Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Curiosidades - A Canonização dos Romanov

A primeira fase de canonização da família Romanov à Igreja Ortodoxa Russa aconteceu em 1981 quando uma entidade independente desta instituição (a Igreja Ortodoxa Russa no Estrangeiro) elevou a família ao estatuto de “Novos Mártires”. Juntamente com a família foram também canonizados os servos que foram mortos juntamente com eles bem como dois dos seus antigos servos (a dama-de-companhia Anastasia Hendrikova e a tutora Catherine Adolphovna Scheider) que foram mortos em Setembro de 1918. Todos foram canonizados como vitimas da opressão da União Soviética.

 

A irmã de Alexandra, a Grã-Duquesa Elizabeth Fyodorovna, que foi assassinada pelos bolcheviques no mesmo dia da irmã, foi canonizada também como Nova Mártir pela mesma instituição, juntamente com outros membros da família mortos durante a perseguição soviética aos membros da realeza e alguns servos também mortos com eles.

 


imagem da família real como martires da Igreja Ortodoxa Russa

 

Em 1992, a Grã-Duquesa Elizabeth Feodorovna e Varvava Yakovlevna foram finalmente canonizadas no seio da própria Igreja Ortodoxa Russa, ao contrário de outras pessoas que tinham sido mortas com elas, o que provocou alguma polémica.

Em 2000, depois de muito debate, a família Romanov foi canonizada como “Portadores da Paixão” pela instituição Ortodoxa dentro da Rússia. Contudo, ao contrário da instituição estrangeira, a Igreja Ortodoxa Russa escolheu não canonizar dois dos servos por serem de religiões diferentes. (Alexis Trupp que era Católico e Catherine Adolphovna era Luterana)

 

As canonizações foram controversas em ambas as igrejas. Em 1981, aqueles que se opuseram a tal glorificação, salientaram o carácter fraco de Nicolau como governante e afirmaram que foram as suas próprias acções que levaram à Revolução Bolchevique. Um padre da Igreja Ortodoxa no Estrangeiro respondeu a esta critica afirmando que as canonizações na Igreja Ortodoxa nada tinham a ver com as acções pessoais do Mártir, mas sim com a forma como ele ou ela foi morto. Outros críticos realçaram que, da forma que esta canonização decorreu, a Igreja Ortodoxa Russa no Estrangeiro mais parecia estar a culpar os revolucionários judeus pelas suas mortes numa referência ao conhecido anti-semitismo do czar Nicolau II.

 


 

 

Outros rejeitaram a classificação da família como “Mártires”, uma vez que eles não foram mortos devido à sua fé religiosa e não existem provas de que a sua execução foi um assassinato ritualizado. Os líderes de ambas as igrejas também levantaram dúvidas em relação a esta canonização pois viam Nicolau II como um líder incompetente que se conduziu a si próprio e à sua família à cave da Casa Ipatiev e provocou sofrimento ao seu povo. Para estes opositores, o facto de Nicolau ter sido, na vida privada, um homem bom e um bom marido e pai não era suficiente para esconder o desastre do seu reinado.

 


Nicolau, Portador da Paz

 

Finalmente, a Igreja Ortodoxa Russa decidiu canonizar a família como “Portadores da Paz”, ou seja, pessoas que enfrentaram a morte com humildade Cristã. Os defensores desta elevação citaram vários exemplos de outros Czares e Czareviches que tinham sido canonizados antes como o Czarevich Dimitri, assassinado no final do século XVI. Realçaram também o facto de que, de acordo com alguns relatos, a Czarina e a sua filha mais velha Olga terem rezado e tentado fazer o sinal da cruz imediatamente antes de morrerem. É de notar, no entanto, que apesar de serem oficialmente designados de “Portadores da Paixão”, todos os membros da família são, geralmente, referidos como “Mártires” em publicações da igreja, ícones e em veneração popular.

