Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Czares da Rússia - Alexandre II e Família

 

Nome: Alexandre Nikolaevich Romanov (Alexandre II da Rússia)

Pais: Nicolau I da Rússia e Alexandra Feodorovna (Carlota da Prússia).

Nascimento: 29 de Abril de 1818

Reinado: 3 de Março de 1855 - 1 de Março de 1881

 

 

Principais reformas:

 

  • Decretou o fim da escravatura no Império Russo em 1861, o que lhe deu o cognome de "Czar Libertador".
  • Abertura do regime com o objectivo de o aproximar mais do ideal europeu ocidental. Tinha a consciência da precariedade da sua posição como autocrata em relação com o aumento dos movimentos radicais, por isso foi distribuindo o seu poder entre ministros e conselhos.
  • Durante o seu reinado lidou com a Guerra da Crimeia e com a Guerra Russo-Turca que, embora não totalmente desastrosas, deixaram o Império numa situação complicada.
  • Reformas profundas em todos os sectores, (principalmente nos primeiros anos de reinado) iniciando-se no exercito e marinha, passando pela educação e leis. A pena de morte foi abolida e foi adoptado o sistema jurídico francês mais simplificado. Com o aumento dos movimentos revolucionários, Alexandre II achou que as reformas políticas não seriam a solução, por isso iniciou um movimento de repressão dos detractores. A repressão por ele criada levaria ao seu assassinato em 1881.

 

Família:

 

Consorte: Maria Alexandrovna da Rússia (nascida Princesa Maximiliana Guilhermina Augusta Sofia Maria de Hesse-Darmstadt).

 

 

O casamento entre Alexandre II e a jovem princesa alemã não foi bem recebido entre os pais dele, principalmente a mãe, a Imperatriz Alexandra Feodorovna. Ela considerava Maria demasiado calada e pouco ambiciosa para o papel de Imperatriz de todo o Império. Complicando a situação, o parentesto dela era questionado. A sua mãe, Guilhermina de Baden, mantinha uma relação extra-conjugal com um dos amigos do marido e pensasse que tanto Maria como o seu irmão mais velho, Alexandre, eram filhos dessa relação e não do Grão-duque Luís II de Hesse-Darmstadt. Alexandre ignorou os conselhos da mãe e casou-se com ela em Abril de 1841.

 

Embora o inicio do casamento tivesse sido romântico, Alexandre cansou-se rapidamente da sua esposa conservadora e foi procurar conforto por entre a corte. Acabaria por formar uma nova família com a plebeia Catarina Dolgorukov com quem se casaria pouco depois da morte de Maria em 1881.

 

 

Coroação de Alexandre II e Maria Alexandrovna

 

Filhos:

 

Alexandra Alexandrovna Romanova

 

Nascida a 30 de Agosto de 1842, Alexandra foi a primeira filha do Czar. Não atingiu a idade adulta devido a uma meningite fatal que a atingiu quando ela tinha 6 anos de idade. É talvez mais conhecida pelos rumores de que o seu fantasma apareceu durante uma sessão espirita realizada pelo seu pai.

 

Nicolau Alexandrovich Romanov

 

Segundo filho do Imperador, teria sucedido ao pai se tivesse resistido a um fatal ataque de Tuberculose quando tinha 21 anos. Foi o primeiro noivo da Princesa Maria da Dinamarca, mas no leito de morte expressou o desejo de a ver casada com o seu irmão mais novo, Alexandre.

 

Alexandre III da Rússia

 

 

Vladimir Alexandrovich Romanov


 

Conhecido principalmente durante o reinado do sobrinho, Nicolau II, por ser o Grão-duque mais velho da família. Juntamente com a sua esposa, Maria Pavlovna, opôs-se seriamente às suas políticas. Fundador do ramo "Vladimirovich" da família imperial, a sua bisneta, a Grã-duquesa Maria Vladimirovna, reclama actualmente o direito de chefe da família Romanov.

 

Alexei Alexandrovich Romanov

 

Banido da Rússia pelo seu irmão Alexandre após o seu casamento "ilegal" com uma plebeia, passou grande parte da sua idade adulta em Paris. Antes era um importante membro da Marinha Imperial.

 

Maria Alexandrovna Romanova

 

A única filha sobrevivente do Czar, casou-se com o Príncipe Alfredo do Reino Unido, filho da Rainha Vitória. Entre os seus filhos incluem-se a Rainha Maria da Roménia e a Princesa Vitória Melita, primeira esposa do Grão-duque Ernesto Luís de Hesse e, mais tarde, do Grão-duque Cyril Vladimirovich da Rússia.

 

Sergei Alexandrovich Romanov

 

Uma das principais figuras do reinado do Czar Nicolau II, foi Governador-geral de Moscovo e grande opressor das minorias da cidade, o que lhe valeu o ódio dos seus hábitantes. Casou-se com a Princesa Isabel de Hesse-Darmstadt, irmã mais velha da futura Czarina Alexandra Feodorovna, de quem não teve filhos. Acabou por ser assassinado em 1905.

 

Paulo Alexandrovich Romanov

 

O filho mais novo do Czar, casou-se em primeiro lugar com a Princesa Alexandra da Grécia e Dinamarca de quem teve dois filhos, a Grã-duquesa Maria Pavlovna e o Grão-duque Dmitri Pavlovich. Mais tarde apaixonou-se pela esposa de um dos guardas do seu regimento, Olga Paley. Os dois iniciram um romance que levou ao divórcio dela e à expulsão do casal e do filho da Rússia. Mais tarde chegaria ao quarto lugar na linha de sucessão, o que levou ao perdão do Czar e o regresso à Rússia. Foi nomeado o porta-voz da família para avisar o seu sobrinho Nicolau II sobre Rasputine, sendo ignorado. Acabaria mesmo por cortar relações com o sobrinho quando ele rejeitou a petição escrita pela esposa de Paulo para que o seu filho Dmitri pudesse permanecer na Rússia após o assassinato do monge siberiano. Acabaria por ser assassinado em Janeiro de 1919 pelos bolcheviques.

 

 

Causa de morte: Assassinado quando uma boma explodiu dentro da sua carruagem.


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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Czares da Rússia - Alexandre III e Família

 

Nome: Alexandre III da Rússia

Pais: Alexandre II da Rússia e Maria Alexandrovna de Hesse-Darmstadt

Nascimento: 10 de Março de 1845

Reinado: 13 de Março de 1881 - 1 de Novembro de 1894

 

 

Principais Reformas:

 

  • Regresso ao sistema autocrático. Rejeitou o projecto do pai de conceder uma constituição à Rússia, afirmando que o Império nunca funcionaria com os princípios liberais da Europa Ocidental.
  • Iniciou um projecto de unificação de todo o Império Russo, acreditando que deveria existir apenas um governo, uma religião, um povo e uma língua. O Russo tornou-se na língua obrigatória do Império, incluindo nas zonas polacas, alemãs, asiáticas, etc... A religião Ortodoxa recebeu o estatuto de religião única.
  • Perseguições às minorias e opositores do regime através das "Leis de Maio". Judeus e revolucionários são as principais vítimas.
  • Construção da linha transiberiana que levou o comboio a todos os cantos do Império.
  • Reformulação das relações internacionais russas. Afastamento da Alemanha (desde sempre uma aliada russa) e reaproximação da França. Inicio da insolação política russa após a afirmação do czar de que a Rússia "não era um país europeu".
  • O seu reinado ficou, no final, conhecido pelo facto de o Czar não se ter envolvido em nenhum conflito armado.

 

Família:

 

Consorte: Maria Feodorovna (nascida Princesa Maria da Dinamarca).

Filhos: Nicolau II da Rússia

                     Alexandre Alexandrovich Romanov

                Jorge Alexandrovich Romanov

                Xenia Alexandrovna Romanova

                Miguel Alexandrovich Romanov

                Olga Alexandrovna Romanova


Curiosidade: Alexandre III formou uma banda musical com alguns dos seus primos mais novos. Mantinham ensaios regulares quando o Czar não estava ocupado com assuntos de estado, mas eles eram constantemente interrompidos pela personalidade autoritária de Alexandre que mudava constantemente as pautas e o instrumentos que cada um deveria tocar. Costumavam actuar nos bailes da esposa do Czar e as constantes mudanças acabavam por resultar numa actuação muito pouco talentosa que enviava todos os convidados embora.

 

Causa de Morte: Uma infecção grave nos rins.


