por toda a cidade de Berlim para procurar a sua “tia”, a Princesa Irene, irmã da Czarina Alexandra. Assim que chegou ao palácio, ela disse ter medo que ninguém a reconhecesse ou, pior, descobrisse que tinha tido um filho fora do casamento. Com vergonha, ela tentou suicidar-se saltando de uma ponte para as águas gélidas do Canal de Landwehr.

A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna, irmã do czar Nicolau II, comentou que a tentativa de suicídio “é provavelmente o único facto incontestável da história”.

 

Anna Anderson em 1920

 

Anderson foi resgatada por um guarda que estava de passagem e foi imediatamente internada num asilo em Dalldorf. De acordo com os seus médicos, a jovem mulher tinha meia-dúzia de feridas de bala e cortes, incluindo uma grande cicatriz atrás da orelha. Os médicos acreditavam que fora este ferimento que originara a sua falta de memória inicial. Os médicos também afirmaram que aquela mulher se tratava provavelmente de uma “refugiada Russa” devido ao seu sotaque de leste europeu. Também notada foi uma cicatriz em forma de triângulo no seu pé. Devido ao facto de ela raramente falar e se recusar a dar qualquer informação sobre si, as enfermeiras deram-lhe a alcunha de Fräulein Unbekannt (Senhora Desconhecida). Contudo ela confessou à enfermeira Thea Malinovsky em 1921 que era a Grã-Duquesa Anastasia. Anderson permaneceu no asilo durante dois anos até que Clara Peuthert, uma das outras pacientes, a reconheceu como sendo a Grã-Duquesa Tatiana, baseando-se em fotografias das Grã-Duquesas que vira numa revista.

 

Grã-Duquesa Tatiana em 1917

 

A Baronesa Sophie Buxhoeveden, uma antiga dama-de-companhia da Czarina Alexandra, foi a primeira a visitor o asilo para determiner se as declarações de Anderson tinham fundamento. Quando chegou, a baronesa tirou Anna Anderson da cama e disse que ela era “demasiado baixa para ser a Tatiana”. Abandonou o local acreditando que tudo não passava de uma farsa e nunca mudou de opinião. Mais tarde Anderson afirmou que nunca disse ser Tatiana, mas sim Anastasia.

 

Anna Anderson durante a sua estadia num asilo de Berlim

 

Depois deste episódio, seguiu-se uma série de eventos que mudariam a vida de Anderson para sempre. A Senhora Desconhecida passou a apelidar-se a si mesma Anastasia Tschaikovsky (ela confessou ás pessoas mais próximas que o seu último nome se devia ao soldado russo que a tinha salvo, casado com ela e, eventualmente, lhe tinha dado um filho e que se chamava Alexandre Tschaikovsky) e dizia ter sobrevivido ao massacre na cave da Casa Ipatiev que tinha morto a restante família. Ela contou que, quando o assassínio começou, desmaiou e, depois de cair ao chão, foi protegida das balas pelo corpo da sua irmã Tatiana. O desconhecido Tschaikovsky e o seu irmão, supostamente um dos membros do esquadrão que matou a família, repararam que ela ainda estava viva por entre os cadáveres depois da execução e conseguiram retirá-la do edifício e passar pelos guardas armados. Depois do salvamento, ela foi supostamente levada para Bucareste por Alexandre, pelo seu irmão Serge, pela sua irmã Verónica e pela sua mãe. Ela disse ter tido um filho com Alexandre e ambos se casaram em Bucareste. Foi aí, de acordo com as suas declarações, que o seu marido foi morto durante um motim de rua. De acordo com Greg King e Penny Wilson, autores do livro “Fate Of The Romanovs”, é agora possível nomear com exactidão os 10 homens que dispararam contra a família em Julho de 1918 na Casa Ipatiev. Nenhum deles se chamava Tschaikovsky, como garantia Anna Anderson e não existe qualquer prova que apoie as suas afirmações. Outros mantinham-se cépticos em relação às suas declarações devido ao facto desta nunca ter tentado contactar a prima directa da sua mãe, a rainha Maria da Roménia, durante a sua suposta estadia em Bucareste.

Sobre Anna Anderson, a tia de Anastasia, Grã-Duquesa Olga Alexandrovna, disse:

“Em 1918 ou 1919, a Rainha Maria teria reconhecido a Anastasia imediatamente… a Maria nunca se teria chocado com nada, e uma sobrinha minha saberia disso… A minha sobrinha saberia que a sua condição teria, de facto, chocado a Princesa Irene.”

