Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Vídeo - Ensaio de Natalie Paley

A actriz da família ensaia uma cena no seu primeiro filme, "L'Epervier".

 

 


publicado por tuga9890 às 19:30
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Uma Actriz na Família - Biografia de Natalie Paley (1ª parte)

 

Natália Pavlovna Paley nascida a 5 de Dezembro de 1905, foi um ícone da moda, socialite e actriz nascida em França. O seu pai era o Grão-duque Paulo Alexandrovich da Rússia, filho do czar Alexandre II e tio do czar Nicolau II. Ficou mais conhecida entre o grande público pelo seu nome artístico, Natalie Paley.


Natália era descrita como o sonho dos publicitas de Hollywood. Uma criatura fascinante, descendente da mais rica e famosa família europeia, os Romanov, era a figura viva do “chic” francês e quase demasiado perfeita para ser real. A sua vida romântica e trágica foi algo que a ficção nunca poderia ter igualado. Viveu os últimos tempos da Rússia czarista, os glamorosos anos 30 na alta sociedade parisiense e movimentou-se pelos círculos mais altos de Hollywood e Nova Iorque.


A sua vida floresceu e depois apagou-se. No final tudo o que restou foi uma mulher triste e só que agraciou o seu século como uma rara, mas desperdiçada flor.

 

Natalie fotografada por Cecil Beaton

 

Os pais de Natália, o Grão-duque Paulo Alexandrovich da Rússia e a aristocrata Olga Paley, conheceram-se em São Petersburgo por volta de 1895. Na altura ela estava casada com um oficial e era mãe de três crianças. Paulo era também pai de dois filhos, (a Grã-duquesa

Maria Pavlovna e o Grão-duque Dmitri Pavlovich) mas viúvo. A sua esposa, a Princesa Alexandra da Grécia, tinha morrido ao dar à luz o seu filho Dmitri. Os dois apaixonaram-se rapidamente e começaram um caso em segredo. Contudo o segredo não durou muito tempo, uma vez que no dia 9 de Janeiro de 1897, Olga deu à luz o primeiro filho do casal, Vladimir Pavlovich. Olga conseguiu obter o divórcio do marido e deixou a Rússia na companhia de Paulo. Os dois casaram-se em

Livorno, na Itália, a 10 de Outubro de 1902.

No dia 21 de Dezembro de 1903 voltaram a ser pais, desta vez de uma menina a quem chamaram Irina. Pouco tempo depois do nascimento da bebé, o Rei da Baviera deu a Olga o título de Condessa von Hohenfelsen, que deveria ser transmitido aos seus descendentes. A família ainda se encontrava na Itália quando Paulo recebeu uma carta do seu sobrinho, o czar Nicolau II da Rússia, onde lhe foi transmitido que, devido ao casamento realizado sem a sua autorização, o casal e os filhos estavam banidos da Rússia. Embora tivesse sido um preço alto a pagar, principalmente para Paulo que tinha os seus dois filhos do primeiro casamento em São Petersburgo e era um patriota convicto.

 

Os pais de Natalie, o Grão-duque Paulo Alexandrovich e a Princesa Olga Paley

 

A família instalou-se em Paris e comprou uma casa em Boulogne-sur-Seine, onde Natália nasceu em 1905. A casa luxuosa onde viviam tinha pertencido anteriormente à Princesa Zenaide Ivanovna Youssoupova (mãe do Príncipe Félix Yussupov) e tinha permanecido fechada desde a morte dela em 1897. Paulo e Olga contrataram, ao todo, 16 criados que incluíam camareiras, jardineiros e tutores.

 

Natalie ainda bebé com a irmã Irina e o irmão Vladimir

Vladimir, Irene e Natália tiveram uma infância muito feliz com todas as vantagens de uma vida privilegiada e, durante algum tempo, viveram protegidos do mundo exterior. Apesar dos seus pais terem uma vida social ocupada, as crianças eram muito chegadas a eles e comiam todas as refeições juntos, um costume pouco comum para a sua época e posição. Aos Domingos a família costumava ir até a uma Igreja Ortodoxa próxima da sua casa e participar numa missa privada conduzida pelo padre que tinha baptizado Natália.