 


icone da familia

 

Os corpos do Czar Nicolau II, da Czarina Alexandre II e de três das suas filhas foram finalmente enterrados na Catedral da Fortaleza Pedro e Paulo em São Petersburgo no dia 18 de Julho de 1998, 80 anos depois de serem assassinados. Os corpos de Alexis e de uma das suas irmãs continuavam desaparecidos. No dia 23 de Agosto de 2007, um arqueólogo russo anunciou a descoberta de dois esqueletos queimados num local perto de Ekaterinburgo que pareciam corresponder o local descrito pelo homem que liderou a execução da família, Yakov Yurovsky. O arqueólogo disse que os ossos eram de um rapaz que teria morrido entre as idades de 12 e 13 anos e de uma jovem mulher que teria entre 18 e 23 anos. Anastasia tinha 17 anos e um mês de idade quando foi assassinada, enquanto que a sua irmã Maria tinha 19 anos e o seu irmão Alexis estava a duas semanas de completar 14 anos. As irmãs mais velhas, Olga e Tatiana, tinham 22 e 21 anos. Juntamente com os restos mortais, os arqueólogos encontram “restos de um recipiente que continha ácido sulfúrico, unhas, pedaços de metal de uma caixa de madeira e balas de vários calibres.”

 

 

Os testes preliminares indicaram que existia uma grande probabilidade de que os restos mortais pertencessem ao Czarevich Alexis e a uma das suas irmãs de acordo com o anuncio do dia 22 de Janeiro de 2008. Mais tarde, no dia 30 de Abril de 2008, foi anunciado que os testes de ADN provavam que os restos mortais pertenciam a Alexis e Maria.

 

Desde o final do século XX que os crentes atribuem curas milagrosas ou conversões à Igreja Ortodoxa às suas rezas a Alexis, Maria e ao resto da família.

 

tumulo da família na catedral da fortaleza Pedro e Paulo em São Petersburgo

música: Brandi Carlli - "The Story"

publicado por tuga9890 às 12:07
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Notícias - Novo Filme sobre os Romanov

 

Uma nova produção sobre os Romanov acaba de estrear na Rússia... bem, pelo menos uma espécie de referência.


O filme conta a história de um grupo de soldados que tem como missão resgatar a família da casa Ipatiev, mas que, obviamente, vai ter alguns problemas com o Exercito Vermelho que domina a área.

 

 

A tradução literal do título do filme é "Salvem o Imperador", mas segundo alguns fãs da última família imperial russa que já tiveram a sorte de dar uma olhadela, se alguém vai ver o filme com esperança de ver muitas cenas com os Romanov, então vão sair desiludidos, porque, no total... existe apenas uma, que por acaso é aquela representada nas imagens.

 

música: Jeremy Kay - "Have It All"

publicado por tuga9890 às 15:27
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Locais - A Casa Ipatiev

 

Quando foi decidido prender a família Romanov em Ekaterinburgo, uma cidade mineira no centro da Sibéria, os bolcheviques escolheram uma casa localizada no centro histórico da cidade na Rua Voznessenki para ser usada como prisão.

O nome da casa vem do nome do seu proprietário, Nikolai Ipatiev. Este homem viveu com a sua família no primeiro andar da casa e usou os quartos subterrâneos como escritórios para o seu negócio de metalúrgica.  Era uma casa espaçosa (18 por 31 metros quadrados) e moderna com electricidade, telefone e até uma casa-de-banho com lavatório (muito raro na altura). A casa tinha também um terraço e um pequeno jardim com algumas árvores e arbustos.

 

A vedação de madeira da casa Ipatiev

 

A casa foi construída em 1897 por um homem chamado Andrei Redikortsev, que era um engenheiro nas minas de ferro. Mas Andrei estava envolvido em casos de corrupção e foi obrigado a vendê-la a outro homem, IG Charaviev. Este homem também trabalhava no negócio mineiro, mas nas minas de prata no Oeste dos Montes Urais. Em 1908, Charaviev vendeua casa a Nikolai Ipatiev por 6000 rublos.

 

Dez anos depois, no dia 27 de Abril, os bolcheviques ordenaram a Nikolai que abandonasse a sua casa dentro de dois dias depois de guardar todos os seus bens num pequeno quarto fechado no andar de baixo, mesmo ao lado da cave

 

a casa Ipatiev  na  cidade de Ekaterinburgo

 

A família imperial viveu na casa desde Abril até Julho, sob condições lastimáveis onde faltavam a privacidade e o respeito. Todos os dias tinham apenas uma hora para abandonar o seu interior e passear pelo jardim.