 

Depois de ter recebido alta do asilo em Berlim, Anderson recebeu abrigo por parte do barão Von Kleist, um imigrante russo que acreditava nela, contudo Anderson sentiu que estava a ser utilizada por ele como um artigo em exposição e por isso fugiu e foi levada pelo inspector Grünberg.

 

 

Enquanto Anderson estava com o Inspector Grünberg, a irmã da Imperatriz Alexandra, a Princesa Irene de Hesse e Rhine, foi visitar a sua suposta sobrinha sem revelar quem era. Irene não a reconheceu como fazendo parte da sua família. Mais tarde o seu filho, o Príncipe Sigismund, enviou uma lista de perguntas que dizia apenas a verdadeira Anastasia saber responder. Diz-se que Anderson respondeu a todas correctamente. Contudo Irene não ficou impressionada.

“Vi imediatamente que ela não podia ser uma das minhas sobrinhas. Mesmo sem as ver durante 9 anos, as características faciais fundamentais não se poderiam ter alterado tanto, particularmente a posição dos olhos, as orelhas, etc… Num primeiro olhar, qualquer um poderia talvez detectar uma vaga semelhança com a Tatiana.”

Durante o jantar, a pretendente, segundo testemunhas, tinha simplesmente abandonado a mesa e ido para o seu quarto. Mais tarde Anderson afirmou que o facto de o ter feito não se deveu a pressão, mas sim por se sentir enganada: ninguém lhe tinha dito que a sua suposta tia estaria entre os convidados. A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna comentou sobre a visita da Princesa Irene:

“Foi uma reunião pouco satisfatória, mas os apoiantes da mulher disseram que a Princesa Irene não conhecia muito bem as sobrinhas e tudo isso.”

 

A Princesa Irene

 

Em 1925, Anderson ganhou uma infecção no braço e foi novamente internada no hospital. Doente e perto da morte, ela perdeu muito peso. Foi durante este período que a Grã-Duquesa Olga Alexandrovna, irmã mais nova do Czar Nicolau II que tinha sobrevivido à revolução e vivia na Dinamarca viajou até Berlim para ver a mulher que dizia ser sua sobrinha. Ela passou vários dias com a paciente e ambas trocaram correspondência durante algum tempo. A escritora e ilustradora Harriet von Rathlef (autora de uma série de artigos intitulados “Anastasia, A Woman’s Fate as a Mirror of the World Catastrophe” publicados num jornal de Berlim em 1928), sugeriu que a Grã-Duquesa Olga Alexandrovna teve duvidas em relação ao facto de Anna Anderson ser uma fraude, assim como Pierre Gilliard e a sua esposa Alexandra Tegleva que tinha sido uma das amas de Anastasia. Contudo, de acordo com o Doutor Sergei Rudnev que estava a tratar de Anderson na altura, disse que Gilliard nunca tratou a jovem mulher por “Vossa Imperial Alteza” como Rathlef tinha defendido e acrescentou que era impossível a mulher que estava no hospital ser uma Grã-Duquesa. O facto de ela não saber falar nem escrever Russo, Inglês e Francês foi prova suficiente para Gilliard de que Anderson era uma impostora. O antigo tutor comentou sobre ela:

 

“A paciente tinha um nariz longo, muito levantado na ponta, uma boca enorme e lábios grossos; a Grã-Duquesa, pelo contrário, tinha um nariz pequeno e afiado, uma boca muito mais pequena e lábios finos. Retirando a cor dos olhos, não conseguimos encontrar nada que nos fizesse acreditar que esta era a Grã-Duquesa.”

 

 

Tanto a Grã-Duquesa Olga como Gilliard declararam mais tarde que sempre souberam que ela era uma fraude. Gilliard chegou mesmo a acusar Anderson de ser “uma psicopata golpista”. A irmã do Czar salientou também o facto de Anna Anderson parecer odiar Gilliard quando a sua sobrinha Anastasia tinha sido totalmente devota ao seu tutor. No entanto a Grã-Duquesa Olga sentia pena de Anderson e enviava-lhe pequenos presentes como pequenos álbuns de fotografias e xailes de lã. Sobre as suas acções, a Grã-Duquesa confessou numa carta:

 

“Fiz isto por pena. Não fazes ideia o quanto ela parecia desolada.”