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Sábado, 2 de Agosto de 2008

Biografia - Miguel Alexandrovich

 

O Grão-Duque Miguel Alexandrovich Romanov nasceu em São Petersburgo no dia 9 de Dezembro de 1878, sendo o quarto filho do Czarevich Alexandre Alexandrovich e da sua esposa, a antiga Princesa Dinamarquesa, conhecida na Rússia por Maria Feodorovna. Misha, como era conhecido pela sua família e amigos mais próximos, era, sem dúvida, o filho preferido dos seus pais. O seu pai subiria ao trono em 1881, após o assassinato do seu avô, Alexandre II.

 

Grão-Duque Miguel Alexandrovich durante a sua infância

 

A infância de Miguel foi passada sobretudo no Palácio de Gatchina, localizado nos arredores de São Petersburgo, antiga residência do seu trisavô Paulo I. Neste palácio vivia-se num ambiente relaxado de casa de campo e simplicidade sem grandes luxos. Enquanto Alexandre III era austero e dominador como Czar e com outros membros da família, com os seus filhos era um pai devoto e relaxado, especialmente com Miguel. Nicolau II era conhecido como uma criança tímida e insegura, mas, pelo contrário, Miguel era amistoso e mostrava bem a confiança interior de filho predilecto.

 

Miguel com o seu pai Alexandre III

 

Entre os seus irmãos, Miguel era mais próximo da sua irmã mais nova, Olga Alexandrovna que o tratava por “querido, querido Floppy”. Os dois irmãos viajavam bastante juntos e a primeira paixão de Miguel foi com uma das suas damas-de-companhia chamada Dina. Essa relação não foi considerada própria para um Grão-Duque e terminou graças aos esforços da sua mãe. Misha estava ao lado do seu adorado pai quando este morreu subitamente em 1894.

 

Miguel era muito mais alto que o seu irmão Nicolau e recebera a beleza da sua família, por isso causava muitas paixões por onde quer que passasse.

 

Miguel e Olga

 

Miguel (2º da esquerda) com o pai

 

Em 1899, quando Miguel tinha 20 anos, o seu irmão mais velho, Jorge morreu de tuberculose. Como Nicolau e Alexandra ainda não tinham um filho, Misha recebeu o título de czarevich até a Agosto de 1904 quando o seu sobrinho Alexis Nikolaevich nasceu. Quando Alexandra estava grávida de Anastasia, Nicolau esteve muito próximo da morte quando sofreu de febre tifóide. Foi só durante essa altura que Alexandra soube das leis paulistas que impediam as suas filhas de subir ao trono. Muitos dizem que foi então que começou a sua obsessão em ter um filho. Felizmente para todos, Nicolau sobreviveu e Miguel pôde regressar à sua rotina normal. O papel de um jovem adulto herdeiro ao trono na família Romanov era muito semelhante ao que hoje faz um Vice-Presidente nos Estados Unidos: participava em muitos casamentos e funerais. Miguel representou Nicolau tanto no funeral da Rainha Vitória em 1901 como no do Rei Eduardo VII do Reino Unido em 1909. A relutância do Czar em abandonar a sua jovem família fazia com que as viagens de Miguel aumentassem, tanto no seu país como no estrangeiro.

 

Miguel atrás de Alexandra e Nicolau


Como resultado das suas viagens, Miguel tornou-se numa espécie de cavalheiro britânico. Muitos dos seus gostos e preferências reflectiam os da aristocracia inglesa da altura. Era um brilhante cavaleiro, sabia conduzir na perfeição e adorava animais e estar no campo. Durante estes anos, quando estava na Rússia, vivia no seu palácio de infância, Gatchina.

 

Um dos seus outros deveres levou, indirectamente, ao seu casamento em 1912. Durante muitos anos, Miguel foi o comandante da Guarda Imperial que tinha o seu quartel-general em Gatchina. Foi aí que conheceu a esposa de um dos oficiais, Natalia Wulfert, em 1906. O escândalo causado por esta ligação foi o segundo do tipo na família. Antes o seu tio, o Grão-Duque Paulo, tinha casado com a estranha ex-mulher do adjunto de Vladimir Alexandrovich.

 

Miguel Alexandrovich e esposa em 1915

 

Natalia Wulfert era descrita pelos seus contemporâneos como uma bonita jovem de 18 anos e com um espírito independente quando conheceu Miguel em 1906. Filha de um advogado de Moscovo, casou-se pela primeira vez aos 16 anos com o director musical de Bolshoi Mamontv. Enquanto estava casada com Wulfer, conheceu Misha e, segundo relatos, houve uma atracção imediata de ambos os lados. Pouco tempo depois tornaram-se amantes e o Grão-Duque, seguindo a lei, escreveu ao seu irmão Nicolau para lhe pedir permissão para se casar com ela.


A família real britânica tinha o seu desdém por ver os seus membros casar com pessoas divorciadas, mas os princípios dos Romanov eram ainda mais complexos. De acordo com as leis Paulinas, os membros da Família Imperial estavam proibidos de contrair “matrimónios desiguais.” Assim, os membros da família eram obrigados a unir-se com outras famílias reais ou aristocráticas que fossem aprovadas pelo Czar. Durante o reinado de Nicolau II, a grande maioria dos casamentos “escandalosos” envolveram uniões entre membros da família com cidadãos russos fora da aristocracia. Por exemplo, a sua irmã mais nova, Olga Alexandrovna, casou-se com um coronel muito respeitável, mas sem qualquer ligação à aristocracia. Por isso a oposição da família ao casamento de Miguel com Natalia não se deveu tanto à sua falta de origens aristocráticas, mas sim ao facto de esta ser divorciada.

 

Nataslia e Miguel durante o exilio

 

Nicolau não aceitou o casamento e deixou-o bem claro quando enviou o seu irmão para um posto de comando afastado em Orel. Natalia foi enviada para umas longas “férias” pela Europa. Os amantes trocaram vários telegramas e cartas e, finalmente, não conseguiram manter-se afastados. Viveram juntos sem se casarem durante vários anos. Em 1910, Natalia deu à luz o único filho do casal, Jorge, que recebeu o nome em honra do irmão mais velho de Miguel. Apenas dois eventos interromperam o silêncio entre Nicolau e Miguel: a grave crise de hemofilia de Alexis na Polónia em 1912 e a Primeira Guerra Mundial.

 

Natalia e Miguel com o seu filho Jorge

 

Quando Miguel recebeu a notícia da gravidade do estado de saúde de Alexis na casa de férias da família em Spala, na Polónia, entrou em pânico. Ele e Natalia tinham vivido como vagabundos imperiais, viajando pela Europa com o seu filho bebé. Contudo, se Alexis morresse, Miguel tornar-se-ia novamente herdeiro ao trono e não queria sê-lo sem Natalia a seu lado como esposa legítima. Com a falta de saúde do sobrinho e o fim aparente de gestações de Alexandra, Miguel temia que o facto de ainda não ainda não se ter casado com Natalia fosse utilizado para o atirar para um casamento imperial com outra mulher, por isso, durante a crise, casou-se com a sua companheira em Viena, numa Igreja Ortodoxa Sérvia. Fê-lo para que o seu irmão Nicolau ou a Igreja Ortodoxa Russa não pudessem afastar Natalia que recebera agora o apelido de Romanov.

 

 

A atitude de desafio de Miguel em relação à sua família pode ser comparada ao que o seu primo Eduardo VIII faria anos mais tarde com Wallis Simpson, uma divorciada americana que o levaria a abdicar do trono de Inglaterra. Para os românticos o amor que unia Miguel e Natalia pode ser inspirador, mas para Nicolau II, este acto foi visto como traição que deixou o Czar zangado e devastado, principalmente devido ao facto de o irmão ter escolhido uma altura tão complicada como era a possível morte do herdeiro ao trono. A zanga entre os dois irmãos intensificou-se e não seria resolvida até ao rebentar da I Guerra Mundial dois anos mais tarde.

 

Miguel e Nicolau em 1903

 

Nicolau não pediu a ajuda de Miguel imediatamente após o rebentar do conflito em Agosto de 1914. Foi o melhor amigo de Miguel, o General Ivan Ivanovich, que se colocou entre os dois irmãos e intercedeu por Miguel, sugerindo que ele deveria ser nomeado comandante da “Divisão Selvagem.”

 

A “Divisão Selvagem” era uma unidade composta apenas por soldados voluntários, composta por seis regimentos de Muçulmanos provenientes da região do Cáucaso. Miguel era uma escolha popular entre os combatentes desta unidade onde quase todos guardavam uma fotografia do Grão-Duque no uniforme.

