Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Reacção do Grão-duque Paulo Alexandrovich à morte de Rasputine

O Grão-duque Paulo Alexandrovich, era o filho mais novo do czar Alexandre II e, por isso, tio de Nicolau II, o único que ainda vivia durante a Primeira Guerra Mundial. Depois de ficar viúvo da Princesa Alexandra da Grécia e da Dinamarca, de quem teve 2 filhos, conheceu uma plebéia divorciada que, mais tarde, se tornaria na Princesa Olga Paley. Os dois fugiram da Rússia pouco depois do nascimento do seu primeiro filho em comum e casaram-se em segredo, na Itália, em 1902, o que fez com que Paulo perdesse os seus títulos e postos militares. Com Olga teve 3 filhos. Acabaria por receber perdão imperial em 1912, regressando ao seu país natal, onde passou a viver permanentemente na Primavera de 1914. Dmitri Pavlovich, filho do seu primeiro casamento, foi um dos acusados do assassinato de Rasputine.

 

Este relato foi escrito por Maurice Paléologue, embaixador francês na Rússia.

 

 

Terça-feira, 23 de Janeiro de 1917


Jantei em Czarskoe Selo com a família do Grão-duque Paulo Alexandrovich.


Quando nos levantamos da mesa, o Grão-duque levou-me para uma sala distante para que pudessemos ter uma conversa de homem para homem. Confiou-me todas as suas dores e ansiedades.


“O Imperador está mais na mão da Imperatriz do que nunca. Ela conseguiu convencê-lo de que os movimentos hostis que têm surgido contra ela – e que estão a começar a virar-se contra ele, infelizmente – não são nada mais do que uma conspiração dos Grão-duques e uma revolta de salas-de-estar. Isto só pode acabar em tragédia. Sabe qual é a minha crença na monarquia, e para mim o Imperador representa tudo o que é sagrado. Deve-se ter apercebido que sofro com tudo o que está a acontecer e pelo que está para vir.”


Pela sua emoção e pelo tom das suas palavras pude ver que ele está muito preocupado com o seu filho Dmitri que se tinha envolvido no drama. Proceguiu, impulsivamente:


“Não é terrível que, por toda a Rússia, estejam a ancender velas junto ao ícone de São Dmitri e o meu filho esteja a ser chamado do libertino da Rússia?”


A noção de que o filho dele poderia ser proclamado czar a qualquer altura não parece ter-lhe subido à cabeça. Ele é o que sempre foi, o paradigma da liberdade e da boa-educação.


Depois contou-me que quando ouviu em Mohilev sobre o assassinato de Rasputine, regressou imediatamente a Czarskoe Selo.

Quando chegou à estação ao final do dia 31 de Dezembro, tinha a Princesa Paley à espera dele na estação e foi ela que lhe disse que o Dmitri tinha sido preso no seu palácio em Petrogrado. Ele pediu imediatamente uma reunião com o Imperador, que consentiu em recebê-lo às onze nessa mesma noite, mas “apenas por cinco minutos,” uma vez que tinha muito para fazer.


Quando foi arrastado apressadamente para o gabinete do seu sobrinho, o Grão-duque Paulo protestou vivamente contra a prisão do seu filho:


“Ninguém tem o direito de prender um Grão-duque sem um mandato formal teu. Por favor liberta-o… certamente não tens medo que ele fuja, pois não?”


O Imperador fugiu a respostas concretas e pôs um ponto final na conversa.


Na manhã seguinte, o Grão-duque Paulo foi a Petrogrado para ver o seu filho. Perguntou-lhe:


“Mataste o Rasputine?”


“Não.”


“Estás pronto para jurar isso sob o ícone sagrado da virgem e uma fotografia da tua mãe?”


“Sim.”


O Grão-duque Paulo entregou-lhe depois o ícone da virgem e uma fotografia da falecida Grã-duquesa Alexandra:


“Agora: jura que não mataste o Rasputine.”


“Juro.”


Enquanto me contava este episódio, o Grão-duque foi verdadeiramente nobre, sincere e digno. Terminou com estas palavras:


“Não sei mais nada sobre a tragédia. Não quis saber mais nada.”


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Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Czares da Rússia - Alexandre II e Família

 

Nome: Alexandre Nikolaevich Romanov (Alexandre II da Rússia)

Pais: Nicolau I da Rússia e Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia).

Nascimento: 29 de Abril de 1818

Reinado: 3 de Março de 1855 - 1 de Março de 1881

 

 

Principais reformas:

 

  • Decretou o fim da escravatura no Império Russo em 1861, o que lhe deu o cognome de "Czar Libertador".
  • Abertura do regime com o objectivo de o aproximar mais do ideal europeu ocidental. Tinha a consciência da precariedade da sua posição como autocrata em relação com o aumento dos movimentos radicais, por isso foi distribuindo o seu poder entre ministros e conselhos.
  • Durante o seu reinado lidou com a Guerra da Crimeia e com a Guerra Russo-Turca que, embora não totalmente desastrosas, deixaram o Império numa situação complicada.
  • Reformas profundas em todos os sectores, (principalmente nos primeiros anos de reinado) iniciando-se no exercito e marinha, passando pela educação e leis. A pena de morte foi abolida e foi adoptado o sistema jurídico francês mais simplificado. Com o aumento dos movimentos revolucionários, Alexandre II achou que as reformas políticas não seriam a solução, por isso iniciou um movimento de repressão dos detractores. A repressão por ele criada levaria ao seu assassinato em 1881.

 

Família:

 

Consorte: Maria Alexandrovna da Rússia (nascida Princesa Maximiliana Guilhermina Augusta Sofia Maria de Hesse-Darmstadt).

 

 

O casamento entre Alexandre II e a jovem princesa alemã não foi bem recebido entre os pais dele, principalmente a mãe, a Imperatriz Alexandra Feodorovna. Ela considerava Maria demasiado calada e pouco ambiciosa para o papel de Imperatriz de todo o Império. Complicando a situação, o parentesto dela era questionado. A sua mãe, Guilhermina de Baden, mantinha uma relação extra-conjugal com um dos amigos do marido e pensasse que tanto Maria como o seu irmão mais velho, Alexandre, eram filhos dessa relação e não do Grão-duque Luís II de Hesse-Darmstadt. Alexandre ignorou os conselhos da mãe e casou-se com ela em Abril de 1841.

 

Embora o inicio do casamento tivesse sido romântico, Alexandre cansou-se rapidamente da sua esposa conservadora e foi procurar conforto por entre a corte. Acabaria por formar uma nova família com a plebeia Catarina Dolgorukov com quem se casaria pouco depois da morte de Maria em 1881.

 

 

Coroação de Alexandre II e Maria Alexandrovna

 

Filhos:

 

Alexandra Alexandrovna Romanova

 

Nascida a 30 de Agosto de 1842, Alexandra foi a primeira filha do Czar. Não atingiu a idade adulta devido a uma meningite fatal que a atingiu quando ela tinha 6 anos de idade. É talvez mais conhecida pelos rumores de que o seu fantasma apareceu durante uma sessão espirita realizada pelo seu pai.

 

Nicolau Alexandrovich Romanov

 

Segundo filho do Imperador, teria sucedido ao pai se tivesse resistido a um fatal ataque de Tuberculose quando tinha 21 anos. Foi o primeiro noivo da Princesa Maria da Dinamarca, mas no leito de morte expressou o desejo de a ver casada com o seu irmão mais novo, Alexandre.