 

De acordo com Coryne Hall, autor de “Little Mother of Russia”, Olga teve várias conversas sobre Anderson com a sua mãe, a Imperatriz Maria Feodorovna. O que foi dito, ninguém sabe, mas a Imperatriz deixou bem claro que não estava interessada e estava furiosa com a sua filha por ter ido até Berlim para se encontrar com ela.

 

“O que achas? exclamou ela, “Que eu ficaria aqui sentada e não correria para o lado da minha neta se soubesse que estava viva?

 

 

Na biografia autorizada de Olga, “The Last Grand Duchess” de Ian Vorres, a sua versão da história é contada:

 

“Quando Olga entrou no quarto, a mulher deitada na cama perguntou à enfermeira: “Ist das die Tant? [É esta a minha tia?]. “Isso”, confessou Olga, “afectou-me um pouco. Um pouco mais tarde lembrei-me que aquela mulher vivia na Alemanha há 5 anos e por isso seria natural que tivesse aprendido a língua, mas depois também me lembrei que quando a tiraram do canal em 1920, ela apenas falava alemão e isso era raro acontecer. As minhas sobrinhas não sabiam uma palavra de Alemão. A Senhora Anderson não parecia compreender uma única palavra de russo ou inglês, as duas línguas que as quatro irmãs tinham falado desde a infância. O francês veio um pouco mais tarde, mas nunca se falou alemão na família.”

 

Olga continuou,

 

“A minha adorada Anastasia tinha 15 anos quando a vi pela última vez no Verão de 1916. Ela teria 24 anos em 1925. Achei que a Senhora Anderson parecia muito mais velha do que isso. Claro que as condições de vida e de saúde prolongadas durante muito tempo poderiam ter ajudado. Mas mesmo assim as feições da minha sobrinha não se poderiam ter alterado para além de todo o reconhecimento. O nariz, a boca, os olhos, tudo era diferente.”

 

A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna salientou que as entrevistas se tornaram mais difíceis devido à atitude de Anderson. Ela recusava-se a responder a algumas perguntas e parecia zangada por estas serem feitas. Algumas fotografias dos Romanov foram-lhe apresentadas e, em algumas, ela não conseguiu reconhecer ninguém. Mais tarde a Grã-Duquesa Olga mostrou-lhe um pequeno ícone de São Nicolau, padroeiro da família imperial, mas Anderson tratou-o com indiferença, mostrando que aquilo não significava nada para ela.

 

“Aquela criança era como uma filha para mim. Assim que me sentei ao lado da cama do hospital soube que estava a olhar para uma estranha. Tinha deixado a Dinamarca com alguma esperança no coração, mas deixei Berlim com toda essa esperança extinta.”

Olga Alexandrovna ofereceu uma explicação e clarificação de uma das famosas “memórias” de Anderson:

 

“Os erros que ela cometia não poderiam de todo ser atribuídos a lapsos de memória. Por exemplo, ela tinha uma cicatriz num dedo e insistia perante toda a gente que ela tinha sido esmagado devido a um cocheiro que tinha fechado a porta da carruagem demasiado depressa. E então eu finalmente lembrei-me do incidente. Foi a irmã dela, Maria, que magoou bastante a mão e isso não aconteceu numa carruagem, mas sim no comboio imperial. Obviamente alguém, tendo ouvido algo sobre o acidente, tinha treinado a Senhora Anderson para contar uma versão distorcida.”

 

Olga Alexandrovna com as suas sobrinhas Tatiana e Olga

 

O Príncipe Cristóvão da Grécia comentou sobre a visita da sua prima Olga Alexandrovna a Anna Anderson,

 

“Mesmo quando a Grã-Duquesa Olga, a tia favorita dos filhos do Czar, foi levada para a ver, ela não mostrou qualquer sinal de a reconhecer e não se conseguia lembrar do nome do cão que sempre fora conhecido na família.”

 

Outro tutor imperial, Charles Sydney Gibbes, conheceu Anderson muito mais tarde em Paris e também a denunciou. Tinha a certeza de que era uma fraude, afirmando que “se aquela é a Grã-Duquesa Anastasia, então eu sou um chinês.” Mais tarde, Gibbes colocou a sua opinião de uma forma mais formal:

 

“Ela não se parece nem um pouco com a verdadeira Grã-Duquesa Anastasia que eu conheci. Estou bastante satisfeito que seja uma impostora.”