 

Natalie durante a sua infância na casa em Paris

 

O perdão chegou do czar Nicolau II em Janeiro de 1912 e Paulo decidiu deixar a França imediatamente para visitar os seus filhos do primeiro casamento em Czarskoe Selo, perto de São Petersburgo. Paulo sentiu-se em casa novamente e decidiu mandar construir um luxuoso palácio na sua cidade natal. Este novo projecto precisava de 64 criados, um grande contraste em relação à casa que a família mantinha em Paris. A família mudou-se para Czarskoe Selo na Primavera de 1914.

 

Natalie (dir.) com a irmã Irina

 

A pequena Natália, isolada das realidades que afectavam a Rússia czarista, ficou muito entusiasmada com a viagem, bem como com a descoberta de uma nova família, incluindo a sua avó materna e os seus meios-irmãos. Tornou-se rapidamente amiga das suas primas Olga, Tatiana, Maria e Anastásia, filhas do czar Nicolau II. Foi um momento dourado na vida de Natália, mas muito curto. Três meses depois de a família começar a sua nova vida, rebentou a Primeira Guerra Mundial. Ela tinha 9 anos de idade.

 

Natalie em 1914

 

A vida sem preocupações de Natália terminou. O seu irmão Vladimir, bem como a maioria dos homens da sua família, juntou-se ao seu regimento para lutar contra a Áustria e a Alemanha. Apesar da sua saúde fraca, o seu pai decidiu ignorar os conselhos médicos e juntou-se aos esforços russos na guerra em 1916.

A revolução eclodiu em Fevereiro e todos os membros da família Romanov foram mantidos sob vigilância. Em vez de abandonar o país, Paulo e a sua esposa, não vendo perigo, decidiram ficar no seu palácio. Quando o czar e a família foram exilados para a Sibéria, Natália e a sua família receberam ordens de prisão domiciliária. Cada dia que passava trazia novas humilhações ao ponto de terem soldados bêbados a dormir nos corredores. Em Janeiro de 1918, o governo de Lenine decretou que o palácio onde a família residia se deveria tornar num museu e Olga foi forçada a trabalhar como guia dos seus antigos bens confiscados pelo governo. O carro da família foi também confiscado e passou a ser utilizado por Lenine.

 

Natalie com a irmã em Czarskoe Selo

 

Natália, a irmã e a mãe foram depois forçadas a viver noutra área do palácio e a cozinhar para os guardas, sempre debaixo de insultos e insinuações. Apesar de ela nunca ter falado sobre isso em nenhuma entrevista ou em cartas, os amigos e familiares de Natália confessaram que um grupo de soldados abusou sexualmente dela durante a prisão, quando ela tinha pouco mais de 13 anos. Durante o resto da vida, este crime afectou as suas relações com homens.

 

Natalie na Suíça aos 14 anos

 

Mas o pior ainda estava para chegar. Vladimir foi preso em Viatka a 22 de Março de 1918 e o pai de Natália recebeu a mesma ordem a 30 de Julho. Em desespero Olga organizou a fuga das filhas com a ajuda de alguns amigos. A fuga aconteceu numa noite de Dezembro. As duas irmãs foram transportadas de carro até à estação de comboios de Ochta. Após uma viagem de quatro horas onde tiveram que viajar dentro do vagão de gado, as duas saltaram do comboio perto da fronteira com a Finlândia. O resto da viagem até ao país vizinho foi feita a pé. As duas adolescentes foram levadas para uma casa de caridade e esperaram pela chegada dos pais e irmão.

 

Natalie (dir.) com a irmã

 

O pai delas nunca conseguiu fugir da Rússia. O Grão-duque Paulo foi assassinado em Janeiro de 1919 juntamente com outros três parentes. Olga conseguiu chegar à Finlândia e encontrou as filhas. Na altura ela ainda estava a recuperar lentamente da tragédia da morte do marido e também de uma cirurgia de emergência à qual se tinha submetido para tratar de um tumor no peito. Em Setembro de 1919 as três descobriram que Vladimir tinha sido também assassinado em Julho do ano anterior juntamente com outros membros da família, incluindo a Grã-duquesa Isabel Feodorovna, tia de Natália. Também o ex-czar e a sua família tinham sido assassinados.