 

Alexandre III da Rússia

 

 

Vladimir Alexandrovich Romanov


 

Conhecido principalmente durante o reinado do sobrinho, Nicolau II, por ser o Grão-duque mais velho da família. Juntamente com a sua esposa, Maria Pavlovna, opôs-se seriamente às suas políticas. Fundador do ramo "Vladimirovich" da família imperial, a sua bisneta, a Grã-duquesa Maria Vladimirovna, reclama actualmente o direito de chefe da família Romanov.

 

Alexei Alexandrovich Romanov

 

Banido da Rússia pelo seu irmão Alexandre após o seu casamento "ilegal" com uma plebeia, passou grande parte da sua idade adulta em Paris. Antes era um importante membro da Marinha Imperial.

 

Maria Alexandrovna Romanova

 

A única filha sobrevivente do Czar, casou-se com o Príncipe Alfredo do Reino Unido, filho da Rainha Vitória. Entre os seus filhos incluem-se a Rainha Maria da Roménia e a Princesa Vitória Melita, primeira esposa do Grão-duque Ernesto Luís de Hesse e, mais tarde, do Grão-duque Cyril Vladimirovich da Rússia.

 

Sergei Alexandrovich Romanov

 

Uma das principais figuras do reinado do Czar Nicolau II, foi Governador-geral de Moscovo e grande opressor das minorias da cidade, o que lhe valeu o ódio dos seus hábitantes. Casou-se com a Princesa Isabel de Hesse-Darmstadt, irmã mais velha da futura Czarina Alexandra Feodorovna, de quem não teve filhos. Acabou por ser assassinado em 1905.

 

Paulo Alexandrovich Romanov

 

O filho mais novo do Czar, casou-se em primeiro lugar com a Princesa Alexandra da Grécia e Dinamarca de quem teve dois filhos, a Grã-duquesa Maria Pavlovna e o Grão-duque Dmitri Pavlovich. Mais tarde apaixonou-se pela esposa de um dos guardas do seu regimento, Olga Paley. Os dois iniciram um romance que levou ao divórcio dela e à expulsão do casal e do filho da Rússia. Mais tarde chegaria ao quarto lugar na linha de sucessão, o que levou ao perdão do Czar e o regresso à Rússia. Foi nomeado o porta-voz da família para avisar o seu sobrinho Nicolau II sobre Rasputine, sendo ignorado. Acabaria mesmo por cortar relações com o sobrinho quando ele rejeitou a petição escrita pela esposa de Paulo para que o seu filho Dmitri pudesse permanecer na Rússia após o assassinato do monge siberiano. Acabaria por ser assassinado em Janeiro de 1919 pelos bolcheviques.

 

 

Causa de morte: Assassinado quando uma boma explodiu dentro da sua carruagem.


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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Uma Actriz na Família - Biografia de Natalie Paley (1ª parte)

 

Natália Pavlovna Paley nascida a 5 de Dezembro de 1905, foi um ícone da moda, socialite e actriz nascida em França. O seu pai era o Grão-duque Paulo Alexandrovich da Rússia, filho do czar Alexandre II e tio do czar Nicolau II. Ficou mais conhecida entre o grande público pelo seu nome artístico, Natalie Paley.


Natália era descrita como o sonho dos publicitas de Hollywood. Uma criatura fascinante, descendente da mais rica e famosa família europeia, os Romanov, era a figura viva do “chic” francês e quase demasiado perfeita para ser real. A sua vida romântica e trágica foi algo que a ficção nunca poderia ter igualado. Viveu os últimos tempos da Rússia czarista, os glamorosos anos 30 na alta sociedade parisiense e movimentou-se pelos círculos mais altos de Hollywood e Nova Iorque.


A sua vida floresceu e depois apagou-se. No final tudo o que restou foi uma mulher triste e só que agraciou o seu século como uma rara, mas desperdiçada flor.

 

Natalie fotografada por Cecil Beaton

 

Os pais de Natália, o Grão-duque Paulo Alexandrovich da Rússia e a aristocrata Olga Paley, conheceram-se em São Petersburgo por volta de 1895. Na altura ela estava casada com um oficial e era mãe de três crianças. Paulo era também pai de dois filhos, (a Grã-duquesa

Maria Pavlovna e o Grão-duque Dmitri Pavlovich) mas viúvo. A sua esposa, a Princesa Alexandra da Grécia, tinha morrido ao dar à luz o seu filho Dmitri. Os dois apaixonaram-se rapidamente e começaram um caso em segredo. Contudo o segredo não durou muito tempo, uma vez que no dia 9 de Janeiro de 1897, Olga deu à luz o primeiro filho do casal, Vladimir Pavlovich. Olga conseguiu obter o divórcio do marido e deixou a Rússia na companhia de Paulo. Os dois casaram-se em

Livorno, na Itália, a 10 de Outubro de 1902.

No dia 21 de Dezembro de 1903 voltaram a ser pais, desta vez de uma menina a quem chamaram Irina. Pouco tempo depois do nascimento da bebé, o Rei da Baviera deu a Olga o título de Condessa von Hohenfelsen, que deveria ser transmitido aos seus descendentes. A família ainda se encontrava na Itália quando Paulo recebeu uma carta do seu sobrinho, o czar Nicolau II da Rússia, onde lhe foi transmitido que, devido ao casamento realizado sem a sua autorização, o casal e os filhos estavam banidos da Rússia. Embora tivesse sido um preço alto a pagar, principalmente para Paulo que tinha os seus dois filhos do primeiro casamento em São Petersburgo e era um patriota convicto.

 

Os pais de Natalie, o Grão-duque Paulo Alexandrovich e a Princesa Olga Paley

 

A família instalou-se em Paris e comprou uma casa em Boulogne-sur-Seine, onde Natália nasceu em 1905. A casa luxuosa onde viviam tinha pertencido anteriormente à Princesa Zenaide Ivanovna Youssoupova (mãe do Príncipe Félix Yussupov) e tinha permanecido fechada desde a morte dela em 1897. Paulo e Olga contrataram, ao todo, 16 criados que incluíam camareiras, jardineiros e tutores.

 

Natalie ainda bebé com a irmã Irina e o irmão Vladimir

Vladimir, Irene e Natália tiveram uma infância muito feliz com todas as vantagens de uma vida privilegiada e, durante algum tempo, viveram protegidos do mundo exterior. Apesar dos seus pais terem uma vida social ocupada, as crianças eram muito chegadas a eles e comiam todas as refeições juntos, um costume pouco comum para a sua época e posição. Aos Domingos a família costumava ir até a uma Igreja Ortodoxa próxima da sua casa e participar numa missa privada conduzida pelo padre que tinha baptizado Natália.

 

Natalie durante a sua infância na casa em Paris

 

O perdão chegou do czar Nicolau II em Janeiro de 1912 e Paulo decidiu deixar a França imediatamente para visitar os seus filhos do primeiro casamento em Czarskoe Selo, perto de São Petersburgo. Paulo sentiu-se em casa novamente e decidiu mandar construir um luxuoso palácio na sua cidade natal. Este novo projecto precisava de 64 criados, um grande contraste em relação à casa que a família mantinha em Paris. A família mudou-se para Czarskoe Selo na Primavera de 1914.

 

Natalie (dir.) com a irmã Irina

 

A pequena Natália, isolada das realidades que afectavam a Rússia czarista, ficou muito entusiasmada com a viagem, bem como com a descoberta de uma nova família, incluindo a sua avó materna e os seus meios-irmãos. Tornou-se rapidamente amiga das suas primas Olga, Tatiana, Maria e Anastásia, filhas do czar Nicolau II. Foi um momento dourado na vida de Natália, mas muito curto. Três meses depois de a família começar a sua nova vida, rebentou a Primeira Guerra Mundial. Ela tinha 9 anos de idade.