 

o jardim da casa Ipatiev

 

Na  casa as quatro Grã-Duquesas partilhavam um quarto enquanto que os seus pais e Alexis se reuniam noutro. Quase todos os dias os bolcheviques surpreendiam a família e os poucos acompanhantes que restavam com inspecções surpresa.

 

 

patamar superior

 

A família foi assassinada na cave da casa na madrugada do dia 18 de Julho de 1918. Nas suas paredes, um dos carrascos escreveu:

 

"E na mesma noite, Belsaczar foi morto pelos seus próprios escravos"

 

Trata-se de uma referência ao último rei da Babilónia, Belsazar, onde foi acrescentada deliberadamente a palavra "czar.

 

cave da Casa Ipatiev após o assassinato

 

Outras imagens da casa:

 

 

sala de desenho

 

sala de jantar

 

quarto das Grã-Duquesas

 

quarto de Nicolau, Alexandra e Alexis

 

detalhe da parede do quarto do czar

 

Após a morte dos Romanov a casa teve muitos usos.

Logo em 1923, as fotografias da casa foram espalhadas pela imprensa Sovietica como “o último palácio do último czar”. Em 1927, a casa foi introduzida num ramo do Museu da Revolução dos Montes Urais. Depois disso tornou-se numa escola de agricultura para, em 1938, se transformar num museu Anti-religioso. Durante este período era costume os membros do partido comunista que visitavam a casa tirar fotografias junto da parede danificada pelos assassinatos do czar e da família na cave. Em 1946 tornou-se a sede do Partido Comunista local. Em 1974 foi oficialmente registada como “Monumento Histórico da Revolução”, no entanto, para embaraço do governo, a casa estava a tornar-se um popular local de peregrinação para aqueles que queriam honrar a memória da família imperial.

 

 

Em 1978, à medida que o 60º aniversário da execução da família se aproximava, o Politiburo decidiu tomar medidas, declarando que a casa não tinha “importância histórica suficiente” e ordenou a sua demolição. Esta tarefa passou para as mãos de Boris Iéltsin, responsável pelo partido local que demoliu a casa em Julho de 1977. Mais tarde ele escreveu nas suas memórias publicadas em 1990 que, “mais cedo ou mais tarde todos estaremos envergonhados com este exemplo de barbaridade”. Mas apesar desta acção, os peregrinos continuavam a chegar ao local, muitas vezes em segredo, a meio da noite. Muitos deixavam as suas lembranças no local vazio.

 

 

Após a queda da União Soviética foi erguida uma cruz no local onde se encontrava a cave, de forma a não esquecer as atrocidades lá cometidas. No momento em que esta cruz foi colocada, existem relatos de que, no meio do dia cinzento e cheio de nuvens, um raio de sol a iluminou durante 40 minutos apesar de o dia continuar escuro.

 

Mais tarde seria construída a Igreja do Sangue Derramado de Todos os Santos perto do local para que todos pudessem prestar a devida homenagem aos Romanov.

 

a cruz representando o local onde se encontrava a cave

música: Iron & Wine – "Sunset Soon Forgotten"

publicado por tuga9890 às 18:52
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Biografia - Alexis (Alexei) Nikolaevich

 

Alexis Romanov era o filho mais novo de Nicolau II e Alexandra da Rússia, nascido a 12 de Agosto de 1904 no Palácio de Peterhof.

 

Alexis nos braços do pai em 1904

 

Depois de quatro Grã-Duquesas, a chegada do tão esperado herdeiro ao trono foi comemorada de forma grandiosa.

 

Alexis foi baptizado no dia 3 de Setembro de 1904, na capela do Palácio de Peterhof. Os seus padrinhos principais foram a sua avó paterna e o seu tio-avô, o Grão-Duque Alexei Alexandrovich . Outros padrinhos incluíam a sua irmã mais velha Olga, o seu bisavô, o rei Cristiano IX da Dinamarca, o rei Eduardo VII do Reino Unido, o Principe de Gales e o imperador Alemão Guilherme II. Estando a Rússia no meio de uma guerra com o Japão, todos os oficiais e soldados do exército e marinha russos foram padrinhos honorários.