 

Natalie (em baixo) com a família em 1914

 

Natália mudou-se com a irmã e a mãe para a Suécia onde viveram até à Primavera de 1920. Depois voltaram para França onde venderam a sua antiga casa e compraram outra no 16º distrito. Com algumas jóias que lhe sobraram, Olga comprou uma villa em Biarritz, na costa atlântica, onde a família se juntava. Mais tarde ela vendeu a casa em Paris e comprou uma mais pequena em Neuilly. A saúde de Olga foi piorando ao longo que os meses avançavam. Em 1928 soube-se que os bens que tinham sido confiscados à família seriam vendidos num leilão em Londres. A família foi até Inglaterra para os tentar recuperar, mas não conseguiu.

 

Natalie (esq.) com a irmã durante a adolescência

 

Natália e a sua irmã foram enviadas para um colégio privado proeminente na Suiça, mas ela não se conseguiu misturar com os seus colegas. Tal como confessou mais tarde durante uma entrevista a uma revista, ela sentia-se “tão diferente dos outros. Aos 12 anos as meninas francesas ainda liam Robinson Crusoe e viam filmes do Douglas Fairbanks. Aos 12 anos eu levava pão ao o meu pai na prisão. Como poderia eu ser como elas? Eu era muda e não brincava. Mas andava a ler muito. Eu tinha visto a morte de tão perto. O meu pai, o meu irmão, os meus primos e os meus tios foram todos executados, todo aquele sangue Romanov derramado durante a minha adolescência. Tudo isso me deu gosto por coisas tristes, poesia e morte. Rapidamente as minhas colegas compreenderam-me e respeitaram a forma como era, por muito estranha que possa ter parecido.”

 

 

As irmãs regressaram a Paris onde Irina se casou com o Príncipe Feodor Alexandrovich da Rússia, filho da Grã-duquesa Xenia Alexandrovna. O casamento realizou-se no dia 31 de Maio de 1923. Apesar da felicidade da irmã, Natália não pensava em casamento, apesar de não lhe faltarem admiradores.

 

Tal como a maioria dos aristocratas russos sobreviventes da revolução que se tinham estabelecido em França, Natália foi à procura de emprego. Encontrou um quando entrou na casa de moda de Lucien Lelong em Matignon, perto dos Campos Elísios, onde foi contratada como modelo.


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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Noticias - Czar Nicolau II reabilitado pelo Supremo Tribunal russo

(Já vem um bocadinho tarde, mas só agora é que consegui arranjar um tempinho :-D)

Último czar da Rússia foi fuzilado em Ekaterinburgo, em 1918, com toda a sua família. Os bolcheviques sempre disseram que o monarca cometera crimes

 

Nicolau II no seu escritório em Livadia

 

O supremo tribunal da Rússia reabilitou formalmente o último czar, Nicolau II, declarando que o assassinato do monarca e da sua família em Ekaterinburgo, em 1918, representou uma acção ilegal das autoridades soviéticas.

O tribunal decidiu "reabilitar" a memória de Nicolau II e declarou que a família imperial "foi vitima da repressão bolchevique".

Em 2000, a família de Nicolau II foi canonizada pela Igreja Ortodoxa, que considerou mártires (um errozinho, não foram mártires, mas sim Portadores da Paz) os seus membros assassinados.

O regicidio é ainda hoje politicamente sensivel, dada a popularidade do czar na Rússia contemporânea.

 

Nicolau II com os filhos no iate imperial

Numa decisão anterior, agora anulada, o tribunal decidira que não era possivel reabilitar a família Romanov, pois não havia um veredicto a condená-la.