 

Miguel durante a I Guerra Mundial

 

Natalia fundou vários hospitais por toda a cidade de Petogrado (como era chamada São Petersburgo na altura) e até transformou o Palácio de Gatchina num pólo da Cruz Vermelha Dinamarquesa que também serviu de refúgio após a Revolução. Também durante a sua estadia na Rússia recebeu finalmente o título de Condensa Brassova, juntamente com o seu filho que recebeu o título de Conde Brassov.  Apesar de muitos dos membros da família a receberem, incluindo a mãe e irmãs de Miguel, a Condensa nunca foi convidada por Nicolau e Alexandra. Contudo, de acordo com os relatos da época, ela achava suficiente que a tratassem pela “mulher do Grão-Duque” e aceitava o desdém de outros membros dos Romanov com dignidade. Enquanto Misha estivesse vivo, ela estava feliz. Como anfitriã, entretinha frequentemente membros da Duma Imperial.

 

Natalia e Miguel durante a I Guerra Mundial

 

Miguel provou ser um corajoso comandante da sua “Divisão Selvagem”. É interessante que, enquanto grande parte do exército se tenha revoltado e dispersado após a Revolução, esta divisão manteve a sua disciplina e objectivo, sendo que apenas se separou em 1920 depois de ter combatido ao lado do Exercito Branco, altura em que foram evacuados para Constantinopla com o General Wrangel. Alguns dos seus descendentes podem muito bem ser rebeldes combatentes na Chechénia, uma vez que muitos dos membros da unidade provinham dessa região.


Não existem provas de que o Grão-Duque Miguel tenha participado em qualquer conspiração, nomeadamente as dos Grão-Duques entre 1916-1917 e acredita-se que, apesar de tudo, se manteve leal ao seu irmão até ao último momento. Ele foi apanhado de surpresa, tal como o resto do mundo, quando Nicolau abdicou por si e pelo seu filho no dia 3 de Março de 1917. A dinastia Romanov que começara em 1613 com o Czar Miguel, acabaria agora com Miguel Alexandrovich.

 

Miguel Alexandrovich em Gatchina

 

Alguns historiadores consideram Miguel o último Czar da Rússia. O que não deixa qualquer dúvida é que ele foi nomeado oficialmente como sucessor de Nicolau e, se as coisas tivessem sido diferentes, poderia mesmo ter chegado a Czar. Contudo, ele herdou uma situação que, a cada hora que passava, se ia descontrolando cada vez mais, fugindo ao seu controlo ou de alguém. Alexandre Kerensky e outros líderes da Duma deixaram bem claro que não poderiam garantir a sua segurança se ele decidisse assumir o poder. Seria um Czar sem corte nem apoiantes.

 

retrato oficial de Miguel Alexandrovich

 

O manifesto de Miguel, datado do dia 3 de Março de 1917, é um documento de grande importância devido à importância que teve para a família Romanov que, pela primeira vez, escolheu não usar violência para manter o seu poder. Miguel repudiava o uso da força para assegurar a coroa e esse filosofia mantêm-se até hoje entre os descendentes da família nomeadamente quanto a uma possível restauração da monarquis. O seu manifesto dizia:


 

 “Um pesado fardo foi-me entregue pela vontade do meu irmão que, numa altura de luta descontrolada e tumulto popular decidiu transferir-me o trono imperial da Rússia. Partilho com o povo a ideia de que o bem do país se deve elevar acima de qualquer outra coisa e decidi firmemente que apenas aceitarei o poder se essa for a vontade do nosso grande povo, que tem, através do sufrágio universal, de eleger os seus representantes para a Assembleia Constituinte, para assim determinar a forma de governo e as novas leis fundamentais da Rússia. Por isso, pedindo a bênção de Deus, peço a todos os cidadãos da Rússia que obedeçam ao Governo Provisório, que subiu ao poder e tem autoridade plena na iniciativa da Duma Imperial até que chegue a altura certa para uma Assembleia Constituinte, convocada o mais cedo possível e eleita de acordo com os princípios do sufrágio universal, directo, igual e secreto, para que se dê voz ao povo para escolher a sua forma de governo.  

 


Neste documento, Miguel nem aceita, nem rejeita a coroa. Claramente não se trata de uma abdicação, como alguns afirmaram. Em vez disso, Miguel inicia um novo rumo que defendia já antes da queda de Nicolau, para que se formasse um governo representativo. Ele governaria como um monarca constitucional, ou então, se o povo assim o decidisse, nem sequer subiria ao trono. Miguel manteria o contacto com Kerensky até à subida ao poder dos bolcheviques após a Revolução de Outubro de 1917. As eleições que Miguel convocara chegaram a realizar-se, mas a Assembleia Constituinte acabou por ser dissolvida pelos bolcheviques.

Miguel  era uma visita frequente do Palácio de Alexandre depois de regressar à Rússia. A sua última visita ocorreu no dia 31 de Julho de 1917 quando lhe foi dada permissão pelo líder do Governo Provisório, Alexandre Kerensky, para visitar o seu irmão mais velho, Nicolau II, antes de a Família Imperial ser enviada para o exílio em Tobolsk. Essa foi também a última vez que se viram.

 

Miguel Alexandrovich no Palácio de Alexandre em 1917

 

Miguel ajudou Kerensky a sair da Rússia após a Revolução de Outubro, obtendo um passaporte dinamarquês através das suas ligações familiares. Os Dinamarqueses ainda ocupavam Gatchina e ofereceram à família e amigos de Miguel uma pequena sensação de segurança. Kerensky conseguiu chegar ao Ocidente e viveu nos Estados Unidos até à sua morte em 1964.

 

Jorge, o filho de Miguel, também saiu da Rússia graças a um passaporte dinamarquês. Viveu em Paris até à sua morte aos 21 anos devido a um acidente de carro. Não tinha filhos, por isso hoje não existem descendentes directos de Miguel.

 

Natalia, a sua esposa, foi presa durante algum tempo depois da revolução com o seu marido Miguel. Boris Savinkov, o assassino que planeou o assassinato do Grão-Duque Sergei Alexandrovich em 1905, era o responsável pelo casal. Nicolau e Alexandra souberam da detenção de Miguel e Natalia quando estavam exilados em Tobolsk. Todos os preconceitos sobre o casamento impróprio de Misha tinham já desaparecido e Nicolau ficou terrivelmente preocupado com o seu irmão e cunhada.

 

Miguel e Natalia Romanov foram preses pelo governo de Lenine após a revolução de Outubro

 

Miguel, sempre um marido devote, ordenou que a sua mulher abandonasse a Rússia de qualquer forma possível depois de receber a ordem de exílio para os Montes Urais na Primavera de 1918. Assim que foi libertada, Natalia obedeceu ao marido e, tal como o seu filho, abandonou o país com um passaporte dinamarquês que a identificava como enfermeira da Cruz Vermelha. Viveu uma vida tranquila em Londres durante alguns anos. Em 1931 o seu filho Jorge morreu e, apenas em 1932, descobriu o que tinha acontecido ao seu marido em Junho de 1918. Nos seus últimos anos de vida, Natalia tinha perdido grande parte da sua fortuna e recebia ajudas financeiras dos Romanov e outras famílias reais. Curiosamente a única ajuda financeira que realmente a ajudava veio do seu primo por casamento, o Príncipe Felix Yussopov. A filha de Natalia do seu primeiro casamento também conseguiu fugir da Rússia, casou-se, e teve uma filha, Pauline Grey que escreveu o livro “The Grand Duke’s Woman.” Quando morreu, sozinha e esquecida em 1952, era esse o seu título preferido.

 

 

Muitos dos Romanov que permaneceram na Rússia, além dos que se refugiavam na Crimeia, foram enviados para os Montes Urais durante a Primavera de 1918. A todos eles foi assegurada segurança e liberdade pelos bolcheviques. Como a história já nos mostrou, os bolcheviques tinham uma ideia bastante curiosa sobre o que representava “segurança”. A Grã-Duquesa Ella foi dada como desaparecida pelo governo quando eles a tentavam enviar para um “local seguro” e disseram que Alexandra, Alexis e irmãs estavam num local seguro após o assassinato de Nicolau. Todos foram exterminados cruelmente.

 

Miguel gostou da relativa liberdade durante muitas semanas e sentia-se aliviado por Natalia e o filho terem escapado.

 

Miguel Alexandrovich em 1915

 

Na noite de 11 de Junho de 1918, um grupo de bolcheviques entrou de rompante no quarto de hotel de Miguel e ordenaram-lhe que se preparasse para ser transferido para um local seguro. Quando ele protestou e tentou telefonar ao líder do Partido Bolchevique local que lhe tinha prometido a sua liberdade as linhas foram cortadas. Ele vestiu-se, foi puxado pelo colarinho e atirado para dentro de um carro juntamente com o seu secretário, o britânico Brian Johnson.