 

Alexis em 1906

 

O baptizado do novo Czarevich foi também a primeira cerimónia oficial na qual participaram alguns membros mais novos da família imperial, incluindo os filhos mais novos do Grão-Duque Constantino Konstantinovich , as irmãs mais velhas de Alexis , Olga e Tatiana e a sua prima, a Princesa Irina Alexandrovna . Para esta ocasião, os rapazes usaram uniformes militares em miniaturas e as raparigas usaram uma versão mais pequena do vestido da corte. O sermão foi lido por São João de Konstadt e o bebé foi levado até ao altar pela Princesa de Galtizine. Como medida de precaução, foram colocadas solas de borracha nos seus sapatos para evitar que escorregasse neles.

 

No iate do pai em 1905

 

"O Alexis era o centro das atenções desta família unida, o centro de todas as esperanças e afectos," escreveu o tutor Pierre Gilliard. "As irmãs veneravam-no. Ele sempre foi o orgulho e alegria dos pais. Quando ele estava bem, o palácio transformava-se. Tudo e todos que lá estivessem pareciam mergulhados na luz do sol." O rapaz era muito parecido com a sua mãe, Alexandra, segundo Gilliard. Era alto para a sua idade, com "com um rosto bem definido, feições delicadas, cabelo castanho-claro com um brilho ruivo, e grandes olhos azuis acinzentados, como a mãe."

 

Alexis tinha poucos meses de vida quando, depois de um fio de sangue começar a escorrer do seu umbigo, se descobriu que sofria de hemofilia.

 

com a irmã Anastasia

A hemofilia é uma doença hereditária que impede o corpo de controlar hemorragias tanto externas como internas.   A Hemofilia impede a coagulação sanguínea,   logo, quando um vaso sanguíneo é danificado, um coágulo não se forma e o vaso continua a sangrar por um período excessivo de tempo. A  hemorragia pode ser externa, se a pele é danificada por um corte ou abrasão, ou pode ser interna, em músculos, articulações ou órgãos. Qualquer queda pode dar inicio a uma hemorragia interna que, por sua vez, pode levar à morte.

 

O gene que provoca a doença é normalmente transmitido de mãe para filho, uma vez que a fêmea pode ser portadora deste, mas não pode sofrer da doença. Alexis foi afectado pela sua mãe, que recebeu o gene da sua mãe, que por sua vez, o recebeu da sua mãe, a Rainha Vitória. Vários membros de famílias reais por toda a Europa que tinham ligações com a de Alexandra sofriam também da doença.

 

Alexis com a mãe em 1906

 

Apesar de inteligente e afectuosa, a sua educação era frequentemente interrompida por ataques de Hemofilia e ele era bastante mimado, uma vez que os seus pais não conseguiam discipliná-lo devido à doença. Foram contratados dois marinheiros da Marinha Imperial, Nagorny e Derevenko, para tomarem conta dele e, acima de tudo,  certificarem-se de que ele não se magoava. Ele estava proibido de andar de bicicleta sozinho ou de brincar demasiado. Devido ao facto de o seu sangue não coagular normalmente, qualquer inchaço ou nódoa negra podiam matá-lo. Apesar das restrições à sua actividade, Alexis era activo e mal comportado por natureza. Recusava-se a falar outra língua que não o russo (os filhos de Alexandra falavam Inglês com a mãe e Russo com o pai) e gostava de usar trajes tipicamente russos. Quando era mais novo gostava de, ocasionalmente, pregar partidas aos convidados dos pais.

 

 

Alexis costumava fazer troça de um dos marinheiros (Derevenko) que o protegiam e lembrava-o frequentemente da sua incapacidade para o manter quieto. "Olha para o gordo a correr!", gritava em ocasiões públicas. Por vezes cumprimentava pessoas que lhe faziam vénia acertando-lhes com alguma coisa na cara ou dando-lhes um nariz a sangrar. Os pais diziam às vítimas de Alexis que ele era "uma criança traquina". Com 7 anos envergonhou os pais durante um jantar de família. Provocou as pessoas que estavam na mesa, recusou-se a sentar na cadeira, não comeu a comida a lambeu o prato. O seu pai desviou o olhar e tentou ignorar o comportamento do filho. A sua mãe acabou por culpar a irmã Olga, que estava sentada ao pé dele, por não o ter controlado. Segundo o Grão-Duque Constantino Konstantinovich , a reacção de Alexandra não fez sentido. "A Olga não consegue lidar com ele," escreveu no seu diário.

