Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

Outros - Vitória Battenberg sobre a sua visita à Rússia em 1914

 

Vitória de Battenberg (nascida de Hesse), foi a irmã mais velha da Imperatriz Alexandra Feodorovna. Casada com Louis de Battenberg, mudou-se permanentemente para a Inglaterra em 1884. Foi a avó materna do Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, o consorte da Rainha Isabel II do Reino Unido.

 


Vitória com o seu marido

 

Em 1913 celebrara-se o tricentenário da Dinastia Romanov na Rússia, o que levou o Nicky e a Alix a visitar as casas da família no campo: Jaroslaw e Kostroma no Volga. Um dos navios dos inspectores do rio tinha sido adaptado para se tornar no iate deles. Ele não tinha sido entregue para o seu serviço normal, por isso o Nicky sugeriu que podia ter usado para a nossa viagem. Embarcamos em Nijni Novogorod (rebaptizada de Gorky) e, depois de visitarmos essa cidade, que na altura se encontrava num período muito solene antes da grande feira de Outono, descemos o Volga até Kazan. Passamos dois dias lá, com a Ella a participar em cerimónias religiosas e nós a visitar a região e a almoçar na Casa do Governador no Kremlin. Todos os centros de poder das cidades russas tinham esse nome. Foi interessante ver a população tártara ainda vestida com as suas roupas orientais. Parecia que quase todos tinham problemas nos olhos, uma vez que havia muita gente cega ou quase a caminhar por lá.

 

A partir de Kasan, seguimos para o rio Kama, que desagua no Volga um pouco abaixo daquela cidade, e fomos até Perm.  A imensidade do Volga era quase imponente, mas as margens não eram muito pitorescas, devido à grande largura do rio, mas as margens do Kama ofereciam muito mais variedade. Havia pequenas aldeias com as suas igrejas a ver-se por entre os bosques.

 

Paramos em muitos sítios, onde a Ella visitava conventos. Num destes locais lembro-me de uma grande floresta de tílias em flor e o cheiro era delicioso. A população das aldeias vestiu-se com as suas melhores roupas para receber a Ella. Lá vimos um homem da tribo Tcheremiss que era distintamente diferente do resto dos russos.

 

Vitória com a sua irmã Isabel Feodorovna (Ella) e a filha Luísa

 

Era frequente comermos starlet (uma espécie de esturjão), acabado de apanhar que eu considero muito melhor do que o esturjão que comemos aqui e que toda a gente gaba tanto. O navio, embora não fosse luxuoso, era muito confortável, bem mobilado e tinha uma casa-de-banho que tinha sido construída de propósito. A nossa viagem pelo rio acabou em Perm, onde a Ella e eu nos separamos, com ela a ir visitar muitos conventos, um dos quais se encontrava em Alpaievsk, o local onde ela ficaria presa durante a revolução e de onde foi levada para ser assassinada.

 

Entretanto, a Luísa (filha de Vitória) e eu visitamos os Urais num comboio especial. Um dos primeiros lugares que visitamos foi a cidade de Kishtym, onde nenhum membro da família imperial tinha estado desde o czar Alexandre I. Embora não fizesse parte dos Romanov, estava perto o suficiente disso, sendo a irmã da Imperatriz, e tanto eu como a minha filha fomos recebidas oficialmente durante os dois ou três dias em que lá ficamos. Em todos os locais onde paramos fomos sempre recebidas com muita hospitalidade, tanto oficial como privada, e recebemos várias prendas e recordações. Em Kishtym havia uma exposição sobre as industrias locais e deram-nos fatos camponeses típicos completos.

 

Luísa, a segunda filha de Vitória Battenberg

 

Aí, visitamos uma gruta interessante nas margens de um pequeno rio que apenas tinha sido descoberto um ou dois anos antes. Com o tempo excessivamente quente e a gruta muito fria, foram feitos preparativos rigorosos para que vestíssemos meias grossas, casacos e cachecóis numa tenda erguida especialmente para isto. Não pudemos ficar muito tempo na gruta, pelo receio de contrairmos uma inflamação nos pulmões pela mudança extrema de temperatura. Tivemos de rastejar na entrada, onde tínhamos tapetes de pele para nos ajudar a passar pelo solo rochoso.  As rochas não eram muito grossas, nem a gruta muito profunda, com uma leve luz do dia a entrar entre as frechas, mas mesmo assim a temperatura estava abaixo de zero. Num canto havia uma grande massa de gelo macio de uma linda cor azul e o tecto da cave tinha cristais de gelo perfeitamente esculpidos. Eram tão frágeis que só o nosso caminhar podia fazê-los cair. Quando deixamos a gruta, sentimos como se estivéssemos a entrar num forno. O banquete oficial que nos ofereceram nessa noite foi muito bem organizado!