 

É curioso que Anna Vyruboya, uma amiga próxima e confidente da Czarina Alexandra nunca foi questionada sobre Anderson. Foi mencionado por Tatiana Botkin que, tendo sido ela uma “seguidora de Rasputin”, a sua associação com o monge não seria bem recebida, no entanto a razão mais provável prender-se-ia com o facto de ela se ter tornado uma freira Ortodoxa, logo o seu testemunho seria mais difícil de ser levado a sério pelos defensores de Anna Anderson, mesmo apesar de Vyruboya ser aquela que mais facilmente teria descoberto a fraude.

 

Outras pessoas que conheciam bem a jovem Anastasia como a ama de infância, Alexandra Tegleva não reconheceram Anna Anderson. Tegleva, acompanhada pelo seu marido, Gilliard, visitou-a em 1925 e confirmou que o defeito no pé era idêntico ao da Grã-Duquesa. “Ela tem, de certa forma, o corpo parecido com o de Anastasia”, declarou ela. Anderson perguntou a Shura para lhe esfregar a testa com perfume, um ritual que ela se lembrava partilhar com Anastasia durante a sua infância quando ela queria que a sua ama “cheirasse como uma flor”. Shura, como muitos outros, nunca apoiou oficialmente Anderson. Contudo, a amiga da Imperatriz, Lili Dehn chegou a identificá-la como Anastasia.

 

A antiga princesa alemã, Cecília também a visitou em 1925 e comentou:

 

“Era virtualmente impossível comunicar com esta pessoa. Ela permaneceu completamente calada e isso não se devia nem à sua persistência nem ao facto de estar completamente confusa.”

 

O Príncipe Cristóvão da Grécia, primo directo de Nicolau II, escreveu sobre ela nas suas memórias:

 

“Dezenas de pessoas que tinham conhecido a Grã-Duquesa Anastasia foram levadas para ver a rapariga na esperança de que a pudessem identificar, mas nenhum deles conseguiu chegar a qualquer conclusão definitiva. A pobre rapariga era uma figura patética na sua solidão e fraca saúde e era mais do que compreensível que muitos dos que a conheciam deixassem a sua pena sobrepor-se à sua lógica de pensamento. Mas ao mesmo tempo havia muito poucas provas ou substância na sua história. Ela era incapaz de reconhecer pessoas com quem a Grã-Duquesa Anastasia se tinha relacionado intimamente.”

 

 

Gleb Botkin e a sua irmã Tatiana Botikina, sobrinho e sobrinha de Serge Botkin, que era na altura chefe da sociedade de emigração russa em Berlim e filho e filha do médico particular da família, o Doutor Eugene Botkin e que foi morto juntamente com os Romanov na Casa Ipatiev em 1918, foram dois dos maiores apoiantes de Anna Anderson. Gleb e Tatiana Botkin passaram grande parte da sua infância e adolescência perto da família imperial. O tio de Gleb e Tatiana, como presidente dos exilados russos na Alemanha veio em defesa de Anderson. Tem havido muita especulação sobre o facto de terem sido os Botkins que fabricaram toda a história de Anna Anderson, ajudando-a com as memórias em troca de fama e lucro. Ambos os irmãos escreveram livros sobre Anderson. Outros, incluindo Peter Kurth, autor de “Anastasia: The Riddle Of Anna Anderson” acreditam que os Botkins eram sinceros nas suas crenças em relação a Anderson. Frances Welch, autor do livro “A Romanov Fantasy: Life at the Court of Anna Anderson” descreve os Botkins como genuinos, no entanto enganados pela sua esperança/crença de Anna Anderson era a sua perdida companheira Anastasia.

 

Gleb Botkin nos anos 60

 

O Doutor Von Berenberg-Gossler, advogado de acusação no julgamento de Anderson nos anos 50, acredita que, apesar de o desejo dos emigrantes russos de encontrar a sua Grã-Duquesa viva ter tido uma grande importância para o caso, a principal motivação por detrás da luta de Anderson era o dinheiro: a suposta fortuna perdida do czar estava avaliada em 80 milhões de dólares.