 

Alexis em 1908

 

O tutor de Alexis, Pierre Gilliard, falou com os seus pais sobre o seu comportamento, acabando por os convencer de que a autonomia o ajudaria a desenvolver melhor o seu controlo. Com o tempo Alexis acabou por ganhar uma liberdade fora do comum e, associada à sua doença, acabaram por lhe dar mais consciência.

 

No Palácio de Alexandre

 

Durante as crises de Hemofilia, a sua única esperança era Gregório Rasputine, um monge da Sibéria que tinha o dom de, aparentemente, curar o Tsaraevich . Com a sua presença, Alexis conseguia ter uma vida mais produtiva. Sempre que tinha uma crise, Rasputine era chamado ao palácio e curava-o. Quando tinha 8 anos, o herdeiro sofreu a sua pior crise de Hemofilia. Quando a família voltava a casa ainda no seu Iate Standart , após umas férias muito activas, Alexis magoou o joelho quando saltou para o barco depois de ir apanhar conchas. O médico da família, Botkin , estava com a família e examinou o rapaz. Tudo parecia normal e Alexis dizia que nada lhe doía. No entanto, apenas o terá dito para poder continuar a brincar com os amigos.

 

Uma fotografia tirada durante o ataque de hemofilia no Verão de 1912. Pode vêr-se o joelho direito mais saliente do que o esquerdo

 

Quando foi acordado na manhã seguinte por Derevenko , o marinheiro reparou que ele estava coberto de suor e parecia estar a sofrer. Quando Devenko lhe perguntou se estava a sentir alguma coisa, Alexis disse estar bem e então o marinheiro saiu do quarto. Cerca de 15 minutos mais tarde, o herdeiro saiu do quarto e a sua família já estava pronta para uma sessão fotográfica que tinha sido marcada para esse dia. Quando subiu ao convés, caminhava normalmente, apesar da dor.

 

Depois de tirar algumas fotografias no convés do barco, o fotografo sugeriu que a família se dirigisse à ponte para os fotografar lá. Nesta altura, Alexis começava a deixar de falar. Pierre Gilliard , que estava presente, reparou no inchaço na perna do aluno e associou-o a outros ataques de Hemofilia que tinha visto no herdeiro.

 

Enquanto os outros membros da família se dirigiam para a ponte, Alexis deixou-se ficar encostado à parede enquanto que a mãe lhe gritava para ele se despachar. Foi então que Gilliard pediu a Alexis para esperar, o que alertou Alexandra que foi ter com os dois. Receando ter de passar os dias que restavam do cruzeiro na cama, Alexis disse que estava bem e começou a correr até à ponte, no entanto a meio do caminho desmaiou e acabou por ferir também o cotovelo.

 

outra fotografia do mesmo dia

 

Nessa noite Alexis teve de ser atado à cama e amordaçado para que a tripulação do navio não ouvisse os seus gritos. Quando eles chegaram ao cais na Polónia, receberam imediatamente um telegrama de Rasputine, Gilliard foi o primeiro a lê-lo. O monge dizia que sabia que o herdeiro estava doente e alertou contra o uso de morfina (administrada para que Alexis não sentisse dor), uma vez que ele era alérgico à mesma. Gilliard correu até ao quarto de Alexis e leu-o a todos os presentes. No fim do telegrama Rasputine também dizia que ele ficaria bem muito brevemente e que não era preciso haver preocupação. Na manhã seguinte, diz-se que Alexis estava bem. Esta história nunca foi confirmada.