 

Natalie em 1914

 

A vida sem preocupações de Natália terminou. O seu irmão Vladimir, bem como a maioria dos homens da sua família, juntou-se ao seu regimento para lutar contra a Áustria e a Alemanha. Apesar da sua saúde fraca, o seu pai decidiu ignorar os conselhos médicos e juntou-se aos esforços russos na guerra em 1916.

A revolução eclodiu em Fevereiro e todos os membros da família Romanov foram mantidos sob vigilância. Em vez de abandonar o país, Paulo e a sua esposa, não vendo perigo, decidiram ficar no seu palácio. Quando o czar e a família foram exilados para a Sibéria, Natália e a sua família receberam ordens de prisão domiciliária. Cada dia que passava trazia novas humilhações ao ponto de terem soldados bêbados a dormir nos corredores. Em Janeiro de 1918, o governo de Lenine decretou que o palácio onde a família residia se deveria tornar num museu e Olga foi forçada a trabalhar como guia dos seus antigos bens confiscados pelo governo. O carro da família foi também confiscado e passou a ser utilizado por Lenine.

 

Natalie com a irmã em Czarskoe Selo

 

Natália, a irmã e a mãe foram depois forçadas a viver noutra área do palácio e a cozinhar para os guardas, sempre debaixo de insultos e insinuações. Apesar de ela nunca ter falado sobre isso em nenhuma entrevista ou em cartas, os amigos e familiares de Natália confessaram que um grupo de soldados abusou sexualmente dela durante a prisão, quando ela tinha pouco mais de 13 anos. Durante o resto da vida, este crime afectou as suas relações com homens.

 

Natalie na Suíça aos 14 anos

 

Mas o pior ainda estava para chegar. Vladimir foi preso em Viatka a 22 de Março de 1918 e o pai de Natália recebeu a mesma ordem a 30 de Julho. Em desespero Olga organizou a fuga das filhas com a ajuda de alguns amigos. A fuga aconteceu numa noite de Dezembro. As duas irmãs foram transportadas de carro até à estação de comboios de Ochta. Após uma viagem de quatro horas onde tiveram que viajar dentro do vagão de gado, as duas saltaram do comboio perto da fronteira com a Finlândia. O resto da viagem até ao país vizinho foi feita a pé. As duas adolescentes foram levadas para uma casa de caridade e esperaram pela chegada dos pais e irmão.

 

Natalie (dir.) com a irmã

 

O pai delas nunca conseguiu fugir da Rússia. O Grão-duque Paulo foi assassinado em Janeiro de 1919 juntamente com outros três parentes. Olga conseguiu chegar à Finlândia e encontrou as filhas. Na altura ela ainda estava a recuperar lentamente da tragédia da morte do marido e também de uma cirurgia de emergência à qual se tinha submetido para tratar de um tumor no peito. Em Setembro de 1919 as três descobriram que Vladimir tinha sido também assassinado em Julho do ano anterior juntamente com outros membros da família, incluindo a Grã-duquesa Isabel Feodorovna, tia de Natália. Também o ex-czar e a sua família tinham sido assassinados.

 

Natalie (em baixo) com a família em 1914

 

Natália mudou-se com a irmã e a mãe para a Suécia onde viveram até à Primavera de 1920. Depois voltaram para França onde venderam a sua antiga casa e compraram outra no 16º distrito. Com algumas jóias que lhe sobraram, Olga comprou uma villa em Biarritz, na costa atlântica, onde a família se juntava. Mais tarde ela vendeu a casa em Paris e comprou uma mais pequena em Neuilly. A saúde de Olga foi piorando ao longo que os meses avançavam. Em 1928 soube-se que os bens que tinham sido confiscados à família seriam vendidos num leilão em Londres. A família foi até Inglaterra para os tentar recuperar, mas não conseguiu.

 

Natalie (esq.) com a irmã durante a adolescência

 

Natália e a sua irmã foram enviadas para um colégio privado proeminente na Suiça, mas ela não se conseguiu misturar com os seus colegas. Tal como confessou mais tarde durante uma entrevista a uma revista, ela sentia-se “tão diferente dos outros. Aos 12 anos as meninas francesas ainda liam Robinson Crusoe e viam filmes do Douglas Fairbanks. Aos 12 anos eu levava pão ao o meu pai na prisão. Como poderia eu ser como elas? Eu era muda e não brincava. Mas andava a ler muito. Eu tinha visto a morte de tão perto. O meu pai, o meu irmão, os meus primos e os meus tios foram todos executados, todo aquele sangue Romanov derramado durante a minha adolescência. Tudo isso me deu gosto por coisas tristes, poesia e morte. Rapidamente as minhas colegas compreenderam-me e respeitaram a forma como era, por muito estranha que possa ter parecido.”

 

 

As irmãs regressaram a Paris onde Irina se casou com o Príncipe Feodor Alexandrovich da Rússia, filho da Grã-duquesa Xenia Alexandrovna. O casamento realizou-se no dia 31 de Maio de 1923. Apesar da felicidade da irmã, Natália não pensava em casamento, apesar de não lhe faltarem admiradores.

 

Tal como a maioria dos aristocratas russos sobreviventes da revolução que se tinham estabelecido em França, Natália foi à procura de emprego. Encontrou um quando entrou na casa de moda de Lucien Lelong em Matignon, perto dos Campos Elísios, onde foi contratada como modelo.


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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Curiosidades - As Vitimas da Família Imperial Russa (2ª parte)

Dia 28 de Janeiro de 1919

O último golpe. Quatro membros da família imperial feitos prisioneiros meses antes na prisão de São Petersburgo são acordados nas primeiras horas da manhã e informados de que têm de arrumar os seus pertences porque vão ser transferidos.

 

Cumprem as ordens e são atirados para um camião com outros prisioneiros que os leva até à Fortaleza de Pedro e Paulo. Antes de chegar ao local escolhido, são obrigados a deixar a bagagem para trás e recebem ordens para tirar os casacos e camisolas apesar das temperaturas negativas. Sabendo já do destino que os espera, os quatro abraçam-se pela última vez e rezam calmamente pelos soldados.

 

Todos são mortos a tiro e enterrados numa vala comum junto de todos os outros homens executados nesse dia. As 4 últimas vítimas eram:

 

 

Grão-Duque Paulo Alexandrovich

 

Paulo com os filhos Dmitri e Maria

 

Nascido no dia 3 de Outubro de 1860, era o oitavo filho do primeiro casamento do Czar Alexandre II.

 

O seu nascimento foi comemorado com a criação da cidade de Pavlodar no Cazaquistão. Entrou no Exercito russo e subiu na carreira até ser nomeado General, mas era conhecido pela sua gentileza, fervor religioso e acessibilidade em falar com as pessoas.

 

No dia 17 de Junho de 1889 casou-se com a Princesa Alexandra da Grécia e teve a primeira filha, Maria Pavlovna, 10 meses depois. No dia 18 de Setembro de 1891, durante um passeio no palácio, a sua esposa, grávida do segundo filho, saltou para um barco em movimento e caiu, provocando o nascimento prematuro do Grão-Duque Dmitri Pavlovich (um dos futuros assassinos de Rasputine). Pouco depois do nascimento, Alexandra entrou em coma e nunca mais acordou.