 

Os dois homens conduziram-no para for a da cidade de Perm, onde tinha permanecido em exilio, até uma área de floresta. Ambos foram mortos a tiro pelo grupo. Um relatório indica que Miguel, depois de estar ferido, correu em direcção ao seu amigo com os braços abertos, apenas para ser morto com um tiro no peito. Um dos assassinos usou o relógio de Johnson durante vários anos como recordação.

 

Os corpos de Miguel Romanov e de Brian Johnson nunca foram encontrados. As suas mortes foram apenas o princípio de uma série de assassinatos de membros da família Romanov que aconteceu entre Junho de 1918 e Janeiro de 1919. Ao todo, 18 membros da família foram mortos durante este período.

 

Miguel foi assassinado com 39 anos de idade

música: Jeff Buckley - Hallelujah

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Sábado, 12 de Julho de 2008

Biografia Xenia Alexandrovna

A Grã-Duquesa Xenia da Rússia nasceu às quatro da manhã do dia 6 de Abril de 1875 no Palácio de Anichkov em São Petersburgo. O seu pai era o Imperiador Alexandre III da Rússia e a sua mãe a Imperatriz Maria Feodorovna da Rússia.

 

O seu avô paterno, o Imperador Alexandre II da Rússia ficou encantado com o nascimento da sua nova neta, tal como demonstram as palavras do seu manifesto anunciando o seu nascimento. “No 25º dia do presente mês de Março [a Rússia utilizava um calendário diferente] a nossa adorada nora, Sua Alteza Imperial, a Czarena, esposa de Sua Alteza Imperial, o Czarevitch, trouxe a este mundo uma filha que recebeu o nome de Xenia. Recebemos este novo membro da família com uma nova graça de intervenção divina.”

 

Xenia no colo do pai Alexandre III

 

A pequena Xenia foi baptizada no dia de aniversário do seu avô a 17 de Abril de 1875 na capela do Palácio de Inverno. A pequena Grã-Duquesa usou um vestido de baptizado feito pela sua mãe de algodão e renda. Tinha um babete removível com o símbolo da família Romanov bordado e uma coroa imperial. Os padrinhos de Xenia foram a sua avó paterna, a Imperatriz Maria Alexandrovna da Rússia, o seu avô materno, o Rei Cristiano IX da Dinamarca, o irmão do pai, Grão-Duque Vladimir Alexandrovich e a irmã mais nova da mãe, a Princesa Thyra da Dinamarca (mais tarde Duquesa de Cumberland).

 

Xenia em 1876

 

A tia de Xenia, a Princesa de Gales (mais tarde Rainha Alexandra do Reino Unido) escreveu à mãe da bebé, sua irmã, “Graças a Deus que está tudo acabado e que passaste por tudo bem e que tens uma menina!!! Sofreste muito? Minha pobrezinha Minny – ou tiveste de beber um pouco de Clorofórnio desta vez? Afinal prometeste-me que o farias… Xenia ou lá como se chama a criança, sim é um nome muito bonito, quem se lembrou dele?” A tia de Xenia, Alexandra manteria sempre um grande interesse na sua sobrinha, uma vez que esta nasceu no mesmo dia que o seu filho, o Príncipe John, que morreu 24 horas depois. A prova está na grande quantidade de presentes que lhe enviava de Inglaterra. Alexandra chamava à sua sobrinha Xenie.

 

Xenia com 2 anos de idade

 

Xenia tinha dois irmãos mais velhos, o futuro Imperador Nicolau II e o Grão-Duque Jorge Alexandrovich, bem como dois irmãos mais novos, o Grão-Duque Miguel Alexandrovich (que foi durante um breve período de tempo o Imperador Miguel II da Rússia) e a Grã-Duquesa Olga Alexandrovna. Xenia e os irmãos foram criados de forma simples, principalmente no Palácio de Gatchina. Quando era mais nova, Xenia era uma “maria-rapaz” e muito tímida.

 

Xenia durante a infância

 

Em Fevereiro de 1880, um grupo de niilistas conseguiu entrar no Palácio de Inverno e colocaram uma bomba na sala de jantar da família. A bomba explodiu e causou grandes danos, mas felizmente a família tinha atrasado o jantar e ninguém ficou ferido. O pai de Xenia enviou-a a ela e aos irmãos imediatamente para o Palácio de Yelagin onde estariam em segurança. A mãe de Xenia escreveu à sua mãe na Dinamarca, “As pobres crianças estão felizes por estar fora da cidade e a aproveitar este lugar.”

 



 Tragicamente, no dia 13 de Março de 1881, quando tinha 6 anos, Xenia testemunhou a morte do seu avô Alexandre II que foi assassinado por um revolucionário numa explosão. O seu pai ascendeu ao trono e tornou-se o Czar Alexandre III. O novo Czar não perdeu tempo e mudou toda a família do perigo de São Petersburgo para a segurança e conforto do Palácio de Gatchina. Gatchina era um vasto palácio com torres, muros altos e alta segurança que ficava a 48 quilómetros de São Petersburgo. Antes de se tornar na casa de Alexandre III e da sua família, pertenceu a Paulo I. Alexandre e a família escolheram viver numa das alas do palácio, no andar mezzanino. Infelizmente os seus quartos foram destruídos durante a invasão Nazi da Rússia, O quarto de Xenia era simples, tal como os dos seus irmãos e também ela dormia numa cama amovível. Mas ela tinha um pouco mais de conforto com um quarto de vestir e cadeiras confortáveis.

 

Palácio de Gatchina

 

Xenia, como os seus irmãos, recebeu uma boa educação de tutores privados com especial atenção para a aprendizagem de línguas estrangeiras. Além do Russo nativo, Xenia aprendeu Inglês, Francês e Alemão. Surpreendentemente, Xenia nunca soube falar a língua nativa da mãe, Dinamarquês. Os seus pais eram grandes defensores da utilização construtiva do tempo livre. Xenia divertiu-se enquanto criança aprendendo culinária, trabalhos manuais e como fazer fantoches para os teatros das crianças, incluindo as roupas. Ela também gostava de jogar jogos com os irmãos e também de cavalgar e pescar no lago do palácio. Xenia escreveu, “A mamã e eu fomos ao Admirador [edifício da marinha em São Petersburgo] onde alimentamos patos e depois, levamos um marinheiro e ele pescou connosco. Começamos na Moya e acabamos na ponte grande perto de Menagerie onde fomos para terra e começamos a escolher o ângulo. Foi muito divertido!”

Xenia com a mãe, Maria Feodorovna

 

Xenia também gostava de desenhar, de ginástica e de tocar piano. A Religião também era muito importante. Xenia realizou a sua Primeira Comunhão em 1883. Sobre a ocasião, a sua mãe escreveu, “Ela esteve muito séria durante toda a sexta-feira e qualquer um percebia que ela estava a pensar muito sobre isso.” Mais tarde, nesse mesmo ano, Xenia esteve presente na coroação dos pais no Kremlin de Moscovo. A sua mãe perguntou às filhas sobre a experiência do seu primeiro evento social, “ela não sabia muito bem – ela não falou e olhou para tudo e curvou-se perante todas as pessoas, como fazia.” Mais tarde nesse ano acompanhou os pais a Copenhaga para a consagração da nova Igreja Ortodoxa em Bredgado.

 

Olga Alexandrovna, Maria Feodorovna e Xenia Alexandrovna

 

Xenia, como o resto da família, gostava particularmente das férias de Verão “fora da prisão” na Rússia para o país natal da mãe, a Dinamarca. As reuniões de família em casa dos seus avós maternos (o Palácio de Fredensborg) eram ocasiões divertidas e barulhentas e era frequente ela juntar-se aos seus primos mais novos para andar de patins. Foi em ocasiões deste tipo que ela conheceu a sua amiga de uma vida inteira, a Princesa Maria da Grécia, filha do rei Jorge I da Grécia.

 

O pai de Xenia gostava tanto de Fredensborg que comprou uma casa modesta mesmo à saída dos portões do palácio em 1885. Quanto a Xenia, era muito conhecida na Dinamarca ao ponto de o compositor Valdemar Vater lhe ter prestado um tributo escrevendo o “Polka Mazuraka de Xenia”. Além das visitas à Dinamarca, a família de Xenia adorava refugiar-se no seu iate para a costa finlandesa. Em 1889, o governo finlandês ofereceu uma casa de Verão ao Czar em Langinkoski. Aí eles costumavam pescar salmão no rio Kymi enquanto a mãe cozinhava sopa de salmão na cozinha.