 

 

Em Setembro de 1912, após a celebração pública do centenário da derrota de Napoleão, houve uma Gala em Bordino . Nesta festa estiveram presentes a família real, a corte principal (Gilliard , Botkin , Derevenko ...) e muitos dignitários estrangeiros. Durante a noite, Alexis e um amigo encontraram alguns copos cheios de vodka, então decidiram experimentá-los e poucos minutos mais tarde estavam intoxicados. Pierre Gilliard falou com eles durante alguns momentos e percebeu o que tinha acontecido. Então dirigiu-se à mãe de Alexis e contou-lhe o que viu. Ela não acreditou nele, por isso o tutor apontou para o lugar onde eles estavam. Alexis e o amigo estavam a rir-se e a comportar-se de uma forma estranha. Alexandra foi ter com eles e levou-os para longe dos olhares dos convidados. Nada aconteceu devido a este incidente, mas tanto Alexis como o amigo não conseguíram sair da cama no dia seguinte.

 

Alexis em 1912

Nos dois anos que se seguiram, a vida de Alexis seguiu calmamente. Aproveitava todos os momentos que tinha livres e tentava corresponder às expectativas que cada um tinha dele, mas também passou ainda por algumas crises de Hemofilia que ficaram cada vez mais raras à medida que crescia, dando esperança de que a previsão de Rasputine de que, se o herdeiro chegasse aos 17 anos, não sofreria mais crises, talvez se realizasse.

 

Durante estes dois anos ocorreram as celebrações do tricentenário da Dinastia Romanov que duraram meses, com festas sem fim e muitos eventos públicos nos quais a família tinha de participar. Também durante este período, Alexis juntou-se a uma organização de escuteiros americanos que operava na Rússia onde adquiriu pratica em liderança que precisava para ser czar.

 

Alexis com o pai em 1915

 

Quando rebentou a Primeira Guerra Mundial, Alexis viveu durante algum tempo com o pai no Quartel-General do exército russo, o que herdeiro gostou imenso.

 

Em Dezembro de 1916, o General britânico John Hanbury Williams recebeu a notícia de que o seu filho tinha morrido ao combater com o exército britânico em França. Nicolau II mandou o seu filho de 12 anos sentar-se junto do General de luto. "O papa disse-me para me vir sentar consigo porque pensou que o senhor se podia sentir sozinho esta noite," disse Alexis ao general. Tal como todos os homens Romanov, Alexis cresceu a usar uniformes de marinheiro e a brincar às guerras desde que começou a dar os primeiros passos, O seu pai começou a prepará-lo para o seu futuro como czar, convidando-o a sentar-se ao pé de si em reuniões com os ministros.

 

 

O Coronel Mordinov, que conviveu bastante com Alexis durante a I Guerra Mundial disse sobre o Czarevich:

 “Ele tinha aquilo a que nós russos chamamos um “coração dourado”. Ele ligava-se facilmente às pessoas, gostava delas e tentava fazer o seu melhor para as ajudar, especialmente quando, a seu ver, essa pessoa tinha sido magoada injustamente. O seu amor, tal como o dos seus pais, era baseado principalmente em pena. O Czarevich Alexis Nikolaevich era um rapaz muito preguiçoso, mas com muitas capacidades (acho que era preguiçoso exactamente por conhecer as suas capacidades). Ele compreendia facilmente tudo, era pensativo e tinha uma maturidade muito superior à sua idade. Apesar do seu bom carácter, ele prometia vir a ser um Czar firme e independente.”

 

 

 

Numa ocasião, quando o navio onde ele e o pai seguiam estava a regressar ao porto, Nicolau e o Capitão foram até à costa para discutir estratégias com alguns generais. O navio deveria permanecer escondido. Estava a chover e a visibilidade era pouca. Com o Comandante e o czar em terra, Alexis foi o comandante do navio. Enquanto estava a brincar com os amigos na sala de reuniões, foi chamado à sala de comandos e informado de que um navio desconhecido se aproximava. Sabendo bem que a Guerra continuava em força e que podiam estar em perigo, decidiu colocar a tripulação a interceptar o navio e a carregar as armas. Quando as armas estavam carregadas, não hesitou em ordenar a tripulação para dispararem. O navio inimigo foi atingido e então prepararam-se para responder ao ataque. Sabendo disto, Alexis ordenou manobras evasivas. O navio inimigo respondeu ao ataque, mas falhou o alvo. Quando o navio se aproximou, a tripulação apercebeu-se que se tratava do Polar Star (o navio da sua avó). Então Alexis ordenou que fosse hasteada a bandeira branca e que o seu navio se encostasse ao da avó para tratar dos feridos.