A decisão de ontem foi bem recebida pelos vários ramos sobreviventes da família imperial russa, nomeadamente pela Grã-Duquesa Maria Vladimirovna, que reivindica a herança do trono. Esta aristocrata reside em Madrid, mas um seu porta-voz comunicou a "satisfação" da grã-duquesa, que afirma "não ter intenção" de pedir a restituição dos bens dos Romanov confiscados pelo Estado.

Outro ramo da família, em conflito com a primeira, salientou por seu turno que a decisão da justiça russa permitirá reabilitar outras vitimas do poder soviético.

 

Nicolau II com a esposa Alexandra Feodorovna no parque do Palácio de Alexandre em 1909

A decisão foi apenas contestada pelo partido comunista. "Não foram os bolcheviques que mataram o czar e a sua família, mas todo o povo trabalhador russo", disse um dirigente do partido, Ivan Melnikov, citado pela AFP.

O czar Nicolau II, a imperatriza Alexandra e os seus cinco filhos foram assassinados, na companhia de alguns dos seus criados, por um grupo de soldados bolcheviques, durante a guerra civil russa. O fuzilamento ocurreu na cave de uma casa, em Ekaterinburgo, nos Urais, em Julho de 1918, poucos meses depois do início da Revolução Russa.

Os bolcheviques saíram vitoriosos da guerra civil e os corpos dos Romanov só foram encontrados mais tarde, em 1990. (outro errozinho... 1991)

 

in: Diário de Notícias (2 de Outubro de 2008)

 

Nicolau II na varanda do Palácio de Alexandre

 

Video:

 

 

http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={4F3F1051-8CED-45EA-9728-41F805E5CA37}

 

 

Para saber mais sobre o conflito entre os dois ramos da família Romanov na actualidade clique aqui.


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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Curiosidades - As Vitimas da Família Imperial Russa (2ª parte)

Dia 28 de Janeiro de 1919

O último golpe. Quatro membros da família imperial feitos prisioneiros meses antes na prisão de São Petersburgo são acordados nas primeiras horas da manhã e informados de que têm de arrumar os seus pertences porque vão ser transferidos.

 

Cumprem as ordens e são atirados para um camião com outros prisioneiros que os leva até à Fortaleza de Pedro e Paulo. Antes de chegar ao local escolhido, são obrigados a deixar a bagagem para trás e recebem ordens para tirar os casacos e camisolas apesar das temperaturas negativas. Sabendo já do destino que os espera, os quatro abraçam-se pela última vez e rezam calmamente pelos soldados.

 

Todos são mortos a tiro e enterrados numa vala comum junto de todos os outros homens executados nesse dia. As 4 últimas vítimas eram:

 

 

Grão-Duque Paulo Alexandrovich

 

Paulo com os filhos Dmitri e Maria

 

Nascido no dia 3 de Outubro de 1860, era o oitavo filho do primeiro casamento do Czar Alexandre II.

 

O seu nascimento foi comemorado com a criação da cidade de Pavlodar no Cazaquistão. Entrou no Exercito russo e subiu na carreira até ser nomeado General, mas era conhecido pela sua gentileza, fervor religioso e acessibilidade em falar com as pessoas.

 

No dia 17 de Junho de 1889 casou-se com a Princesa Alexandra da Grécia e teve a primeira filha, Maria Pavlovna, 10 meses depois. No dia 18 de Setembro de 1891, durante um passeio no palácio, a sua esposa, grávida do segundo filho, saltou para um barco em movimento e caiu, provocando o nascimento prematuro do Grão-Duque Dmitri Pavlovich (um dos futuros assassinos de Rasputine). Pouco depois do nascimento, Alexandra entrou em coma e nunca mais acordou.