 

Em 1893, Paulo apaixonou-se por uma mulher comum chamada Olga Valerianovna e, alguns anos mais tarde, pediu a autorização do Czar Nicolau II (seu sobrinho) para se casar com ela. Ele não a concedeu e os dois decidiram deixar a Rússia para se instalar em Paris. Casaram em 1902 na Igreja Ortodoxa de Livorno, na Itália e o casamento provocou grande escândalo dentro da corte. Pouco depois Paulo pediu a custódia dos seus dois filhos, mas, mais uma vez, o pedido foi recusado e Maria e Dmitri passaram a viver com o irmão de Paulo, Sergei e a esposa Isabel Feodorovna. Viveu muitos anos com a sua segunda esposa em Paris e o casal teve três filhos (Vladimir, Irina e Natália). Eventualmente os velhos titãs da família foram morrendo e Paulo aproximou-se cada vez mais do trono, por isso recebeu autorização para regressar à Rússia em 1915, onde se instalou em Czarskoe Selo.

 

Durante a Primeira Guerra Mundial foi comandante da Guarda Imperial e, mais tarde, foi transferido para o posto de comando do Czar. Em 1917 tentou convencê-lo a conceder uma constituição à Rússia, mas falhou. Mesmo assim foi um dos poucos que manteve amizade com a Czarina Alexandra Feodorovna até aos últimos dias do regime.

 

O seu filho Vladimir foi exilado em Março de 1918 e morto quarto meses depois. Ele próprio acabou por ser preso em Agosto de 1918 e levado para a prisão de São Petersburgo. A sua saúde já estava fraca, mas acabou por deteriorar-se durante os seus meses na prisão. A sua esposa fez tudo o que podia para o libertar, mas não conseguiu evitar a sua execução.

 

Paulo tinha 58 anos e o seu corpo nunca foi encontrado.
 

Grão-Duque Dmitri Constantinovich

 

Dmitri Constantinovich com o primo Alexandre III em frente

 

Nasceu no dia 13 de Junho de 1860 e era neto do Czar Nicolau I pelo seu segundo filho, Constantino Nikolaevich. O seu pai era um alto oficial da Marinha e sempre esperou que os seus filhos lhe seguissem as pisadas, educando-os desde cedo na vida do mar. Ao mesmo tempo ambos os seus pais eram muito ligados à música e Dmitri teve também aulas de canto e de piano desde muito novo. Apesar de tudo os seus pais tinham um casamento infeliz e, quando ele era adolescente, o pai abandonou a família para viver com a amante, uma bailarina russa. Quando tinha 14 anos, o seu irmão mais velho, Nicolau, foi deserdado e enviado para o exílio depois de roubar os diamantes de um ícone da mãe. Depois deste episódio, a mãe de Dmitri fez os seus filhos jurar que nunca iriam entrar em vícios como a bebida, o jogo e a prostituição e, por isso ele cresceu tremendamente religioso.

 

Durante alguns anos frequentou a escola naval com os seus irmãos, mas depois decidiu que se sentia mais vocacionado para a vida no exército e, para desgosto do pai, abandonou a escola e alistou-se no regimento dos guardas a caval. Durante toda a vida, seguindo a promessa que tinha feito à mãe, Dmitri nunca se misturou com a sociedade e preferia passar serões calmos em casa com os amigos onde tocava piano e cantava músicas tradicionais russas.

 

Depois de 12 anos no regimento de guardas a cavalo, Dmitri foi promovido a comandante e, partir daí teve uma carreira de sucesso nos anos que se seguiram. Dmitri era um dos membros mais altos da família Romanov, conhecida pela altura quase monstruosa dos seus homens. Apesar de ser considerado também um dos mais belos da família, permaneceu solteiro durante toda a vida. Ele era adorado por todos, especialmente pelos seus pequenos sobrinhos e sobrinhas com quem brincava e conversava durante horas. Era particularmente próximo dos filhos do seu irmão Constantino. O seu sobrinho, o Príncipe Gabriel Constantinovich, descreveu-o como “uma pessoa maravilhosa e bondosa” que era quase um segundo pai para ele e para os irmãos.

 

Durante o reinado de Nicolau II, Dmitri foi promovido a Major-General do seu regimento, mas não gostou do seu novo posto. Até então a sua única tarefa tinha sido lidar com cavalos, mas a sua timidez impedia-o de fazer o mesmo com os oficias. Mais tarde seria novamente promovido a um posto cuja função era percorrer a Rússia à procura dos melhores cavalos para o exército. Ele gostou da sua nova posição, mas teve de se retirar devido ao facto de estar a perder a visão rapidamente.

 

Depois da reforma ele passou a viver grande parte do ano na Crimeia onde pôde desfrutar ao máximo da sua maior paixão: os cavalos. Quando a Primeira Guerra Mundial rebentou, ele não ficou surpreendido uma vez que já esperava uma invasão alemã há muito tempo. Durante este período ele estava quase cego, por isso não pôde participar activamente nos combates, contentando-se em treinar cavalos para o exército. Durante a crise na monarquia, ele não se quis envolver em política, dizendo que não era a sua função dar conselhos não solicitados a Nicolau II. Em 1917, apesar dos tempos conturbados, decidiu comprar uma mansão em Petrogrado onde vivia com a sobrinha Tatiana que tinha perdido o marido durante a guerra.

 

Depois da revolução, Dmitri foi obrigado tal como todos os outros membros da família a apresentar-se à Checa, a polícia política do novo regime que lhe ofereceu a escolha de três cidades como destino de exílio. Ele escolheu a que ficava mais próxima de Petrogrado. No exílio ocupou dois quartos da casa de um mercador da cidade. Partilhou um com o Coronel Korochentzov enquanto que a sua sobrinha Tatiana e os filhos ficaram no outro. Nenhum deles tinha autorização para abandonar a casa. No dia 14 de Julho de 1918, Dmitri foi separado dos seus companheiros de exílio e enviado para uma outra cidade onde já se encontravam outros membros da família presos. No dia 21 de Julho souberam da morte de Nicolau II e da família e temeram o pior para o seu futuro. Nessa noite os prisioneiros foram transferidos novamente para Petrogrado. Na nova prisão foram interrogados exaustivamente e, quando Dmitri perguntou a razão pela qual tinham os membros da família sido presos, o guarda respondeu que estavam a protegê-los das multidões furiosas que os queriam matar.

 

Um sobrinho de Dmitri, Gabriel Constantinovich, estava preso na cela ao seu lado e recordou que o seu tio tinha pedido toda a alegria que lhe era característica. Fora da prisão muitos familiares tentaram libertá-los, mas sem sucesso. Gabriel, no entanto, adoeceu gravemente e conseguiu ser libertado, fugindo mais tarde do país.

 

Dmitri morreu com 58 anos e o seu corpo foi o único dos quatro a ser recuperado por um amigo que organizou uma cerimónia fúnebre privada. Está enterrado no jardim da sua casa em São Petersburgo.

 

 

 

Grão-Duque Nicolau Mikahilovich

 

 

Nascido no dia 26 de Abril de 1859, era neto do Czar Nicolau I pelo seu quarto filho, o Grão-Duque Miguel Nikolaevich. Embora tenha nascido em Czarskoe Selo, passou a maior parte da infância e juventude na Geórgia onde recebeu uma educação rígida por parte dos pais. O facto de ele e os irmãos terem crescido longe da vida luxuosa da capital imperial fez com que se tornassem mais liberais do que os seus familiares.

Durante a sua juventude, o Grão-Duque apaixonou-se várias vezes e esteve perto de se casar com a sua prima directa, Vitória de Baden, no entanto a Igreja Ortodoxa não autorizava casamentos entre primos em primeiro grau e ela acabou por se casar com o Príncipe da Suécia. Mais tarde também se quis casar com Amélia de Orleães, mas ela era católica e os pais não estavam dispostos a deixá-la converter-se. Mais tarde ela seria Rainha de Portugal. No final, Nicolau acabou mesmo por nunca se casar, o que não o impediu de ter vários filhos bastardos.