 

De Kishtym, o comboio levou-nos para os Montes Urais, onde visitamos várias minas. O ponto mais longínquo onde estivemos foi um pouco além de um sinal numa estrada velha que dizia, de um lado “Europa” e do outro, “Ásia”. O cenário dos Urais lembrou-me muito da Escócia. Não havia montanhas muito altas e as encostas estavam cobertas de verdura enquanto os rios e lagos se podiam ver perfeitamente entre os vales.

 

Vitória com as irmãs Isabel e Alexandra

 

A maior cidade que visitamos foi Ekaterinburgo. Não achei que fosse uma cidade bonita e as pessoas não pareciam muito felizes pela visita official. Reparei nisso especialmente numa noite em que o entertenimento foram fogos de artificio, e a multidão não parecia minimamente entusiasmada. Também estivemos numa espécie de festa numa tarde na margem de um lago, não muito longe da floresta onde os restos mortais do Nicky, da Alix e das crianças seriam largados.

 

A Casa Ipatiev em Ekaterinburgo, onde o Nicky, a minha irmã e sobrinhos ficaram presos, fica numa grande praça e eu passei por ela várias vezes. Lembro-me que me disseram pertencer a um mercador rico.

 

Famílias de Hesse e Battenberg

 

Entretanto as tensões políticas estavam a ameaçar as pequenas esperanças que tinhamos de que o Luís (marido) e o Dickie (filho mais novo) se juntassem a nós nestas férias e a Alix e a Ella avisaram-nos de que seria melhor regressarmos a São Petersburgo o mais depressa possível, uma vez que a guerra podia rebentar a qualquer momento. Dirigimo-nos imediatamente para Perm e a nossa viagem daí para São Petersburgo foi muito lenta, uma vez que a mobilização das tropas já estava muito avançada e o nosso comboio teve de mudar de linha várias vezes para que as tropas pudessem passar. A guerra entre a Rússia e a Alemanha foi declarada durante esta nossa viagem.

 

Chegamos a São Petersburgo na noite de 4 de Agosto, no mesmo dia em que a Inglaterra também declarou guerra. O Sir George Buchanan e Isa Buxhoeveden, uma das damas-de-companhia da Alix, juntamente com as minhas duas sobrinhas mais velhas, vieram ver-nos na manhã seguinte e eu passei o dia com a família em Peterhof. A Alix veio ver-nos ao fim da tarde e, antes de nos irmos embora, pensando carinhosamente no nosso bem-estar, deu-nos longos casacos e outras peças de roupa quentes para a nossa viagem pelo mar, sendo que nós só tínhamos trazido roupa de Verão fina.

 

Vitória Battenberg com o marido e os filhos

 

Tivemos de nos precaver com uma grande quantidade de dinheiro em soberanos dourados, que só se podiam arranjar através de uma permissão imperial especial.  Penso que eram 200 libras, divididas por pequenos sacos que atamos às nossas cinturas debaixo dos vestidos. Deixamos São Petersburgo na tarde do dia 7 de Agosto. Mal sabia eu que seria a última vez que veria as minhas irmãs.

 

Fomos levadas para a fronteira russa de Torneo num comboio especial. Quando estávamos na estação, reparei noutro vagão-salão na linha oposta à nossa, no qual viajava a Tia Minnie (a Imperatriz Viuva Maria Feodorovna), a sua filha Olga e uma comitiva que estava a beber chá. Passamos a linha a correr para ir falar com elas e saber das últimas novidades. A Tia Minnie tinha vindo de Inglaterra e a Olga de França, e tinham viajado por Berlim, até á Suécia, estando agora a chegar a casa.

 

Vitória, em criança, com a sua mãe Alice e a irmã Isabel

 

Embarcamos no último barco a vapor que saiu de Bergen. Conseguiram arranjar-nos cabinas particulares a partir de Oslo. O barco estava a abarrotar de turistas e Pescadores que ficam de diferentes partes da Noruega, e havia pessoas a dormir no chão da sala de jantar. Atravessamos o Mar do Norte. Tivemos bom tempo e uma viagem calma, mas descobrimos que as roupas que a Alix nos tinha dado foram, de facto, muito úteis.