 

Em 1893, Paulo apaixonou-se por uma mulher comum chamada Olga Valerianovna e, alguns anos mais tarde, pediu a autorização do Czar Nicolau II (seu sobrinho) para se casar com ela. Ele não a concedeu e os dois decidiram deixar a Rússia para se instalar em Paris. Casaram em 1902 na Igreja Ortodoxa de Livorno, na Itália e o casamento provocou grande escândalo dentro da corte. Pouco depois Paulo pediu a custódia dos seus dois filhos, mas, mais uma vez, o pedido foi recusado e Maria e Dmitri passaram a viver com o irmão de Paulo, Sergei e a esposa Isabel Feodorovna. Viveu muitos anos com a sua segunda esposa em Paris e o casal teve três filhos (Vladimir, Irina e Natália). Eventualmente os velhos titãs da família foram morrendo e Paulo aproximou-se cada vez mais do trono, por isso recebeu autorização para regressar à Rússia em 1915, onde se instalou em Czarskoe Selo.

 

Durante a Primeira Guerra Mundial foi comandante da Guarda Imperial e, mais tarde, foi transferido para o posto de comando do Czar. Em 1917 tentou convencê-lo a conceder uma constituição à Rússia, mas falhou. Mesmo assim foi um dos poucos que manteve amizade com a Czarina Alexandra Feodorovna até aos últimos dias do regime.

 

O seu filho Vladimir foi exilado em Março de 1918 e morto quarto meses depois. Ele próprio acabou por ser preso em Agosto de 1918 e levado para a prisão de São Petersburgo. A sua saúde já estava fraca, mas acabou por deteriorar-se durante os seus meses na prisão. A sua esposa fez tudo o que podia para o libertar, mas não conseguiu evitar a sua execução.

 

Paulo tinha 58 anos e o seu corpo nunca foi encontrado.
 

Grão-Duque Dmitri Constantinovich

 

Dmitri Constantinovich com o primo Alexandre III em frente

 

Nasceu no dia 13 de Junho de 1860 e era neto do Czar Nicolau I pelo seu segundo filho, Constantino Nikolaevich. O seu pai era um alto oficial da Marinha e sempre esperou que os seus filhos lhe seguissem as pisadas, educando-os desde cedo na vida do mar. Ao mesmo tempo ambos os seus pais eram muito ligados à música e Dmitri teve também aulas de canto e de piano desde muito novo. Apesar de tudo os seus pais tinham um casamento infeliz e, quando ele era adolescente, o pai abandonou a família para viver com a amante, uma bailarina russa. Quando tinha 14 anos, o seu irmão mais velho, Nicolau, foi deserdado e enviado para o exílio depois de roubar os diamantes de um ícone da mãe. Depois deste episódio, a mãe de Dmitri fez os seus filhos jurar que nunca iriam entrar em vícios como a bebida, o jogo e a prostituição e, por isso ele cresceu tremendamente religioso.

 

Durante alguns anos frequentou a escola naval com os seus irmãos, mas depois decidiu que se sentia mais vocacionado para a vida no exército e, para desgosto do pai, abandonou a escola e alistou-se no regimento dos guardas a caval. Durante toda a vida, seguindo a promessa que tinha feito à mãe, Dmitri nunca se misturou com a sociedade e preferia passar serões calmos em casa com os amigos onde tocava piano e cantava músicas tradicionais russas.

 

Depois de 12 anos no regimento de guardas a cavalo, Dmitri foi promovido a comandante e, partir daí teve uma carreira de sucesso nos anos que se seguiram. Dmitri era um dos membros mais altos da família Romanov, conhecida pela altura quase monstruosa dos seus homens. Apesar de ser considerado também um dos mais belos da família, permaneceu solteiro durante toda a vida. Ele era adorado por todos, especialmente pelos seus pequenos sobrinhos e sobrinhas com quem brincava e conversava durante horas. Era particularmente próximo dos filhos do seu irmão Constantino. O seu sobrinho, o Príncipe Gabriel Constantinovich, descreveu-o como “uma pessoa maravilhosa e bondosa” que era quase um segundo pai para ele e para os irmãos.

 

Durante o reinado de Nicolau II, Dmitri foi promovido a Major-General do seu regimento, mas não gostou do seu novo posto. Até então a sua única tarefa tinha sido lidar com cavalos, mas a sua timidez impedia-o de fazer o mesmo com os oficias. Mais tarde seria novamente promovido a um posto cuja função era percorrer a Rússia à procura dos melhores cavalos para o exército. Ele gostou da sua nova posição, mas teve de se retirar devido ao facto de estar a perder a visão rapidamente.