 

Xenia (à direita) com a sua prima Maria da Grécia

 

Em 1884, o Grão-Duque Luís IV de Hesse fez uma visita ao Palácio de Peterhof juntamente com a sua família para o casamento da sua segunda filha, Ella com o tio de Xenia, o Grão-Duque Sergei Alexandrovich da Rússia. Foi a primeira vez que Xenia viu a sua futura cunhada Alexandra Feodorovna que na altura tinha 12 anos e ainda se chamava Alice. As duas deram-se muito bem e brincaram juntas durante muito tempo. A sua nova tia Ella também criou um laço muito especial com Xenia e com o seu irmão Nicolau. Em 1888, Xenia e Alexandra começaram a escrever uma à outra. Xenia era a “galinha” e Alexandra a “velha hen”.

 

Xenia com 16 anos

 

Xenia e a sua família viviam em constante medo de morte às mãos dos terroristas. Em 1887, quando a família estava prestes a entrar num comboio para fazer a viagem de regresso a Gatchina de São Petersburgo, o seu pai foi informado de que vários estudantes tinham sido detidos por transportarem livros que continham bombas e que tinham como objectivo ser atiradas à família imperial. Um dos cinco terroristas enforcados em resultado desta tentativa de assassinato foi Alexandre Illyich Ulyanov, irmão mais velho de Vladimir Lenine. Em Outubro de 1888, a família estava a viajar do Cáucaso quando, subitamente, o comboio onde seguiam descarrilou. Xenia foi a primeira a sair dos destroços. O seu pai tinha conseguido manter o tecto da carruagem suficientemente alto para que todos conseguissem rastejar para fora. Apesar de a culpa do acidente se prender com problemas técnicos, nunca foi excluída a hipótese de que uma bomba tinha sido escondida no comboio.

 

Xenia (ultima da direita) com a família

 

Xenia e o seu primo, o Grão-Duque Alexandre Mikhailovich, brincavam juntos desde a infância e a sua relação começou como sendo simplesmente amigos. Quando chegou à adolescência, Xenia apaixonou-se pelo seu primo 9 anos mais velho que era um grande amigo do seu irmão Nicolau. Em 1886, quando Alexandre de 20 anos estava a servir na marinha, Xenia de 11 anos enviou-lhe um postal quando o seu navio se encontrava no Brasil, “Felicidades e volta depressa! A tua marinheira, Xenia.” Em 1889, Alexandre escreveu sobre Xenia, “Ela tem 14 anos. Acho que gosta de mim.”

 

Xenia e Alexandre queriam casar-se desde quando ela tinha 15 anos. Foi uma atracção na qual os seus pais não estavam inclinados para confiar, uma vez que Xenia era muito nova e eles não tinham a certeza sobre a personalidade de Alexandre. Finalmente, em Janeiro de 1894, os pais de Xenia aceitaram o noivado depois do pai dele, o Grão-Duque Miguel Nikolaievich, intervir, apesar da Czarina Maria Feodorovna se queixar da arrogância e falta de educação de Alexandre. O casal casou-se no dia 6 de Agosto de 1894 no Palácio de Peterhof e a sua prima Maude, futura rainha da Noruega, comentou sobre a ocasião: “A pequena Xenia estava muito querida como noiva, foi um dia esgotante para ela. Teve de pôr a coroa e a tiara antes de todas nós (…) O calor na igreja era insuportável uma vez que havia velas e candelabros e demasiada gente para um espaço tão pequeno. Podes imaginar como foi desconfortável – a cerimónia durou quase duas horas.” A irmã mais nova de Xenia, Olga, escreveu sobre a alegria do seu casamento, “O Imperador estava tão feliz. Foi a última vez que o vi assim.”

 

Eles passaram a noite de núpcias no Palácio de Ropsha e a lua-de-mel em Ai-Todor (a propriedade de Alexandre na Crimeia). Durante a lua-de-mel, o pai de Xenia começou a adoecer e morreu no dia 1 de Novembro de 1894. Xenia escreveu sobre a triste perda do seu pai, “Ainda não acredito. Parece impossível que o nosso adorado anjo tenha partido e deixado a sua pobre e miserável família de coração partido e a chorar por ele. Mas ele está feliz agora. Deus não queria que ele sofresse mais.” Com a morte do seu pai, o seu irmão mais velho, Nicolau, herdou a coroa e tornou-se o Czar Nicolau II.

 

Xenia com o marido Alexandre em 1894

 

Xenia e Alexandre tiveram sete filhos juntos:

 

·         Princesa Irina Alexandrovna (1895 – 1970)

·         Príncipe Andrei Alexandrovich (1897-1981)

·         Príncipe Feodor Alexandrovich (1898-1968)

·         Príncipe Nikita Alexandrovich (1900-1974)

·         Príncipe Dimitri Alexandovich (1901-1980)

·         Príncipe Rostislav Alexandrovich (1902-1978)

·         Príncipe Vasil Alexandrovich (1907-1989)

 

 

Um dos descendentes de Xenia poderia ser actualmente o líder da Família Romanov, mas todos os seus filhos tiveram casamentos inválidos, por isso, se a monarquia voltasse à Rússia, nenhum deles poderia subir ao trono.

 

Em 1913, a filha de Xenia, Iria, expressou a sua vontade de se casar com o Príncipe Felix Yussupov, herdeiro da maior fortuna privada da Rússia. Felix tinha decidido que Irina seria uma esposa perfeita, mas Xenia não ficou feliz com a perspectiva de aceitar o casamento da sua única filha com ele devido à sua reputação duvidável. Chegaram a aparecer rumores de que ele teve um caso com o Grão-Duque Dimitri Pavlovich da Rússia. Maria Feodorovna tinha ouvido estes rumores e pediu uma reunião com ele. Ela terá dito, “Não te preocupes, eu farei tudo o que estiver ao meu alcance pela tua felicidade.” A única filha de Xenia casou-se no dia 9 de Fevreiro de 1914 na presença do Czar que a levou até ao altar.

 

Xenia com o seu marido e filhos

 

Infelizmente a atracção romântica entre Xenia e o seu marido não durou muito. Durante a última gravidez de Xenia em 1907, Alexandre teve um caso com uma mulher identificada como “Maria Ivanovna” enquanto estava em Biarritz. Um ano depois também Xenia começou um caso com um inglês a quem chamava “Fane” e apenas se referia a ele como “F” nos seus diários. Eles trocaram correspondência até ao inicio da Primeira Guerra Mundial. Depois de Alexandre e Xenia admitirem os casos um ao outro o seu casamento entrou em crise. Apesar de ainda se sentirem apaixonados um pelo outro, começaram a dormir em quartos separados e começaram a levar vidas diferentes. A sua cunhada, a Imperatriz Alexandra Feodorovna comentou sobre o casamento, “Coitada da Xenia, com filhos tão bonitos e a com a filha casada com aquela família imoral – e com um marido tão falso.” Antes da revolução, Alexandre tinha-se desencantado com o rumo da Rússia e com a vida na Corte. Tanto ele como Xenia passavam a maior parte do tempo fora do país, mas ambos regressaram antes do inicio da Primeira Guerra Mundial. Depois da revolução, ambos se separaram e conseguíram escapar da Rússia.

 

 

Como se viu anteriormente, Xenia tinha uma relação próxima com o seu irmão e a esposa antes de eles se casarem. Quando Nicolau e Alexandre se mudaram para o Palácio de Inverno depois do casamento, Xenia e Alexandre (conhecido na família como Sandro) passavam longas noites juntos na sala de entretenimento. Alexandra estava isolada do resto da família Romanov e, além das suas duas cunhadas, Xenia e Olga, apenas a Rainha Olga da Grécia a tentava compreender. Eventualmente um grande ressentimento começou a crescer entre Xenia e Alexandra devido ao facto de a primeira, para além da primeira filha, Irina, ter dado à luz apenas rapazes saudáveis. Em contraste, Alexandra tinha quatro filhas seguidas e nenhum herdeiro masculino.

 

Em 1902, toda a família imperial russa esperava desesperadamente o nascimento de um herdeiro. Xenia escreveu que, nesse ano, Alexandra teve “um pequeno aborto – se lhe podemos chamar um aborto de todo! Apenas saiu um pequeno óvulo!” Alexandra acreditava que estava grávida devido à influência maligna de um charlatão francês chamado Philippe Nizier-Vachot. Vachot tinha convencido a impressionável e desesperada Czarina de que ela estava grávida de um rapaz. Xenia estava preocupada e contou à dama-de-companhia da mãe, “Ainda não consegui chegar perto de encontrar a origem do misterioso, senão falso, Phillipe.”