 

Chegamos a Londres no dia 17 de Agosto, dez dias depois de deixarmos São Petersburgo. Encontramos o Luís completamente absorvido no seu trabalho, que se extendia noite após noite. Quanto ao Dickie, que tinha partido para a escola naval cujas aulas tinham começado dias antes, tinha-se sentido bastante solitário em casa até à nossa chegada e tentou ocupar-se tratando de alguns ratos que tinha comprado.

 

 

Vitória morreu em 1950, aos 87 anos. Assistiu ainda ao nascimento dos seus bisnetos mais velhos, o Príncipe Carlos, estando presente no seu baptizado no dia 15 de Dezembro de 1948, e a Princesa Anne.


publicado por tuga9890 às 16:16
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Curiosidades - A Maldição de Hesse (1ª parte)

 

 

Hesse Darmstadt, um Grão-Ducado alemão criado em 1806, tornou-se famoso entre os grandes nomes da realeza europeia quando a filha do Grão-Duque Luís II, lá nascida e criada se casou com o Czarevich da Rússia, Alexandre Nikolaevich, futuro Alexandre II.

A sua fama viria a aumentar quando, em Julho de 1862 o Grão-Duque Luís IV se casou com a segunda filha mais velha da rainha Vitória do Reino Unido, a Princesa Alice e ambos passaram a viver uma vida calma, quase de classe média, longe das atenções que outros membros da família de Alice recebiam. No entanto o azar sempre perseguiu esta família e muitos chegam mesmo a dizer que os seus membros eram vitimas de uma suposta maldição. Se estas afirmações são credivéis, é dificil de dizer, mas a verdade é que a maioria dos membros da família e dos seus descendentes teve um final trágico.

http://img0.uploadhouse.com/fileuploads/2531/2531840747fe06ccfcec9cb5d43f5fe9da1f2ad.jpg

Os filhos de Luís IV de Hesse e Alice do Reino Unido em 1915

A primeira tragédia que abalou a família aconteceu em finais de Maio de 1873 quando os irmãos Frederico de 2 anos e Ernesto de 5 brincavam no quarto da mãe. A certa altura Ernesto correu até outro quarto no lado direito e acenou pela janela para o seu irmão mais novo. Alice foi até ao quarto onde se encontrava o seu filho mais velho para o afastar da janela. Quando o fez, o pequeno Frederico subiu para uma cadeira que estava ao pé de uma janela aberta para ver melhor o seu irmão. A cadeira caiu e Frederico foi projectado, caindo a uma distância de cerca de 60cm até um arbusto. A queda não foi muito violenta, mas a Hemofilia tinha sido diagnosticada há poucos meses e ele acabou por morrer durante a tarde com uma hemorragia cerebral. Ernesto sofreu particularmente com a morte do irmão mais novo e, a partir desse dia, passou a ter um medo quase obsessivo de um dia vir a morrer sozinho.

http://www.royaltyguide.nl/images-families/hessen/hessendarmstadt2/1870%20Friedrich-01.JPG

Frederico morreu aos 2 anos de idade devido a complicações causadas pela Hemofilia

A tragédia voltou a atingir a família em 1878. No dia 5 de Novembro toda a família estava reunida na sala quando a irmã mais velha, Vitória, começou a sentir a garganta irritada. Vitória contou o que sentia à mãe e ela pensou que a filha estava a sofrer de papeira dizendo que seria “cómico” se todos a apanhassem. Nessa noite ela sentiu-se suficientemente bem para ler “Alice No País Das Maravilhas” aos seus irmãos mais novos enquanto a sua mãe se sentava numa cadeira próxima a conversar com a sua amiga Katie Macbean que estava a substituir uma dama-de-companhia. Maria, a irmã mais nova, foi para o colo da mãe e implorou por mais uma fatia de bolo. As irmãs pediram a Miss Macbean para tocar piano para que pudessem dançar e foram dormir bem-dispostas.