 

Depois da reforma ele passou a viver grande parte do ano na Crimeia onde pôde desfrutar ao máximo da sua maior paixão: os cavalos. Quando a Primeira Guerra Mundial rebentou, ele não ficou surpreendido uma vez que já esperava uma invasão alemã há muito tempo. Durante este período ele estava quase cego, por isso não pôde participar activamente nos combates, contentando-se em treinar cavalos para o exército. Durante a crise na monarquia, ele não se quis envolver em política, dizendo que não era a sua função dar conselhos não solicitados a Nicolau II. Em 1917, apesar dos tempos conturbados, decidiu comprar uma mansão em Petrogrado onde vivia com a sobrinha Tatiana que tinha perdido o marido durante a guerra.

 

Depois da revolução, Dmitri foi obrigado tal como todos os outros membros da família a apresentar-se à Checa, a polícia política do novo regime que lhe ofereceu a escolha de três cidades como destino de exílio. Ele escolheu a que ficava mais próxima de Petrogrado. No exílio ocupou dois quartos da casa de um mercador da cidade. Partilhou um com o Coronel Korochentzov enquanto que a sua sobrinha Tatiana e os filhos ficaram no outro. Nenhum deles tinha autorização para abandonar a casa. No dia 14 de Julho de 1918, Dmitri foi separado dos seus companheiros de exílio e enviado para uma outra cidade onde já se encontravam outros membros da família presos. No dia 21 de Julho souberam da morte de Nicolau II e da família e temeram o pior para o seu futuro. Nessa noite os prisioneiros foram transferidos novamente para Petrogrado. Na nova prisão foram interrogados exaustivamente e, quando Dmitri perguntou a razão pela qual tinham os membros da família sido presos, o guarda respondeu que estavam a protegê-los das multidões furiosas que os queriam matar.

 

Um sobrinho de Dmitri, Gabriel Constantinovich, estava preso na cela ao seu lado e recordou que o seu tio tinha pedido toda a alegria que lhe era característica. Fora da prisão muitos familiares tentaram libertá-los, mas sem sucesso. Gabriel, no entanto, adoeceu gravemente e conseguiu ser libertado, fugindo mais tarde do país.

 

Dmitri morreu com 58 anos e o seu corpo foi o único dos quatro a ser recuperado por um amigo que organizou uma cerimónia fúnebre privada. Está enterrado no jardim da sua casa em São Petersburgo.

 

 

 

Grão-Duque Nicolau Mikahilovich

 

 

Nascido no dia 26 de Abril de 1859, era neto do Czar Nicolau I pelo seu quarto filho, o Grão-Duque Miguel Nikolaevich. Embora tenha nascido em Czarskoe Selo, passou a maior parte da infância e juventude na Geórgia onde recebeu uma educação rígida por parte dos pais. O facto de ele e os irmãos terem crescido longe da vida luxuosa da capital imperial fez com que se tornassem mais liberais do que os seus familiares.

Durante a sua juventude, o Grão-Duque apaixonou-se várias vezes e esteve perto de se casar com a sua prima directa, Vitória de Baden, no entanto a Igreja Ortodoxa não autorizava casamentos entre primos em primeiro grau e ela acabou por se casar com o Príncipe da Suécia. Mais tarde também se quis casar com Amélia de Orleães, mas ela era católica e os pais não estavam dispostos a deixá-la converter-se. Mais tarde ela seria Rainha de Portugal. No final, Nicolau acabou mesmo por nunca se casar, o que não o impediu de ter vários filhos bastardos.