 

Finalmente, em Julho de 1904, Alexandra deu à luz um rapaz, Alexis Nikolaievich. A alegria depressa se transformou em desespero quando em Setembro o pequeno Czarevich começou a sangrar do umbigo. Alguns meses mais tarde foi confirmado que o bebé sofria de Hemofilia. O filho doente de Alexandra e os rapazes saudáveis de Xenia eram, na cabeça da Imperatriz, um antagonismo constante. Xenia nunca soubre a verdade sobre os pensamentos de Alexandra durante muitos anos. Infelizmente o nascimento de Alexis resultou no controlo completo da Czarina sobre o seu marido. A chegada de Rasputine também causou tensões. Tal como o resto da família, Xenia era muito céptica em relação aos supostos poderes do “sinistro Gregório”.

 

Irina (2º da esquerda) com a filha Irina nos braços.

 

Em 1911, para a desilusão de Xenia, Alexandra estava a pedir a Rasputine para avaliar os potenciais ministros. Num jantar com a sua mãe, o monge siberiano foi o único tema da conversa. Maria Feodorovna foi falar com o seu filho sobre ele e Ella tinha também mostrado preocupação em relação à sua influência com a irmã. Ela escreveu em desespero a Xenia: “Qualquer um sente uma atmosfera demoníaca de má disposição e nojo e intriga como se uma onda negra estivesse a afectar todos que acreditam neste profeta falso. Que Deus nos ajude e ouça as nossas orações. Foi apenas em 1912 que Xenia descobriu através da sua irmã Olga que Alexis tinha Hemofilia. A relação de Xenia e Alexandra sofreu um novo e duro golpe, mas ela continuou muito ligada ao seu irmão. Nicolau visitava-a frequentemente quando estava na Crimeia e ela dava longos passeios com as suas sobrinhas Olga e Tatiana. A sua cunhada raramente a visitava.

 

Xenia pouco antes da Primeira Guerra Mundial

 

Além de Nicolau, Xenia era dedicada aos seus outros irmãos, o Grão-Duque Jorge Alexandrovich e o Grão-Duque Miguel Alexandrovich. Ambos estavam destinados a morrer tragicamente antes dela. Jorge morreu de Tuberculose em 1899 e Miguel foi brutalmente assassinado em Perm em 1918. A morte de Jorge, embora esperada, foi traumática, uma vez que agora o seu irmão Miguel estava mais perto do trono. Sem nenhum homem de Nicolau e Alexandra, se ambos os seus irmãos morressem, o trono seria entregue ao Grão-Duque Vladimir Alexandrovich.

 

Xenia tinha esperança de que Miguel se casasse e partilhasse a sua tristeza quando surgiu a hipótese de uma união entre ele e a Princesa Beatriz de Save-Coburgo e Gotha, mas esta foi negada pela igreja. O nascimento de um rapaz de Nicolau e Alexandra trouxe alivio a ambos os irmãos. Por não poder casar com a Princesa que queria e já não sendo Czarevich, Miguel queria ter uma relação feliz. Isto levou a que se separasse da sua família quando se casou com Natasha Sergeyevna sem a permissão do Czar. O casal foi exilado como castigo. Xenia não descriminou o irmão pela sua escolha, uma vez que ela própria estava a passar por dificuldades no seu casamento e compreendia a sua atitude. Ela recebeu Miguel e a sua esposa em Cannes em 1913 e tentou convencer Nicolau a perdoá-lo. Mais tarde o Czar permitiu a entrada de Miguel na Rússia, mas sem a sua esposa. Xenia também conseguiu acalmar a sua mãe e, finalmente em Julho desse mesmo ano, Maria Feodorovna aceitou encontrar-se com Miguel e até recebeu a sua esposa Natasha.

 

 

Como outros membros da família, Xenia estava grata por o seu pai ter mantido a Rússia fora de guerras. No dia 25 de Janeiro de 1904, Xenia escreveu no seu diário, “Foi declarada guerra! Que Deus nos ajude!” A Rússia estava então em guerra com o Japão. No mês anterior, Xenia tinha mencionado ao ministro da guerra que não haveria guerra pois o seu irmão não queria guerra. Ela disse que, “não havia razão para lutar contra o Japão e a Rússia não precisava da Coreia”. O ministro da guerra confessou tristemente que a Rússia não seria capaz de controlar a situação.

 

Em Fevreiro de 1905, o tio de Xenia, o Grão-Duque Sergei foi morto por uma bomba em Moscovo. Xenia quis ir para o lado de Ella, mas disseram-lhe que a situação era demasiado perigosa. Pouco depois soube-se da derrota da Rússia na Coreia. “Que terrível! Que pesadelo! Porquê, porque estamos a ser castigados por Deus?! Estou a caminhar como se estivesse a sonhar, incapaz de compreender o que se passa”, escreveu ela. Xenia tinha-se mostrado contra a guerra e acrescentou a sua opinião, “Um fim ainda mais estúpido!” Na altura ela encontrava-se na Crimeia com o seu marido e filhos e ficou aterrorizada. Em Outubro, o seu irmão foi obrigado a concordar com a formação de uma Duma. Alguns membros da família viram isto como o fim da autocracia na Rússia. O seu marido demitiu-se da sua posição no Ministério da Marinha Mercante e a família passou o Natal em Ai-Todor na Crimeia por ser perigoso viajar para Norte.

 

 

O rebentar da Primeira Guerra Mundial apanhou Xenia e a sua mãe desprevenidas. A primeira estava na França e a segunda em Londres. As duas combinaram encontrar-se em Calais onde o comboio privado de Maria Feodorovna estava à espera para as levar para a Rússia. Elas estavam confiantes de que o Kaiser as deixaria passar, mas quando chegaram a Berlim descobriram que a linha férrea para a Rússia tinha sido fechada. Quando ouviram que o Youssoupovs também estavam em Berlim, Maria Feodorovna pediu-lhes para se juntarem a elas no comboio. Depois de uma situação complicada em Berlim, foi dada finalmente autorização para o comboio seguir para a Dinamarca. Xenia e a mãe chegaram a casa pela Finlândia. Quando chegaram a casa, Xenia, Sandro e Maria Feodorovna viveram juntos no Palácio de Yelagin. Miguel obteve também autorização para regressar e juntou-se à família no dia 11 de Agosto.

 

 

Xenia e a mãe sabiam que a Rússia não estava em condições para lutar numa guerra moderna, por isso Xenia lançou-se ao trabalho. Ela providenciou o seu próprio comboio para hospitais e abriu um grande hospital para feridos. Também abriu o Instituto Xenia que oferecia próteses artificiais para os incapacitados pela guerra. Em 1915, Xenia e Maria Feodorovna ficaram horrorizadas ao saber que Nicolau pretendia tomar o comando das forças armadas. Ela acompanhou a sua mãe a Czarskoe Selo para o tentar fazer mudar de ideias. Tal como Maria Feodorovna escreveu no seu diário, “fui tentar a minha sorte.” Para aumentar as suas frustações, a conversa não teve qualquer efeito. Xenia regressou de coração partido para o Palácio de Yelagin. Em Fevereiro de 1916, Xenia viajou para Kiev depois de uma doença para ver a sua mãe e irmã. Olga Alexandrovna tinha finalmente recebido permissão do Czar para dissolver o seu primeiro casamento e casou-se em Novembro de 1916 com Nikolai Kulikovsky na presença da sua mãe. Xenia não esteve presente, mas ouviu tudo sobre o casamento da sua mãe. Em Outubro de 1916, cada vez mais deprimida pelo dilema da Rússia, Xenia escrevey à sua mãe, “O que teria acontecido se o querido Papa ainda estivesse vivo? Será que haveria guerra – desordem, fermento intelectual, desacordos – numa palavra, tudo o que está a acontecer ou não – acho que não – pelo menos grande parte do que está acontecer, não aconteceria e podemos dizê-lo com certeza.” Xenia, a sua mãe e a sua irmã Olga pediram ao Grão-Duque Nicolau Mikhailovich da Rússia para escrever ao Czar para o avisar sobre a influência de Alexandra nos assuntos do governo.

Nicolau nem sequer abriu o envelope, mas Alexandra leu a carta e acusou o Grão-Duque de “rastejar atrás da tua mãe e irmãs”.

 

Xenia com Alexandra

 

Compreendendo o perigo que corria, Xenia e a sua família mudaram-se para Ai-Tudor na Crimeia. Aí recebiam poucas notícias. Xenia ouviu falar do assassinato de Rasputine e ficou inconfortável com o episódio. Ela escreveu à sua mãe que estava em Kiev, “Dormi pouco. Há um rumor sobre o assassinato de Rasputine!” O cunhado de Xenia tinha sido um dos assassinos. Nos inícios de 1917, Xenia esperava que a sua mãe conseguisse fazer com que o seu irmão se consciencializasse sobre o colapso cada vez mais próximo da Rússia. Ela escreveu em desespero, “Se pudesses falar serias ouvida. Se as coisas não mudarem, será o fim de tudo. As pessoas parecem pôr as suas últimas esperanças em ti e se isso falhar, só pode acabar mal.”