Nicolau nunca se interessou particularmente na vida militar e não teve um treino intensivo. Desde cedo que as suas verdadeiras paixões eram a História, a Filosofia e a Botânica. Tentou convencer o seu pai a deixá-lo ir para a Universidade, mas ele recusou. Chegou a entrar na Academia Militar, mas odiava-a e acabou mesmo por desistir e, mais tarde, tornar-se-ia doutorado em Paris e Berlim. Durante a sua vida publicou vários livros sobre botanica e caça até se começar a interessar mais por História, particularmente no seu tio-avô, o Czar Alexandre I. Ao contrário de outros historiadores da época, Nicolau tinha acesso ilimitado aos arquivos da família que, por vezes, tinha até o privilégio de receber directamente em casa. Além disso, devido à sua fortuna, podia contratar ajudantes para as suas pesquisas. Os seus trabalhos foram traduzidos para inglês e francês e tornaram-se famosos na Europa. Mesmo durante a era soviética, parte das suas descobertas foi incluida no ensino.

No entanto, os seus douturamentos não o impediam de ser descrito como excentrico e mal-humurado. Passava a maioria do tempo a viajar, principalmente por Paris e pelo Sul de França e era costume perder somas avultadas nos casinos de Monte Carlo. Além disso era também odiado pela Czarina Alexandra que não gostava das suas teorias liberais. De facto, Nicolau costumava entrar em acesas discussões com o Czar devido ao seu governo autocrático e pedia-lhe constantemente para introduzir reformas liberais e conseder uma Constituição ao país.

Durante a Primeira Guerra Mundial, devido à sua falta de preparação militar, teve apenas um posto honorifico no exercito. Ficou com as tropas em Kiev, fortemente ameaçada pelos exercitos austro-húngaros e tinha como principal função visitar hospitais e dar apoio moral aos soldados. Quando Nicolau II decidiu comandar as tropas pessoalmente e deixar a sua esposa encarregue do poder em Petrogrado, o Grão-Duque ficou horrorizado e enviou uma carta ao Czar onde lhe implorava que retirasse Alexandra do poder e a enviasse para Livadia onde não poderia interferir com os assuntos do governo. O Czar rejeitou a proposta e exiliou-o na sua propriedade na Rússia Central onde o Grão-Duque permaneceria até à queda da Monarquia em 1917.

Quando a Revolução de Outubro rebentou, os bolcheviques não o incomodaram a principio. Tal como muitos outros, Nicolau acreditava que o governo de Lenine não duraria muito e recusou instalar-se na Dinamarca onde a sua sobrinha era rainha. Eventualmente os bolcheviques invadiram o seu palácio e exilaram-no para a mesma cidade de Dmitri Constantinovich. Os dois ficaram juntos até à morte.

 

Grão-Duque Jorge Mikhailovich
 
 

Nasceu no dia 23 de Agosto de 1863. Era irmão mais novo do Grão-Duque Nicolau Mikhailovich e irmão mais velho do Grão-Duque Sergei Mikhailovich, morto pelos bolcheviques alguns meses antes de si.

Teve a mesma educação austera dada aos irmãos, mas isso não o impediu de se juntar ao estilo de vida da maioria dos Grão-Duques da sua família que incluía festas, bebida, jogo e mulheres. Apesar disso era um homem calado e pouco expressivo que apenas se abria com os amigos mais próximos. Era conhecido por ter um apetite voraz e por ser o primeiro a chegar para refeições. Devido à sua personalidade recatada, a sua opinião nunca tinha muita importância na família e as suas principais funções prendiam-se com a participação em cerimónias simbólicas como a entrega de medalhas e ordens.

 

Durante toda a sua vida, Jorge fez colecção de moedas que acabou por se tornar na maior da Rússia.

 

Jorge casou-se apenas aos 37 anos de idade com a Princesa Maria da Grécia e Dinamarca, depois de não ter conseguido uma união com a Princesa Nina Chavchavadze nem com a Princesa Maria de Edimburgo. A sua esposa, por seu lado, não gostava dele e apenas aceitou casar-se depois de não ter tido autorização para se casar com um homem comum. Os dois tiveram duas filhas (Nina nascida em 1901 e Xenia nascida em 1903), mas nunca tiveram um casamento feliz. Jorge era um pai dedicado, mas isso não impediu a sua esposa de, em 1914, levar as filhas para Inglaterra com o pretexto de querer viver num lugar mais saudável. Um mês depois de elas chegarem a Inglaterra rebentou a Primeira Guerra Mundial e tornou-se demasiado perigoso regressar ao país, por isso Jorge nunca mais as voltou a ver.

 

Durante a Guerra, Jorge tornou-se assistente de Nicolau II no campo de batalha e tinha como função inspeccionar os trabalhos na frente de combate. Nos seus relatórios revelou muita corrupção entre generais, o que lhe valeu muitos inimigos. Em meados de 1915 foi enviado numa missão ao Japão e apenas regressou à Rússia no ano seguinte onde continuou os seus trabalhos de inspecção em Kiev. Durante as muitas viagens que fez, visitou os prisioneiros de guerra austríacos e alemães.

 

Quando a revolução rebentou em Fevereiro de 1917, ele estava em São Petersburgo onde tinha fundado um hospital. Assim que Nicolau II abdicou do trono, ele também abandonou o exercito e tinha intenções de fugir para a Inglaterra onde estavam a sua esposa e filhas, mas o rei Jorge V tinha proibido a entrada de qualquer Grão-Duque russo no país. Então recebeu autorização do Governo Provisório para ir viver para a Finlândia onde permaneceu escondido até Março de 1918. Nessa altura cometeu o erro de pedir um passaporte novo ao governo com o objectivo de ir visitar as suas filhas que não via há mais de quatro anos. Os bolcheviques localizaram-no e levaram-no para Petrogrado onde, a principio, recebeu apenas ordens para não abandonar a cidade, mas, eventualmente, foi enviado para o exílio em Vologda. Mais tarde seria preso formalmente em Petrogrado e o seu destino encerrado.

 

Jorge tinha 55 anos.

 


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Sábado, 21 de Junho de 2008

Nicolau II - A biografia (1ª parte)

Nicolau Alexandrovich Romanov nasceu a 18 de Maio de 1868 e foi o último czar da Rússia, rei da Polónia e Grão-Duque da Finlândia. O seu título oficial era Nicolau II, Imperador e Autocrata de Todas as Rússias e, hoje em dia, é um dos santos da Igreja Ortodoxa.

 

Nicolau II

 

Nicolau II governou desde 1894 até à sua abdicação em 1917. Provou ser incapaz de governar um país em tumulto político e de comandar o seu exército durante a Primeira Guerra Mundial. O seu reinado terminou com a Revolução Russa de 1917 durante a qual ele e a sua família foram presos, primeiro no Palácio de Alexandre em Czarskoe Selo, depois na mansão do Governador em Tobolsk na Sibéra e, finalmente, na casa Ipatiev em Ekaterinburgo onde a família acabaria por ser executada pelos bolcheviques na noite de 16 para 17 de Julho de 1918. Durante o seu reinado, Nicolau recebeu o cognome de Nicolau, o Sangrento devido aos trágicos acontecimentos durante a sua coroação, ao episódio do Domingo Sangrento e a subsequente repressão do seu governo ao movimento socialista. É também conhecido por ocupar o terceiro lugar na lista de pessoas mais ricas da História com uma fortuna  avaliada em 253.5 biliões de dólares .