Nicolau nunca se interessou particularmente na vida militar e não teve um treino intensivo. Desde cedo que as suas verdadeiras paixões eram a História, a Filosofia e a Botânica. Tentou convencer o seu pai a deixá-lo ir para a Universidade, mas ele recusou. Chegou a entrar na Academia Militar, mas odiava-a e acabou mesmo por desistir e, mais tarde, tornar-se-ia doutorado em Paris e Berlim. Durante a sua vida publicou vários livros sobre botanica e caça até se começar a interessar mais por História, particularmente no seu tio-avô, o Czar Alexandre I. Ao contrário de outros historiadores da época, Nicolau tinha acesso ilimitado aos arquivos da família que, por vezes, tinha até o privilégio de receber directamente em casa. Além disso, devido à sua fortuna, podia contratar ajudantes para as suas pesquisas. Os seus trabalhos foram traduzidos para inglês e francês e tornaram-se famosos na Europa. Mesmo durante a era soviética, parte das suas descobertas foi incluida no ensino.

No entanto, os seus douturamentos não o impediam de ser descrito como excentrico e mal-humurado. Passava a maioria do tempo a viajar, principalmente por Paris e pelo Sul de França e era costume perder somas avultadas nos casinos de Monte Carlo. Além disso era também odiado pela Czarina Alexandra que não gostava das suas teorias liberais. De facto, Nicolau costumava entrar em acesas discussões com o Czar devido ao seu governo autocrático e pedia-lhe constantemente para introduzir reformas liberais e conseder uma Constituição ao país.

Durante a Primeira Guerra Mundial, devido à sua falta de preparação militar, teve apenas um posto honorifico no exercito. Ficou com as tropas em Kiev, fortemente ameaçada pelos exercitos austro-húngaros e tinha como principal função visitar hospitais e dar apoio moral aos soldados. Quando Nicolau II decidiu comandar as tropas pessoalmente e deixar a sua esposa encarregue do poder em Petrogrado, o Grão-Duque ficou horrorizado e enviou uma carta ao Czar onde lhe implorava que retirasse Alexandra do poder e a enviasse para Livadia onde não poderia interferir com os assuntos do governo. O Czar rejeitou a proposta e exiliou-o na sua propriedade na Rússia Central onde o Grão-Duque permaneceria até à queda da Monarquia em 1917.

Quando a Revolução de Outubro rebentou, os bolcheviques não o incomodaram a principio. Tal como muitos outros, Nicolau acreditava que o governo de Lenine não duraria muito e recusou instalar-se na Dinamarca onde a sua sobrinha era rainha. Eventualmente os bolcheviques invadiram o seu palácio e exilaram-no para a mesma cidade de Dmitri Constantinovich. Os dois ficaram juntos até à morte.

 

Grão-Duque Jorge Mikhailovich
 
 

Nasceu no dia 23 de Agosto de 1863. Era irmão mais novo do Grão-Duque Nicolau Mikhailovich e irmão mais velho do Grão-Duque Sergei Mikhailovich, morto pelos bolcheviques alguns meses antes de si.

Teve a mesma educação austera dada aos irmãos, mas isso não o impediu de se juntar ao estilo de vida da maioria dos Grão-Duques da sua família que incluía festas, bebida, jogo e mulheres. Apesar disso era um homem calado e pouco expressivo que apenas se abria com os amigos mais próximos. Era conhecido por ter um apetite voraz e por ser o primeiro a chegar para refeições. Devido à sua personalidade recatada, a sua opinião nunca tinha muita importância na família e as suas principais funções prendiam-se com a participação em cerimónias simbólicas como a entrega de medalhas e ordens.

 

Durante toda a sua vida, Jorge fez colecção de moedas que acabou por se tornar na maior da Rússia.

 

Jorge casou-se apenas aos 37 anos de idade com a Princesa Maria da Grécia e Dinamarca, depois de não ter conseguido uma união com a Princesa Nina Chavchavadze nem com a Princesa Maria de Edimburgo. A sua esposa, por seu lado, não gostava dele e apenas aceitou casar-se depois de não ter tido autorização para se casar com um homem comum. Os dois tiveram duas filhas (Nina nascida em 1901 e Xenia nascida em 1903), mas nunca tiveram um casamento feliz. Jorge era um pai dedicado, mas isso não impediu a sua esposa de, em 1914, levar as filhas para Inglaterra com o pretexto de querer viver num lugar mais saudável. Um mês depois de elas chegarem a Inglaterra rebentou a Primeira Guerra Mundial e tornou-se demasiado perigoso regressar ao país, por isso Jorge nunca mais as voltou a ver.