 

“Penso que foi no inicio dos anos 30 que uma empresa (Grandanor) apareceu”, diz ele, “e vendia certificados em proporção aos rublos de ouro do Czar, alegadamente guardados no Banco de Inglaterra e tinha a intenção de os tornar válidos no caso de Anderson “herdar” os seus fundos. Estes papéis não valiam nada. Serviram apenas para fazer a empresa enriquecer.”

 

Gleb Botkin conheceu Anna Anderson em Maio de 1927 e declarou imediatamente que ela era Anastasia. Mais tarde decidiu levá-la com ele para Nova Iorque onde escreveu artigos sobre Anderson que vendeu a vários jornais. Num esforço para atrair atenção para Anderson, Botkin atacou as irmãs de Nicolau II em particular e a família Romanov em geral.

 

Apesar de não ter havido nenhuma declaração por parte da família em relação às declarações de Anderson, a saga continuou. Os Romanov acreditavam que Gleb Botkin e os seus cúmplices procuravam dinheiro que não possuíam. A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna comentou:

 

“A minha opinião é que tudo isto começou com algumas pessoas sem escrúpulos que pensaram conseguir ganhar pelo menos uma parte na fabulosa fortuna Romanov que, na verdade, não existe.”

 

A opinião de Olga era apoiada pelo facto de a Imperatriz Maria Feodorovna depender de uma pequena pensão que recebia do seu sobrinho, o rei Jorge V e da sua irmã Xenia viver numa casa que conseguira graças à bondade do rei de Inglaterra. Eles acreditavam que os Botkins queriam usar o dinheiro para os seus próprios projectos e apenas usavam Anna Anderson como um fantoche. A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna comentou:

 

“Os rumores mais maliciosos sobre aquela “fortuna” começaram a aparecer pouco depois da Senhora Anderson aparecer em Berlim em 1920. Ouvi dizer que tudo tomou figuras astronómicas. Era tudo fantástico e terrivelmente vulgar. A minha mãe teria aceitado uma pensão do rei Jorge V se tivéssemos dinheiro em Inglaterra? Nada disto faz sentido para mim.”

 

O Grão-Duque André Vladmirovich, primo de Nicolau II que teve algum contacto com Anastasia antes da revolução, encontrou-se com Anderson em 1928 antes de ela partir para Nova Iorque com Botkin. Ele escreveu à sua prima Olga:

 

“Para mim não existem dúvidas; ela é a Anastasia.”

 

Anna Anderson em 1927

 

Pouco depois de Gleb Botkin escrever a sua famosa carta, o Grão-Duque André escreveu a Tatiana Botkin:

 

“Ele tem a noção do que fez? Ele arruinou tudo!”

 

Tatiana Botkin escreveu,

 

“O Grão-Duque André também salientou que o caso se está a começar a transformar numa intriga pela fortuna do Czar (…) Isto irrita profundamente o Grão-Duque e ele não deseja ver o seu nome envolvido.”

 

O Principe Felix Yussopov, marido da Princesa Irina da Rússia, filha da Grã-Duquesa Xenia, escreveu ao Grão-Duque André sobre Anna Anderson,

 

“Digo categoricamente que ela não é a Anastasia Nikolaevna, mas apenas uma actriz aventurosa, doente, histérica e assustada. Simplesmente não consigo compreender como pode alguém duvidar disto. Se tu a tivesses visto estou convencido de que ficarias horrorizado com o pensamento de que aquela criatura assustadora poderia ser filha do nosso Czar. Estas fingidoras têm de ser reunidas e enviadas para um lugar bem longe.”

 

A antiga empregada do Czar, casada com o Grão-Duque André depois da revolução, Mathilde Kschessinska conheceu Anna Anderson no final da sua vida por curiosidade.

 

Algumas pessoas (neste caso o Capitão Felix Dassel) questionava-a com afirmações enganosas como “A sala do bilhar ficava no segundo andar” e Anderson respondia, “Não te lembras de nada. O bilhar estava no primeiro andar.” O Príncipe Cristóvão da Grécia comentou sobre o suposto conhecimento de Anderson em relação às residências imperiais que Anastasia conhecia extremamente bem:

 

“As descrições dos quartos em diferentes palácios e outros lugares familiares a qualquer um dos membros da família imperial eram frequentemente incorrectos.”