Na manhã seguinte, Vitória foi diagnosticada com Difteria e às três da manhã do dia 12 de Novembro o mesmo aconteceu a Alix de 6 anos. A Princesa Alice ordenou que fosse levado um inalador de calor para o quarto da sua segunda filha mais nova (que estava gravemente doente) para impedir que ela sufocasse até à morte. Algumas horas mais tarde Maria de 4 anos, muito próxima da sua irmã dois anos mais velha, fugiu para o seu quarto, subiu para a cama dela e deu-lhe um beijo. Nessa tarde começou a sofrer os primeiros sintomas da doença com febre alta e manchas brancas na parte de trás da garganta. No dia seguinte foi a vez da sua irmã Irene ficar doente e no dia 14 de Novembro a doença foi diagnosticada ao seu irmão Ernesto e ao seu pai Luís. Alice e os médicos desdobraram-se em esforços para tratar de toda a família.

Na manhã do dia 16 de Novembro, Maria sufocou até à morte devido à membrana que lhe cobria a garganta. Alice sentou-se junto do corpo e beijou-lhe o rosto e as mãos tentando encontrar uma forma de dar a notícia ao seu marido doente. Depois observou o corpo da sua filha mais nova ser levado dentro de um caixão para o mausoléu da família.

Maria morreu aos 4 anos de Difteria

Durante várias semanas Alice escondeu a morte de Maria dos seus irmãos que perguntavam frequentemente por ela e tentavam enviar-lhe brinquedos. A notícia foi apenas transmitida no inicio de Dezembro com grande pesar principalmente por parte de Alix e de Ernesto, com 10 anos na altura, que eram os mais próximos da irmã mais nova. Ernesto recusou-se a acreditar e teve um ataque de choro que foi acalmado pela sua mãe que o abraçou e beijou, apesar de saber do risco de infecção. No dia 7 de Dezembro Alice reconheceu os primeiros sintomas da doença e acabaria também por morrer uma semana mais tarde. A Princesa foi enterrada junto da sua filha mais nova e foi construída uma estátua na sua sepultura onde Alice está a segurar a pequena Maria nos braços.

Alice morreu poucas semanas depois da filha com a mesma doença

 

Depois da morte da mãe os seus filhos desdobraram-se entre a Inglaterra e a Alemanha, mas o azar iria persegui-los a eles e aos descendentes.

A filha mais velha, Vitória, casou-se em 1884 com um príncipe menor alemão que tinha mudado de nacionalidade e vivia em Inglaterra. Durante o período de ódio alemão que ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial o seu marido, um alto oficial da marinha, foi forçado a abdicar do seu posto e dos seus títulos a pedido do rei e ambos viveram uma vida modesta a partir de então. O casal teve quatro filhos:

Alice – casada com o Príncipe André da Grécia, foi diagnosticada com Esquizofrenia e forçada a separar-se dos filhos até recuperar. Viveu grande parte da vida no exílio depois da queda da monarquia na Grécia. Um dos seus filhos foi o Príncipe Filipe, casado com a Rainha Isabel II.

Luísa – recebeu um pedido de casamento do Rei Manuel II de Portugal, mas recusou-o dizendo que nunca se casaria com um rei ou com um viúvo, no entanto acabou por fazer as duas coisas quando se casou com o Rei Gustavo da Suécia aos 34 anos. Era uma mulher excêntrica e, depois de quase ser atropelada por um autocarro em Londres, passou a andar sempre com um cartão que dizia: “Eu sou a rainha da Suécia”. Apenas teve uma filha que nasceu morta.

Jorge – era um brilhante matemático. Morreu aos 45 anos de Leucemia deixando dois filhos.

Luís – um alto Admiral e melhor amigo do rei Eduardo VIII. Casou-se com Edwina Ashley de quem teve duas filhas e acabou assassinado quando uma bomba colocada no seu barco pelo Exército Republicano Irlandês explodiu. Com ele morreram o seu neto, a sogra da filha mais nova e um ajudante.

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Duas das filhas de Vitória viveram vidas excêntricas, um filho morreu de Leucemia e o outro foi assassinado

A segunda filha, Isabel, casou-se também em 1884 com o rígido Grão-Duque Sergei Alexandrovich, filho do Czar Alexandre II. Viveu um casamento apático, sem filhos e viu o seu marido ser assassinado por revolucionários russos em 1905. Poucos anos depois juntou-se a um convento e acabaria por ser também ela assassinada por bolcheviques no dia 18 de Julho de 1918.

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Isabel foi assassinada por bolcheviques em 1918


publicado por tuga9890 às 10:34
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