 

Durante a Guerra, Jorge tornou-se assistente de Nicolau II no campo de batalha e tinha como função inspeccionar os trabalhos na frente de combate. Nos seus relatórios revelou muita corrupção entre generais, o que lhe valeu muitos inimigos. Em meados de 1915 foi enviado numa missão ao Japão e apenas regressou à Rússia no ano seguinte onde continuou os seus trabalhos de inspecção em Kiev. Durante as muitas viagens que fez, visitou os prisioneiros de guerra austríacos e alemães.

 

Quando a revolução rebentou em Fevereiro de 1917, ele estava em São Petersburgo onde tinha fundado um hospital. Assim que Nicolau II abdicou do trono, ele também abandonou o exercito e tinha intenções de fugir para a Inglaterra onde estavam a sua esposa e filhas, mas o rei Jorge V tinha proibido a entrada de qualquer Grão-Duque russo no país. Então recebeu autorização do Governo Provisório para ir viver para a Finlândia onde permaneceu escondido até Março de 1918. Nessa altura cometeu o erro de pedir um passaporte novo ao governo com o objectivo de ir visitar as suas filhas que não via há mais de quatro anos. Os bolcheviques localizaram-no e levaram-no para Petrogrado onde, a principio, recebeu apenas ordens para não abandonar a cidade, mas, eventualmente, foi enviado para o exílio em Vologda. Mais tarde seria preso formalmente em Petrogrado e o seu destino encerrado.

 

Jorge tinha 55 anos.

 


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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Filme - Rasputin And The Empress (1932)

 

Em 1913, enquanto os Romanov festejam os seus 300 anos de reinado na Rússia, o Grão-Duque Sergei é assassinado nas ruas de São Petersburgo. A sua filha, a única sobrinha do Czar Nicolau II, passa a viver com a família que, apenas 3 meses depois da celebração tem de lidar com uma nova crise de Hemofilia. Natasha, a sobrinha, sugere então que a Imperatriz consulte um "homem santo" que, com a ajuda de Deus, ajudará a curar o seu único filho da doença mortal. No entanto as intenções de Rasputine são tudo menos santas quando ele começa a conspirar contra a família e a seduzir a filha e a sobrinha do Imperador.

 

 

Este filme foi um dos primeiros a ser produzido sobre os Romanov e estreou menos de 20 anos depois da sua morte, o que fez com que muita da informação hoje conhecida ainda estivesse escondida nos arquivos soviéticos. O filme em si é tipicamente "hollywoodesco" com morte, traição, amor e lutas e não é, definitivamente, algo que se recomende a alguém que procure rigor histórico.


O Grão-Duque Sergei foi assassinado em 1905, não em 1913 e, casado com a Grã-Duquesa Isabel Feodorovna, não deixou filhos, logo a personagem de Natasha é pura ficção. Mesmo assim, a verdadeira sobrinha do Czar, Irina Alexandrovna, casada com Felix Yussupov (um dos assassinos de Rasputine) processou a MGM por ter fabricado o seu romance com o monge. O processo foi ganho e a quantia daí recebida foi suficiente para o casal e a única filha viverem uma vida abastada até à sua morte.


No filme Rasputine também seduz a terceira filha do Czar, Maria, mas na verdade não existem registos que provem que ele fosse mais do que um amigo para as filhas do Czar, para além de Nicolau II e mesmo Alexandra, nunca permitirem que o monge fosse deixado sozinho com elas.

 

Imagens:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vídeo:

 

Com:

 

Lionel Barrymore - Rasputine

Ralph Morgan - Nicolau II

Ethal Barrymore - Czarina Alexandra

John Barrymore - Príncipe Paulo

Tad Alexander - Alexis

Diana Wynyard - Natasha

Jean Parker - Maria

Dawn O'Day - Anastasia

C. Henry Gordon - Grão-Duque Igor

Edward Arnold - Doutor Remezov


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