 

Felix Yussopov, a sua esposa Irina e a filha de ambos

 

Ernesto Ludwig, irmão da Czarina Alexandra, contratou um detective privado, Martin Knopf, para investigar o passado obscuro de Anna Anderson. Acreditava-se que Anderson era a operária desaparecida chamada Franziska Schankowski, que tinha sido ferida por deixar cair uma granada na fábrica de munições onde trabalhava. Anderson dizia que os seus ferimentos eram o resultado da execução.


Para ver se esta história era verdadeira, o embaixador dinamarquês Zahle, um grande apoiante de Anna Anderson (a Grã-Duquesa Olga Alexandrovna comentou sobre Zahle: “Ele nunca conheceu a minha sobrinha, mas era uma espécie de intelectual e toda a história parecia-lhe o maior puzzle histórico do século e ele estava determinado a resolvê-lo”) e outra grande apoiante, Harriet von Rathlef, arranjaram um encontro entre Anderson e o irmão de Franziska Schankowski, Felix. Quando Felix viu Anderson e lhe perguntaram quem ela era, ele respondeu, “Esta é a minha irmã Franziska”. Apenas quando lhes foi permitido que falassem em separado é que Felix, depois de lhe pedirem que assinasse um documento que provava as suas declarações, sem explicar porquê, mudou de ideias. “Não vou assinar isso. Aquela não é defenitivamente a minha irmã.” Depois apontou várias diferenças entre aquela mulher e a sua irmã. Nesse mesmo ano Anderson encontrou-se com outros membros da família Schankowski. Gertude Schankowski levantou-se da mesa e gritou:


“Tu és a minha irmã! És a minha irmã! Eu sei que és! Deves-me reconhecer!”

Mais tarde o seu irmão Felix disse à sua filha:


“Deixámo-la em paz para a “carreira” dela como Anastasia.”

 

 

 

Em 1938, o advogado de Anderson iniciou um processo nos tribunais alemães para reclamar uma herança aos parentes europeus da Imperatriz Alexandra que tinham declarado toda a família morta. Os advogados de Anderson declararam que a Grã-Duquesa Anastasia ainda estava viva. Os seus apoiantes lutaram a seu lado pelos seus direitos.

 

Foram chamados especialistas para comparar as feições de Anna Anderson com as de Anastasia. Um especialista, Moritz Furtmayr, declarou que a sua orelha era igual em 17 pontos anatómicos à de Anastasia. A sua escrita foi declarada pela Doutora Minna Becker como sendo idêntica à da Grã-Duquesa. Os argumentos de defesa e acusação foram bem articulados. Os tribunais alemães ouviram um número infinito de especialistas e testemunhas, documentos e fotografias que, de ambos os lados, pareciam provar exactamente o oposto do dia anterior. Os opositores de Anderson incluíam o primo de Anastasia, Lord Mountbatten, sobrinho da Czarina Alexandra e Grão-Duque de Hesse, que lutou até ao exaustação para provar que ela era Franziska Schanzkowska.


Logo em 1928, 24 horas após a morte da Imperatriz Maria Feodorovna, foi assinada uma declaração por 12 membros da família Romanov e 3 da família de Alexandra onde estes deixavam bem claro que não acreditavam nem apoiavam Anna Anderson como sendo a Grã-Duquesa Anastasia. O documento foi apresentado várias vezes durante o julgamento que só seria encerrado em 1970 quando o tribunal decidiu que não podia provar que Anna Anderson era Anastasia nem o contrário.

 

 

 

Nos anos 60, Anderson mudou-se para os Estados Unidos e continuou a viver com amigos até se fartar e se mudar para um hotel. Pouco depois casou-se com um milionário/historiador americano chamado John “Jack” Manahan. Ambos viveram juntos em Charlottesville, Virginia até à morte de Anna Anderson em 1983.

 

Anna Anderson nos seus últimos anos de vida

 

Vários anos após a sua morte, um tecido do seu corpo deixado no hospital de Charlottesville foi utilizado para fazer análises de ADN na mesma altura em que os primeiros corpos da família real apareceram em 1991. Comparando os resultados com o ADN dos Romanov e com o sobrinho-neto de Franziska Schanzkowska chegou-se à conclusão que Anna Anderson não tinha qualquer ligação com a família imperial, mas sim com a família Schanzkowska, encerrando-se assim o mistério que a rodeava.

 

campa de Anna Anderson em Charlottville, Virginia


publicado por tuga9890 às 13:16
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