 

 

A sua mãe achava que não podia fazer nada e não tinha intenções de regressar a São Petersburgo de Kiev. No dia 19 de Fevereiro de 1917, Xenia regressou a São Petersburgo e ao seu palácio. No dia 25 de Fevereiro, escreveu no seu diário, “Há distúrbios na cidade, até dispararam contra a multidão, dizem eles, mas tudo está calmo em Nevsky. Eles estão a pedir pão e as fábricas estão de greve.” No dia 1 de Março de 1917 ela escreveu, “Não há fim para o pesadelo e há tantos rumores por aí. Diz-se que o comboio do Nicky foi parado e que ele foi forçado a abdicar!” Mais tarde ela escreveu, “Infelizmente o Nicky não compreendeu o perigo. Se o Nicolau tivesse reagido mais cedo e garantido as condições impostas pela Duma podia ter salvado o trono. Estas horas fizeram toda a diferença!” Maria Feodorovna escreveu-lhe sobre a reunião com Nicolau em Mogiliev, “Ainda não consigo acreditar que este horrível pesadelo é real!” Mais tarde ela também escreveu, “Não sei nada do pobre Nicky, por isso estou a sofrer horrivelmente.” Xenia tentou ver o seu irmão, mas o Governo Provisório não lhe deu permissão. Não vendo futuro onde estava, Xenia voltou para Ali-Todor no dia 25 de Março, dia do seu 42º aniversário.

 

Xenia chegou a Ai-Todor onde se juntou com a sua mãe, irmã e marido no dia 28 de Março de 1917. No final de Novembro, Xenia escreveu ao seu irmão Nicolau que estava em exílio em Tobolsk, “O meu coração sangra sempre que penso no que passaste, no que viveste e no que ainda estás a viver! A cada passo houve horrores e humilhações injustas. Mas não temas, o Senhor vê tudo. Desde que estejas saudável e bem. Às vezes parece tudo um pesadelo terrível e que vou acordar e tudo vai estar bem! Pobre Rússia! O que lhe vai acontecer?” Em 1918, enquanto estava na Crimeia, Xenia recebeu a notícia de que o seu irmão Nicolau II, esposa e filhos tinham sido mortos pelos bolcheviques. Quando o exercito vermelho se estava a aproximar cada vez mais da Crimeia, Xenia e a sua mãe conseguiram escapar da Rússia no dia 11 de Abril de 1919 com a ajuda da Rainha Alexandra do Reino Unido, irmã de Maria Feodorovna. O rei Jorge V enviou um navio de guerra britânico que as levou a elas e a outros Romanov da Crimeia pelo Mar Negro para Malta e depois para a Inglaterra. Mais tarde a sua irmã Olga juntou-se à família. Xenia permaneceu no Reino Unido, enquanto que a sua mãe e irmã preferiram partir para a Dinamarca.

 

 

 

Xenia visitava a sua mãe na Dinamarca sempre que podia. Ela estava a viver na Villa Hvidore que ela e a irmã Alexandra tinham construído na costa norte de Copenhaga. Em Outubro de 1928, Maria Feodorovna ficou gravemente doente. Durante esta altura ambas as suas filhas estavam sempre ao seu lado, junto à cama. No dia 13 de Outubro a antiga Imperatriz acabou por morrer. Um jornal dinamarquês escreveu que, “a Dinamarca está de luto pela sua sábia e corajosa filha”.

 

Xenia nos seus últimos anos

 

No dia 17 de Maio de 1920, Xenia recebeu os direitos para as propriedades de Nicolau na Inglaterra por ser a irmã mais velha do falecido Czar. O seu valor é de 500 libras. O seu marido Sandro estava a viver em Paris. Em 1925, a situação financeira de Xenia tinha-se tornado desesperante. O seu primo directo, o Rei Jorge V, permitiu que ela vivesse em Frogmore Cottage, uma boa casa no Windsor Great Park. Ela escreveu ao primo em agradecimento, “A sério Georgie, é muito bom e gentil da tua parte. Eu aceitaria tudo excepto ser mantida por outros. Não tenho palavras para te dizer como me sinto.”

 

Xenia à porta de casa

 

Mais tarde ela teve de lidar com as afirmações fraudulentas de Anna Anderson que dizia ser a sua sobrinha Anastasia. A sua irmã Olga tinha realçado que se aparecessem mais gastos excessivos por parte da família, a sua mãe deixaria de receber a sua pensão do Rei Britânico. Em Julho de 1928, dez anos depois do suposto assassinato de Nicolau, Alexandra e filhos, todos assumiam que eles estavam mortos e, por isso a família lutava pelas suas possessões, principalmente pela propriedade finlandesa, mas acabaram por perder.

 

 

Depois da morte da sua mãe, a venda de Hvidore e das jóias de Maria Feodorovna trouxe algum dinheiro. Pouco depois, Xenia recebeu uma carta de Gleb Botkin, filho do médico da família do seu irmão, acusando-a de estar a tentar roubar aquilo que pertencia à sua sobrinha Anastasia. O seu marido não escondeu os sentimentos que tinha em relação à Botkin numa carta a Xenia, “Obrigado pela tua carta (…) Também pela malvadez do Botkin, que feitio! Estou envergonhado pelo povo russo, Vou procurar conselhos junto de um advogado americano, mas na minha opinião é melhor não fazer nada e esperar pelo ataque deles.” No dia 26 de Fevereiro de 1933, o seu marido Sandro morreu. No dia 1 de Março ele foi enterrado em Roquebrune-Cap-Martin no sul de França e tanto ela como os seus filhos estiveram presentes na cerimónia.

 

Xenia com os filhos

 

Em 1934, a Frogmore Cottage tornara-se demasiado pequena para Xenia e a família. O rei mandou adicionar uma nova ala à casa. Em Março de 1937, Cenia mudou-se da Frogmore House para a Wilderness House nos jardins do Palácio de Hampton Court. Xenia continuou a viver lá até à sua morte no dia 20 de Abril de 1960. Mesmo apesar das dificuldades por que passava na altura, Xenia deixou uma pequena quantia para cada um dos seus filhos.

 

Xenia com o vestido da corte em 1893

música: Bernard Fanning - "Watch Over Me"

publicado por tuga9890 às 19:39
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Biografia - Jorge Alexandrovich

O Grão-Duque Jorge Alexandrovich nasceu no dia 9 de Maio de 1871 em Czarskoe Selo e era o terceiro filho de Alexandre III e da sua esposa, a Imperatriz Maria da Rússia. Foi chamado de Jorge em honra do seu tio e irmão mais novo da sua mãe, o rei Jorge I da Grécia. Quando nasceu o seu pai, como filho mais velho de Alexandre II, era o Czarevich da Rússia. A seguir ao seu irmão mais velho, o Grão-Duque Nicolau, o recém-nascido Jorge era o terceiro em linha de sucessão ao trono, uma vez que um outro irmão chamado Alexandre tinha morrido antes do seu nascimento com poucos meses de idade. Entre as sua família tinha a alcunha de “salgueiro”.

 

Jorge com poucos meses de idade entre a sua mãe e o irmão mais velho

 

Quando era uma criança, Jorge era mais forte e saudável do que o seu irmão Nicolau e podia ser descrito como o típico Romanov. Jorge era alto, ao contrário do seu irmão, bonito e muito divertido. Tinha tendência para se meter em problemas e ser malcomportado, mas como a sua mãe gostava demasiado dele, livrava-se dos castigos facilmente. Tal como os seus irmãos, ele foi criado à maneira inglesa. Dormiam em camas amovíveis e levantavam-se às 6 da manhã para tomar banhos de água fria, sendo que apenas em raras ocasiões tinham autorização para tomar banhos com água quente na casa de banho da mãe. O pequeno-almoço consistia normalmente de papas de aveia e pão preto. Ao almoço eram servidos bolos de carne ou bife grelhado com ervilhas e batatas assadas r ao lanche tinham pão com manteiga ou geleia. Bolos só se serviam em ocasiões muito especiais.

 

Jorge (à esquerda) com o irmão Nicolau

 

Nicolau e Jorge partilhavam uma sala de estar, uma sala de jantar, um quarto de brincar e um quarto de dormir, todos mobilados de forma muito simples. A mãe de Jorge ensinou-lhe que a vida familiar era muito importante. Devido ao casamento feliz dos seus pais, ele foi criado numa atmosfera de amor e segurança que faltava em muitas casas reais. No dia 27 de Maio de 1883, os pais de Jorge foram coroados numa cerimónia magnífica na Catedral Uspensky no Kremlin de Moscovo. Os novos imperadores receberam uma homenagem por parte da família imperial incluindo dos seus filhos Nicolau e Jorge, ambos de uniforme. Foi uma grande ocasião na vida do jovem Grão-Duque. A maior parte do tempo a família vivia na segurança e conforto do Palácio de Gatchina.