 

Este acidente foi muito divulgado, mas o herdeiro acabou por não ser castigado, uma vez que tinha feito o que qualquer um faria na sua situação.

 

Alexis com o pai durante a I Guerra Mundial

Alexis acabou por regressar a casa depois de, durante uma visita a um hospital público, descobrir que pré-adolescentes e mesmo crianças estavam a lutar na guerra e teve uma longa discussão com o pai por causa disso. Então Nicolau achou melhor que ele não continuasse na frente.

Em Março de 1917 o seu pai abdicou do trono e a família foi exilada.

 

Alexis com a irmã Olga a bordo do navio "Rus" que os levou de Tobolsk para Ekaterinburgo. Esta é a última fotografia conhecida dos irmãos

 

Durante o exílio em Tobolsk , Alexis queixou-se no seu diário da monotonia da sua vida actual e pediu misericórdia de Deus. Tinha autorização para brincar ocasionalmente com Kolya , o filho de um dos seus médicos e com um ajudante de cozinha chamado Leonid Sednev (em quem se inspirou o livro The Kitchen Boy ").  Quando foi crescendo, Alexis parecia magoar-se de propósito. Em Tobolsk deslizou com um trenó pelas escadas abaixo e feriu-se gravemente. Foi exactamente esse ferimento que impediu as suas irmãs Olga, Tatiana e Anastasia de acompanharem os pais e a irmã Maria quando estes foram enviados para Ekaterinburgo . Também devido a este ferimento, Alexis teve de ficar preso a uma cadeira-de-rodas durante as semanas que lhe restavam de vida.

 

Na noite de 17 de Julho de 1918, Alexis foi morto juntamente com o resto da sua família por bolcheviques.

 

Inverno de 1917

 

Embora poucos, apareceram alguns rumores sobre a sua possível sobrevivência e mesmo pessoas que se fizeram passar por ele.

 

Quando os corpos do resto da família foram encontrados, tanto a equipa de cientistas americanos como a russa concluíram que o seu corpo era um dos que faltava, juntamente com o da sua irmã Maria ou Anastasia.

 

Alexis e Anastasia

 

Após a descoberta de restos mortais numa área próxima do local onde tinham sido descobertos os restantes corpos da família, no dia 27 de Agosto de 2007, duas equipas de investigadores (uma americana e outra russa), passaram 8 meses a analisá-los procurando provas para garantir que aqueles se tratavam dos restos mortais de Alexis e da sua irmã Maria.

 

A confirmação chegou durante uma conferência de imprensa no dia 30 de Abril de 2008 que deu como encerrado o mistério, provando que os dois últimos filhos de Nicolau II tinham, de facto morrido com a restante família.

 

 

Alexis morreu na madrugada de 18 de Julho de 1918, duas semanas antes de completar 14 anos.

música: Coldplay - "Violet Hill"

publicado por tuga9890 às 14:58
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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Filme - "Romanovs: The Imperial Family (Романовы - Венценосная Семья)"

Lançado para comemorar a canonização da família Romanov pela Igreja Ortodoxa Russa em 2000, a acção deste extraordinário filme de produção russa começa a desenrolar-se nos primeiros dias de Março de 1917 quando resta já pouco tempo de domínio de Nicolau II na Rússia.


Acompanhando fielmente os meses de exílio da família e revelando pormenorizadamente as personalidades de todos os membros (ao contrário de todos os outros), este é, provavelmente, o melhor retrato da vida privada da última família imperial russa.

 

Imagens:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Video:

 

 

Com:

 

Aleksandr Galibin (Nicolau II)

Lynda Bellingham (Alexandra Feodorovna)

Vladimir Grachyov (Alexis)

Yuliya Novikova (Olga)

Kseniya Kachalina (Tatiana)

Olga Vasilyeva (Maria)

Olga Budina (Anastasia)

Andrei Kharitonov (Pierre Gilliard)

Ernst Romanov (Dr. Botkin)

Vsevolod Sobolev (Dr. Derevenco)

 

O filme está disponivel com legendas em inglês no Frozen Tears.


publicado por tuga9890 às 21:54
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