 

 

 

Nicolau nasceu em Czarskoye Selo, o primeiro filho do Imperador Alexandre III e da sua esposa Maria Feodorovna, Princesa Dagmar da Dinamarca. Os seus avós paternos eram Alexandre II da Rússia e a sua primeira esposa Maria Alexandrovna, Princesa de Hesse-Darmstadt. Os seus avós maternos eram Cristiano IX da Dinamarca e Louise de Hesse-Kassel.

 

Nicolau II aos 3 anos de idade

 

Desde sempre uma criança sensível, Nicolau sentia receio da força e estatura do seu pai, Alexandre III, apesar de o adorar e falar  dele com saudade em cartas e diários depois da sua morte. Apesar de tudo era mais próximo da sua mãe. Nicolau tinha três irmãos: Alexandre (1869-1870), Jorge (1871-1899) e Miguel (1878-1918) e duas irmãs: Xenia (1875-1960) e Olga (1882-1960).

 


Nicolau com a  mãe em 1870

 

Nicolau tornou-se czarevich inesperadamente no dia 1 de Março de 1881 quando o seu avô foi assassinado num atentado bombista em São Petersburgo, sendo sucedido por Alexandre III. Nicolau tinha 12 anos e entrou na sala do Palácio de Inverno onde o seu  avô pálido estava deitado à espera da morte e sentou-se na ponta da cama a observá-lo por ordem do pai. A sua mãe, que tinha estado a patinar no gelo, chegou ainda com os patins calçados, movimentando-se com dificuldade. O seu pai ficou paralisado do lado de fora da janela, a tremer nervosamente até o médico anunciar a morte do czar libertador.

 

Nicolau durante a infância

 

Muito se tem escrito sobre o luxo e opulência da vida dos Romanov. De facto, a corte era deslumbrante, mas o esplendor não chegava aos aposentos das crianças. No Palácio de Inverno, em Czarskoe Selo, Gatchina e Peterhof, foi possível visitar esta área até 1922 e constatou-se que as crianças dormiam em camas amovíveis com almofadas duras e colchões finos. O chão era coberto com uma carpete modesta e não existiam cadeiras nem sofás, sendo que a única mobília da divisão eram alguns bancos, pequenas mesas e estantes onde se guardavam livros e brinquedos.


O único pormenor rico era apenas visível numa das paredes onde estava pendurada uma imagem da Virgem de Kasam rodeada de pérolas e pedras preciosas. A comida era muito simples e, desde os dias de Maria Alexandrovna, esposa de Alexandre II, os costumes ingleses foram introduzidos: papas de aveia para o pequeno-almoço, banhos frios e muito ar fresco. Ao almoço, Nicolau e os irmãos juntavam-se aos seus pais na refeição onde havia mais fartura, no entanto, as crianças eram as últimas a ser servidas depois de todos os convidados presentes e ainda tinham de sair da mesa assim que o seu pai se levantasse, o que acabava por fazer com que ficassem com fome.

 

Nicolau (direita) com o irmão Jorge

 

Um dia, durante uma das longas celebrações pascais que a família tinha de frequentar, um Nicolau esfomeado aproveitou um crucifixo que trazia ao pescoço desde o nascimento que tinha uma amostra de cera dentro. “O Nicky estava com tanta fome que abriu a cruz e comeu tudo o que estava lá dentro, incluindo a relíquia que estava escondida na cera”, recordou a sua irmã Olga.

 

Nicolau (no centro) com os primos ingleses

 

Nicolau passou a maior parte da sua infância no Palácio de Gatchina, cerca de 64 quilómetros a oeste de São Petersburgo, perto de Czarskoe Selo. Gatchina tinha 900 quartos e era o palácio preferido de Alexandre III que possuía ainda palácios em Peterhof, Czarskoe Selo, Anitchkov, Moscovo e em Livadia, na Crimeia.


O czarevitch foi educado por tutores. Havia tutores de línguas, de geografia e ainda um tutor de dança que usava luvas brancas e exigia que uma grande jarra de flores estivesse sempre presente quando ele tocava piano. De todos os tutores, o mais importante foi Constantino Petrovich Pobesdonostsev, um filósofo.

 

Nicolau durante a sua juventude

 

Em vários aspectos, a educação de Nicolau foi excelente. Ele tinha uma memória extraordinária, o que o tornava um excelente aluno em História, falava Francês, Alemão, e o seu Inglês era tão bom que poderia ter enganado qualquer professor de Oxford e fazê-lo acreditar que era inglês. Era bom cavaleiro, dançarino e excelente com armas. Desde cedo foi ensinado a manter um diário e, ao estilo de infindáveis príncipes e cavalheiros da época, registava fielmente, dia após dia, o estado do tempo, o número de pássaros que tinha morto e os nomes daqueles que o acompanhavam em passeios e jantares.

 

 

Em Maio de 1890, alguns dias antes do seu 22º aniversário, Nicolau escreveu no seu diário: “Hoje terminei definitivamente a minha educação.” Na maioria do tempo, não era pedido a Nicolau que fizesse alguma coisa. A função essencial do czarevich, assim que terminava a sua educação e atingia a idade adulta, era esperar o mais discretamente possível a sua vez de subir ao trono. Em 1890, Alexandre III tinha apenas 45 anos e esperava-se que continuasse a ocupar o seu lugar por mais 20 ou 30  por isso, apesar de duvidar da capacidade do filho em assumir as suas responsabilidades, não fez grande coisa para o preparar. Nicolau aceitou alegremente o papel de “playboy” para o qual tinha sido designado. Por vezes o seu pai obrigava-o a assistir a reuniões do Concelho Imperial, mas os seus olhos estavam presos no relógio e, na primeira oportunidade, fugia.

 

Nicolau (2º da esquerda) com alguns membros da família


Tratado de “Nicky” pela sua família e amigos mais próximos, o czarevich apaixonou-se pela Princesa Alix de Hesse-Darmstadt, neta da Rainha Vitória de Inglaterra, em 1884 durante o casamento do tio de Nicolau, Sergei Alexandrovich, com a irmã de Alix., Isabel Ele tinha 16 anos e ela apenas 12. Os dois voltariam a encontrar-se em 1889, quando ele tinha 21 e ela 17. Ele levou-a a patinar no gelo e ambos encontraram-se em vários bailes e jantares. Depois de ela deixar São Petersburgo, ele afirmou que, se Alix o rejeitasse, ele nunca se casaria. Os seus pais, no entanto, não aprovavam este romance, com esperança de cimentar a nova aliança entre a Rússia e a França casando o seu filho com a Princesa Hélène, filha do Conde Filipe da Casa de Orléans.

 


Nicolau e Alexandra em 1894

 

Como czarevich, Nicolau viajou bastante. Durante uma viagem ao Império do Japão, uma tentativa de assassinato falhada com um sabre, deixou-lhe uma cicatriz na testa. A reacção rápida do seu primo, o Príncipe Jorge da Grécia e da Dinamarca, que evitou um segundo golpe com a sua bengala, salvou-lhe a vida. O motivo para esta tentativa de matar o herdeiro ao trono russo, foi o facto de o homem se sentir ofendido por um estrangeiro estar a visitar um templo sagrado que nunca antes tinha aceitado a entrada de alguém de outra religião. O incidente teve um efeito histórico infeliz em Nicolau que passou a odiar o Japão e acabaria por entrar em guerra com o país entre 1904-1905.