 

Nicolau e Jorge (à direita)

 

Jorge era considerado o mais inteligente de todas as crianças imperiais. Também era muito social, ao contrário do seu irmão. Jorge e Nicolau partilhavam os mesmos tutores, mas estudavam em salas diferentes. Mais tarde frequentaram o curso na Academia Naval Russa. Ambos os irmãos falavam e escreviam Inglês na perfeição e gostavam bastante de desporto, particularmente de caça e pesca. Também falavam fluentemente Francês e um pouco de Alemão e Dinamarquês. Jorge dava sinais de uma grande carreira na Marinha antes de adoecer com tuberculose em 1890.

 

Jorge (em cima) com os irmãos Miguel, Xenia e Nicolau

 

O Imperador e a Imperatriz decidiram enviar Nicolau e Jorge numa viagem de 9 meses pelo mundo em 1890. Jorge iria como cadete naval e Nicolau para completar a sua educação vendo algo diferente por todo o mundo. Maria Feodorovna esperava que o sol quente e os ares marítimos fizessem bem à saúde do seu filho. Eles deixaram Gatchina no dia 4 de Novembro de 1890. A Imperatriz nunca se tinha separado dos filhos por tanto tempo dos seus filhos e sentiu imensas saudades deles. “Não podes imaginar como é triste e difícil estar aqui sem ti, meu anjo, e como dói pensar nesta longa separação”, escreveu ela numa carta a Jorge.

 

Jorge com os pais

 

Os seus dois irmãos foram até à Grécia num navio de Guerra para se juntarem aos seus primos que incluíam o Príncipe Jorge da Grécia, conhecido como o “Jorge Grego”.A partir daí eles viajaram até ao Egipto. Quando chegaram a Bombaim na Índia, Nicolau enviou um telegrama à sua mãe onde dizia que Jorge não tinha saído do navio porque tinha problemas na perna. Apesar de garantir aos pais que estava perfeitamente bem, eles foram subitamente informados de que ele tinha febre alta e ia regressar a casa. A Imperatriz ficou alarmada. “Não consegues imaginar a angústia que tenho passado nestes últimos dias”, escreveu ela. “Apesar de todas as análises… tenho de levar as coisas com calma, e convencer-me a mim própria que é apenas uma simples e horrível malária e que vai passar com uma mudança de ares.” Jorge, na verdade, sofria de bronquite aguda e foi enviado para Atenas onde foi examinado por médios reais. A Imperatriz ficou nervosa por ambos os filhos: Jorge porque sentiu bem o seu desapontamento e Nicolau que estava agora sem a companhia do irmão.

 

 

Em Novembro de 1894, Alexandre III morreu subitamente e Nicolau subiu ao trono. Na altura, Nicolau não tinha filhos, por isso, de acordo com as leis de sucessão russas, Jorge tornou-se Czarevitch e estava em primeiro lugar para a sucessão ao trono.

A fraca saúde de Jorge forçou-o a mudar-se para Borjomi, na Geórgia. Foi-lhe impossível regressar a São Petersburgo para o funeral do pai, Alexandre III, uma vez que os médicos o proibiram. Nicolau escreveu ao seu irmão, “Rezo constantemente a Deus para que te envie uma recuperação rápida e completa, bem como conforto para ti, porque é muito mais difícil estar sozinho depois de tão grande desgosto do que estar, como nós, juntos!” Jorge também faltou aos baptizados das suas sobrinhas Olga e Tatiana. Pouco depois do nascimento da terceira filha de Nicolau, Maria, em Junho de 1899, Jorge escreveu ao seu irmão mais velho, “Estou terrivelmente triste por não ter conseguido ainda ver e conhecer as tuas filhas, mas o que posso fazer? Significa que não é destino, mas sim a vontade de Deus.”

 

Jorge nos seus últimos anos em Borjomi, na Geórgia

As visitas da sua mãe à Geórgia eram muito agradáveis. Em 1895, Jorge e Maria Feodorovna visitaram a Dinamarca, uma vez que já não viam os seus parentes dinamarqueses há mais de 4 anos. Foi uma visita triste, uma vez que foi a primeira sem o antigo Czar. Depois, subitamente, a sua saúde piorou. “Ontem, no jardim, ele expectorou com algum sangue… isso assustou-me mais do que consigo dizer – a surpresa de o ver foi um verdadeiro choque, porque ele tinha estado tão bem ultimamente. Estou bastante desesperada por isto ter acontecido aqui.”

Como resultado, Jorge foi proibido de fumar e obrigado a ficar na cama até estar em condições para o seu regresso à Geórgia. Quando escreveu novamente a Nicolau, Jorge contou-lhe sobre a sua viagem à Dinamarca, “Claro que foi bom ver a família ao fim de 4 anos, mas não me fez nada bem, uma vez que perdi 2 quilos e meio que tinha conseguido ganhar com muita dificuldade em Maio e Junho. Também já não consigo respirar muito bem. Por isso são estes os resultados da minha viagem. Muito irritante.”

 

 

Jorge morreu subitamente no dia 9 de Agosto de 1899, aos 28 anos. Ele tinha saído na sua mota e, algumas horas depois, quando não regressou, os seus empregados preocupados foram à sua procura. Quando o encontraram era tarde demais. Uma camponesa tinha-o encontrado desmaiado numa vala na estrada com sangue a sair-lhe da boca enquanto lutava por respirar. Ela segurou-o nos seus braços até que ele morreu. A notícia chegou a Nicolau por telegrama e foi ele que teve a difícil tarefa de contar à sua mãe. Ela entrou num estado de verdadeira histeria. Durante muito tempo ela acreditou que o seu estado de saúde estava a melhorar a morte do filho foi um choque terrível.

 

 

A sua família ficou completamente devastada. Nicolau ficou particularmente afectado, uma fez que se tratava do seu irmão mais novo e companheiro de juventude. O Grão-Duque Constantino Constantinovich escreveu, “Todos estavam afectados por esta notícia triste e repentina”. A Rainha Vitória escreveu a Nicolau II, “Aceita a expressão dos meus mais sinceros pêsames no meu deste tempo de tristeza, pois eu sei bem a ligação que tinhas com o pequeno Jorge, cuja vida foi tão triste e só.” Em resposta, Maria Feodorovna disse, “Muito obrigada pela vossa sincera simpatia neste momento terrível. O meu pobre e querido filho morreu bastante só. Estou de coração partido.

 

Jorge (em pé à direita) com os irmãos

 

No dia 14 de Agosto de 1899, o corpo de Jorge foi enterrado na Catedral da Fortaleza Pedro e Paulo em São Petersburgo, perto do local onde se encontrava o seu pai Alexandre III. Durante o funeral, a sua mãe não verteu uma única lágrima, mas manteve uma expressão de sofrimento profundo. Quando o caixão estava a ser baixado para o seu tumulo, Maria Feodorovna ficou ao lado da sua filha Xenia, agarrando-lhe o braço e, subitamente, olhando para ela com os olhos muito abertos, disse alto o suficiente para que todos a pudessem ouvir: “Vamos para casa. Já não aguento mais!” e saiu rapidamente. Ninguém chegou a ter tempo para deitar flores para o túmulo. Na carruagem ela chorou bastante, apertando o chapéu de Jorge que tinha tirado do caixão contra o peito.

 

Jorge (primeiro da direita) com o irmão Nicolau e a irmã Xenia

 

Nicolau II sempre recordou Jorge e o seu sentido de humor. Quando Jorge contava uma anedota, Nicolau escrevia as melhores em pedaços de papel e guardava-os numa caixa. Anos após a morte do seu irmão mais novo, não era raro ouvir o Czar a rir-se sozinho no seu escritório, ao rever a caixa de anedotas. Quando o irmão mais novo de Jorge, Miguel, teve o seu primeiro filho em 1910 deu-lhe o seu nome. No entanto este Jorge também morreria novo em 1931 depois de um acidente de carro quando tinha 20 anos.

 

Jorge (em baixo) com Nicolau

 

Décadas mais tarde, o seu corpo foi exumado para que se pudesse extrair uma amostra de AND que seria comparada com os restos mortais encontrados em Ekaterinburgo em 1991 para comprovar se estes pertenciam ao seu irmão Nicolau e restante família. O resultado mostrou uma compatibilidade exacta. Mesmo depois da morte, Jorge provou ser uma grande ajuda para o seu irmão.

música: Colin Hay - Beautiful World

publicado por tuga9890 às 15:47
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