 

 

Nicolau II  passeia  pelo  Japão

 

Nicolau ficou noivo de Alix de Hesse em Abril de 1894. A principio teve alguns problemas para a convencer a tornar-se sua noive, uma vez que uma Imperatriz da Rússia tinha de se converter à Igreja Ortodoxa Russa, e Alix era luterana. Eventualmente, no entanto, a paixão de Alix por Nicolau venceu e o noivado tornou-se oficial a 8 de Abril de 1894. Alix converteu-se em Novembro desse mesmo ano e mudou de nome para Alexandra Fedorovna.

 

Ao longo de 1894, a saúde de Alexandre III foi-se deteriorando inesperadamente. Esperando viver mais 20 ou 30 anos, Alexandre não deu a educação política que pretendia ao seu filho, o que resultou no fraco interesse de Nicolau pelos assuntos imperiais. Apesar de ser uma criança educada e encantadora, sempre mostrou falta de interesse ou curiosidade nas lições dos tutores. Mesmo quando Alexandre tentou introduzir o filho nos assuntos do Estado, Nicolau perdeu o interesse depois de passar vinte minutos nas sessões do conselho e saiu para ir ter com os seus amigos aos cafés. Alexandre morreu aos 49 anos em 1894 devido a uma doença de rins. Nicolau sentiu-se tão pouco preparado para os seus deveres que terá perguntado ao seu primo o que iria acontecer consigo e com a Rússia agora que chegara a sua vez de governar. Apesar de tudo, decidiu manter a política conservadora do seu pai.

 

A coroação de Nicolau II e Alexandra Fyodorovna em 1896

O casamento de Nicolau e Alexandra, planeado para a Primavera seguinte, foi antecipado por insistência de Nicolau. Sufocado pelo peso do seu novo cargo, o czar não tinha intenções de permitir que a única pessoa que lhe dava confiança o abandonasse. O casamento foi celebrado no dia 26 de Novembro de 1894. Alexandra usou o vestido tradicional das noivas Romanov e Nicolau levou o seu uniforme. Poucos minutos antes da 1 da tarde, os dois tornaram-se marido e mulher numa união que se manteria forte até à morte de ambos.

Alexandra no seu casamento

 

Apesar de uma visita ao Reino Unido antes da sua coroação onde observou a Casa dos Comuns em debate e pareceu bastante impressionado pela forma como funcionava a Democracia, Nicolau virou as costas a qualquer ideia de partilhar o seu poder com algum órgão do género na Rússia. Pouco depois de ascender ao trono, um grupo de camponeses e trabalhadores de vários pontos do país foram até ao Palácio de Inverno pedir algumas reformas constitucionais. Apesar de os seus pedidos lhe terem sido entregues por escrito, Nicolau limitou-se a juntá-los aos muitos papéis da secretária, furioso pela sua ousadia e ignorando os conselhos da família para lhes prestar a atenção devida: “… chegou-me aos ouvidos que durante os últimos meses, se têm ouvido vozes daqueles que imergiram em sonhos sem sentido de que os zemstvos (concelhos do povo) seriam chamados para participar na governação do país. Quero que todos saibam que eu vou dedicar toda a minha força para manter, para o bem da nação, o principio de autocracia tão fortemente como o meu pai o fez.” Estas palavras deixaram perplexos todos quantos as ouviram e resultaram na destruição da popularidade do novo czar e da esperança de uma mudança pacífica na Rússia.

Apesar destas palavras fortes, Nicolau era tímido na presença de membros mais velhos da sua família. O seu cunhado, o Grão-Duque Alexandre Mikhailovich, escreveu mais tarde que, “Nicolau II passou os seus primeiros 10 anos de reinado sentado atrás de uma grande secretária no Palácio e a ouvir com pouca atenção o discurso bem ensaiado dos seus tios abusivos. Ele atreveu-se a ficar sozinho com eles… Eles queriam sempre alguma coisa.”

 


Nicolau, a sua esposa Alexandra, e alguns dos seus tios e primos


O choque entre a Rússia e o Japão foi quase inevitável no inicio do século XX. A Rússia tinha-se expandido para o Oriente e as suas pretensões territoriais colidiam com as pretensões japonesas na China. A Guerra começou em 1904 com um ataque surpresa à frota russa no Porto Artur, que incapacitou a marinha russa no Oriente. A frota báltica tentou fazer a travessia marítima para ajudar na batalha, no entanto, depois de vários percalços no caminho, foi aniquilada pelos japoneses na batalha do estreito de Tsushima. Em terra, as tropas russas estavam desprovidas de mantimentos devido a uma avaria na linha férrea trans-siberiana. A guerra terminou com a derrota da Rússia após a queda do Porto Artur em 1905.

 


Ataque ao Porto Artur

 

A posição de Nicolau na Guerra foi algo que frustrou muitos. Pouco antes do ataque japonês ao Porto Artur, Nicolau manteve firmemente a sua crença de que não haveria guerra. Sentia que havia um poder divino a governar e proteger a Rússia e que impediria qualquer tipo de guerra com o Japão. Apesar das muitas derrotas, Nicolau continuou a acreditar numa vitória. Muitas pessoas viram a confiança e teimosia do czar como um sinal de indiferença, achando-o impenetrável. À media que a Rússia continuava a ser derrotada, as vozes pedindo paz começavam a aumentar. A própria mãe do czar, bem como o seu primo Guilherme II, pediram a Nicolau que abrisse negociações de paz, mas apesar de todos os esforços, este continuou a sua estratégia. Apenas quando a frota russa foi totalmente eliminada a 28 de Março, Nicolau decidiu dar inicio ao processo de paz.

 

Como resultado, o orgulho russo foi severamente afectado e a popularidade de Nicolau II sofreu mais um grave golpe com várias greves e manifestações que assolaram o país entre 1905 e 1906. Durante a época de tumulto, o tio do czar, o Grão-Duque Sergei, foi morto por uma bomba quando saía do Kremlin.

 


Grão-Duque Sergei Alexandrovich

 

No dia de Epifania, a 19 de Janeiro de 1905, decorreu a tradicional Bênção das Águas em frente do Palácio de Inverno. Como era hábito, foi construído um pódio para o czar, alguns membros da corte e do clérigo enquanto que outros membros da família real assistiam à cerimónia das janelas do palácio. A cerimónia começou com uma saudação de canhão que acabou por aterrar perto do czar e feriu um polícia. Mais tarde outras balas de canhão acabariam por ferir um Administrador e partir várias janelas do palácio (uma delas quase vitimou a mãe e a irmã de Nicolau, Olga que estavam a poucos metros de distância de uma das janelas).  Apesar de tudo, o Imperador manteve a mesma  postura desde o inicio da cerimónia. Quando finalmente chegou ao palácio disse à sua irmã Olga: “Eu sabia que alguém me estava a tentar matar e limitei-me a fazer o sinal da cruz. O que mais podia fazer?”. A Grã-Duquesa comentou mais tarde que, “era típico do Nicky. Ele não sabia o que significava ter medo. Por outro lado, parecia que ele sempre tinha aceitado que acabaria por perder a vida.”


No dia 21 de Janeiro de 1905, um padre chamado George Gapon informou o governo de uma marcha que se realizaria no dia seguinte e perguntou se o czar estaria presente para receber uma petição. Os ministros reuniram-se apressadamente para ponderar sobre o assunto. Nunca se pensou que o czar, que estava em Czarskoe Selo e não tinha sido informado de nenhuma marcha nem petição, iria realmente receber Gapon. A sugestão de que outro membro da família imperial deveria receber a petição foi também rejeitada. Por fim, informado de que tinha poucos meios para travar a marcha e prender Gapon, o novo ministro do interior e os seus colegas não pensaram em mais nada senão chamar tropas adicionais à cidade e esperar que nada se descontrolasse.

 

Domingo Sangrento

 

Nessa noite, Nicolau soube pela primeira vez por esse ministro o que iria acontecer no dia seguinte e escreveu no seu diário, “As tropas foram trazidas de fora da cidade para apoiar as locais. Até agora os trabalhadores têm-se mantido calmos.  Em estimativa são cerca de 120,000. A chefiar a sua união está uma espécie de padre socialista chamado Gapon. O Mirsky (ministro do interior) veio encontrar-se comigo esta noite para me apresentar o seu relatório sobre as medidas a ser tomadas.”

 

No dia seguinte aconteceria o trágico “Domingo Sangrento” onde milhares de manifestantes foram mortos pelas tropas do czar que guardavam o Palácio de Inverno.

 

Em Czarskoe Selo, Nicolau ficou chocado quando soube o que tinha acontecido e escreveu no seu diário, “Um dia doloroso. Desordens sérias aconteceram em São Petersburgo quando os trabalhadores tentaram entrar no Palácio de Inverno. As tropas foram forçadas a disparar em várias partes da cidade e há muitos feridos e mortos. Senhor, quão doloroso e triste isto é.

O “Domingo Sangrento” tornou-se num ponto de viragem na História Russa. Abalou irremediavelmente a antiga crença de que o povo e czar eram um só. Enquanto as balas faziam ricochete nos seus ícones, retratos e bandeiras de Nicolau II, as pessoas gritavam que o czar não as iria ajudar. Fora da Rússia, mo futuro Primeiro-Ministro trabalhista britânico, Ramsay MacDonald atacou o czar, chamando-o de “criatura coberta de sangue” e “assassino banal”.

 


Domingo Sangrento

 

A Grã Duquesa Olga Alexandrovna descreveu o que aconteceu nesse dia com o seu irmão, “O Nicky recebeu o relatório político alguns dias antes. Naquele Domingo ele telefonou à minha mãe e disse-lhe que ambas tínhamos de abandonar Gatchina depressa. Ele e a Alicky (Alexandra) foram para Czarskoe Selo. Que me lembre o meu tio Vladimir e o meu tio Nicolau eram os únicos membros da família que restavam em São Petersburgo, mas talvez houvesse outros. Na altura senti que todas as medidas tomadas estavam tremendamente erradas. Os ministros do Nicky e o Chefe da Polícia fizeram tudo à maneira deles. A minha mãe e eu queríamos ficar em São Petersburgo e enfrentar a multidão. Tenho a certeza de que, pelos grotescos modos de alguns dos trabalhadores, a presença do Nicky teria acalmado os ânimos. Eles teriam entregue a sua petição e voltado para casa, mas aquele acontecimento quase Epifânio deixou todos os guardas em estado de pânico. Eles estavam sempre a dizer ao Nicky que ele não tinha o direito de correr tamanho risco, que o país merecia que ele saísse da capital, que mesmo com as melhores medidas de protecção haveria sempre perigo. A minha mãe e eu fizemos os possíveis para o persuadir de que os conselhos dos ministros estavam errados, mas o Nicky preferiu segui-los e foi o primeiro a arrepender-se quando soube as trágicas consequências.”

 

Sob pressão depois da tentativa da chamada Revolução Russa de 1905, Nicolau II concordou com a formação de uma espécie de parlamento, a Duma, que inicialmente se pensava ser apenas um órgão de aconselhamento. A irmã do czar escreveu: “Todos estavam em baixo em Czarskoe Selo. Eu não percebia nada de política, apenas senti que tudo estava a correr mal com o país e com todos nós. A constituição de Outubro não parecia satisfazer ninguém. Fui com a minha mãe à primeira Duma. Lembro-me do grande número de deputados que vieram dos camponeses e do operariado. Os camponeses pareciam zangados, mas os operários eram ainda piores: eles olhavam-nos como se nos odiassem. Lembro-me da agonia nos olhos da Alexandra.” O Ministro da Corte, o Conde Fredericks, comentou, “Os deputados dão a impressão de um grupo de criminosos que estão apenas à espera do sinal para se atirarem aos ministros e cortar-lhes a garganta. Eu nunca mais me vou juntar a estas pessoas.” A mãe do czar reparou no “ódio incompreensível”.

 

Nicolau II dirige-se à Duma

No manifesto de Outubro, o czar anunciou introduzir liberdades cívicas, providenciar grande participação nas discussões da Duma e imbui-la de poderes legislativos. Contudo, determinado a preservar a “autocracia” mesmo durante um contexto de reforma, ele restringiu a autoridade da Duma em muitos sentidos.


A relação de Nicolau com a Duma não era boa. A primeira Duma entrou quase imediatamente em confronto com ele, exigindo sufrágio universal, reformas laborais radicais, a libertação de todos os prisioneiros políticos e o despedimento dos ministros nomeados pelo czar por ministros escolhidos pela própria Duma. Apesar de inicialmente Nicolau ter uma boa relação com o seu Primeiro-Ministro, Sergei Witte, Alexandra não confiava nele (devido ao facto de este ter ordenado uma investigação a Rasputin), e, à medida que a situação política se deteriorava, Nicolau decidiu dissolver a Duma.


A Duma era populada por radicais, muitos dos quais queriam mudar profundamente a legislação que abolia o direito a propriedade privada entre outras coisas. Witte, incapaz de resolver os aparentemente irremediáveis problemas de conduzir uma reforma na Rússia e na monarquia, escreveu ao czar no dia 14 de Abril de 1906, demitindo-se do seu posto (outros dizem que este foi forçado a demitir-se pelo Imperador).

 

Sergei Witte

 

Uma segunda Duma reuniu-se pela primeira vez em Fevereiro de 1907. Os partidos de esquerda, incluindo os Sociais Democratas e os Socialistas Revolucionários que tinham boicotado a primeira Dume, tinham ganho 200 lugares na segunda, mais de um terço de todos os participantes.  Novamente Nicolau esperou impacientemente para se livrar da Duma. Em duas cartas que escreveu à sua mãe, ele confessou o seu ressentimento, “Uma comitiva grotesca está a chegar da Inglaterra para se encontrar com os membros liberais da Duma. O tio Bertie informou-nos de que eles pediam desculpa, mas não podiam fazer nada para impedir a vinda deles. A sua famosa “liberdade”, claro. Quão zangados ficariam eles se nós enviássemos uma comitiva à Irlanda para lhes desejar sucesso na luta deles contra o governo?” Um pouco mais tarde, Nicolau escreveu, “Todos estariam felizes se tudo dito na Duma não saísse das suas paredes. No entanto cada palavra lá proferida aparece em todos os jornais no dia seguinte e estes são lidos avidamente por todos. Em muitos lugares a população está a agitar-se novamente. Eles começaram a falar sobre terra outra vez e estão à espera para ver o que a Duma vai dizer sobre esta questão. Estou a receber telegramas de todo o lado, a pedir-me que a dissolva, mas é demasiado cedo para isso. Temos de esperar que eles façam algo estúpido ou maléfico e depois – bam! E eles desaparecem!”


Depois da dissolução da segunda Duma em circunstâncias semelhantes, o novo Primeiro-Ministro, Pyotr Stolypin (que Witte descreveu como “reaccionário), mudou as leis eleitorais de forma a permitir que futuras Dumas fossem mais conservadoras e dominadas pelo partido conservador-liberal de Alexander Guchkov.


Stolypin, um brilhante político, tinha planos ambiciosos de reforma. Estes incluíam disponibilizar empréstimos para classes inferiores de modo a permitir que estes comprassem terra e, assim, criar uma classe camponesa leal à coroa.

 

Pyotr Stolypin

 

 

música: The Hours - "Love You More"

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